Depois de (demasiados) meses com a cultura confinada, os artistas portugueses regressam finalmente aos palcos nacionais. Carolina Deslandes atuou recentemente nos Prémios Play (iniciativa da associação PassMúsica e que premeia artistas nacionais), onde concorreu para a categoria de Melhor Artista Feminina – prémio que a artista de 29 anos não levou para casa e para o qual, em entrevista à MAGG, revelou que acredita ter sido nomeada "a ferros".

A artista que dá voz a êxitos como "Avião de Papel" e "Adeus, amor, adeus" prepara-se agora para lançar o seu quarto álbum – depois do sucesso do álbum “Casa” em 2018 e dos dois EP’s lançados em pandemia, "Mercúrio" (numa colaboração com Jimmy P) e "Mulher".

Com a premissa de que a verdade está acima de qualquer outra coisa, Carolina Deslandes falou com a MAGG sobre os Prémios Play e aquilo que considera ser uma "cerimónia justa", sobre a (falta de) representatividade feminina no universo da música e, ainda, sobre aquilo que Carolina gostava de poder mudar na indústria musical.

Numa entrevista descontraída, a artista não se furtou a falar sobre temas mais sensíveis, como a sua relação com os media, a exposição da sua imagem e vida familiar (Carolina tem três filhos, Santiago, Benjamim e Guilherme, fruto da relação, entretanto terminada, com Diogo Clemente) e o difícil acesso dos artistas mais jovens ao mercado da música.

Ao fim de tantos meses com a cultura “em standby”, o que é que este regresso aos concertos ao vivo, no Festival EA Live, significa para si?
Olha, é incrível! Principalmente, porque tu nunca tens noção do quanto as pessoas sentem a tua falta e do quanto tu sentes a falta das pessoas até as duas partes serem privadas de conviver uma com a outra.

Por acaso, um dos lados bons do nosso trabalho e da nossa profissão é que estás constantemente a deparar-te com a gratidão por fazeres aquilo que tu fazes – há sempre, de repente, um concerto ou uma reação a uma canção que tu lanças que te deixa boquiaberto e tu pensas “uau, não estava à espera de tanto feedback”.

É impossível teres passado por isto e não perceberes o quanto nos faz falta fazer concertos e o quanto a internet não substitui a presença humana. E, por um lado, é bastante apaziguador, porque eu acho que tivemos aqui uma fase quase robótica, em que achámos que a internet podia substituir tudo e a pandemia veio mostrar que não substitui – e ainda bem que não! Não há nada que substitua música ao vivo. Da mesma maneira que não há Facetime que substitua um beijo.

Eu tenho usado estes concertos novos para trazer música nova, algumas coisas que tenho cantado ao vivo compus na noite anterior e ainda nem as gravei. É levar canções novas e ver o que é que as pessoas acham. Até porque estou um bocadinho farta de cantar sempre as mesmas coisas, quando há tanta coisa nova que ainda não viu a luz do dia. Tenho cantado para aí sete músicas novas que nunca ninguém ouviu.

Todo o conceito do Festival EA Live passou por concertos intimistas. É mais feliz neste tipo de concertos mais intimistas ou a cantar em grandes palcos?
Os dois trazem-te sensações completamente diferentes: é impossível eu não te dizer que estou num Rock In Rio ou num Marés Vivas e não estou a amar cada segundo; mas depois estou num Coliseu, a fazer uma coisa mais auditório, e sinto outro tipo de energia. A vida vive mesmo de balançar as duas coisas. Já fui muito feliz em festas incríveis e já fui muito feliz na casa dos meus amigos – é quase a mesma coisa!

Eu adoro fazer concerto intimistas – consegues olhar para a cara das pessoas, consegues conversar com elas, consegues abrir um bocadinho mais o teu coração. Eu falo muito em palco, mas eu converso imenso com as pessoas. Pronto, gosto de ter aquela coisa de quase receber as pessoas em casa e que estamos todos num convívio, sem aquela separação público/artista.

Ontem [ quinta-feira, 16 de julho] anunciou que vai ter um single novo no início de setembro. O que é que podemos esperar da Carolina em 2021? Já há projetos novos na manga?
É o single que lancei até hoje que tem mais especificidades. Não vai sair no meu canal – depois vocês vão perceber porquê – e então o acordo que eu tenho é que tem de ser mesmo uma estreia exclusiva na plataforma que em vai sair. Portanto, não posso mesmo cantá-lo antes, vai ser mesmo surpresa!

"As pessoas acham que, por seres figura pública, a tua relação é de toda a gente – e não é"

Na cerimónia de entrega dos Prémios Play, a 8 de julho, a sua atuação contou com mais 11 mulheres. O que é que a motivou a reunir tantos talentos femininos (e tão diferentes) em palco?
A ideia dos Prémios Play é muito misturar artistas. Quando me convidaram para misturar artistas, eu nem sabia se ia à Gala e se ia (ou não) cantar – porque eu sou um bocado contra estas entregas de prémios e cenas – por isso, não sabia se ia. Eu já andava com uma ideia de fazer um remix do meu EP "Mulheres", com artistas convidadas, em que cada uma trazia o seu cunho.

Entretanto, meteu-se o segundo confinamento e a malta ficou toda assustada outra vez, voltámos todos para casa e não era assim tão fácil reunir as pessoas e nem toda a gente tem assim um estúdio em casa. E a forma que o meu manager teve de me convencer foi "olha, já que não fizeste o 'Mulheres', porque é que não aproveitas e convidas as mulheres (artistas) para irem a palco contigo?".

Pronto, eu achei que era importante, porque eu acho que há muita falta de representatividade feminina nestas coisas – tiveste seis canções do ano e só uma é que é de uma mulher. Antigamente, as pessoas diziam assim "não há mulheres a compor e a cantar" e agora já não há desculpa: porque há muitas mulheres a cantar, há muitas mulheres a fazer coisas boas e eu acho que há uma resistência por parte da indústria que faz com que as mulheres tenham sempre um caminho mais difícil. Ou és fadista ou tens sempre um caminho muito mais dificultado do que os homens na indústria da música. Então levei muitas mulheres para fazer um statement – para meter mais mulheres em palco, porque achei que fazia falta e porque eu as acho todas incríveis.

Em termos de performance, todas as artistas em palco estavam com roupa pretas, estilo uniforme e com joias portuguesas. Qual foi a ideia por detrás deste conceito?
Eu tenho a Mónica Lafayette a fazer o styling – nunca tinha trabalhado com styling, embora agora tenha começado a fazê-lo mais. Tal como eu gosto de que as pessoas me liguem a dizer "não sou a melhor do mundo a escrever letras e gostava de que tu me ajudasses a escrever"; eu também não sou, de todo, a melhor do mundo a escolher roupas e não tenho muita paciência nem muito tempo e, por isso, comecei a contratar stylists para me ajudar.

"Estão sempre à procura de um motivo para se interessarem por uma mulher, que não seja os seus feitos e o seu trabalho"

Basicamente, eu disse à Mónica que queria manter o conceito da parte visual do "Mulher" – da joalharia portuguesa com os xailes, por exemplo. Então como visualmente muitas cores ficava uma cena muito confusa, optámos por vestir toda a gente de preto – que é a minha cor preferida, ainda por cima – e acabou por funcionar bem, havia roupa para toda a gente e estava toda a gente confortável e sentir-se bonita.

A Carolina tem uma voz muito ativa em questão relacionadas com a confiança e com a necessidade de nos sentirmos bem com o nosso próprio corpo. Como é que a roupa em palco, por exemplo, pode espelhar essa confiança?
Eu acho que a roupa em palco te dá a oportunidade de brincares um bocadinho com algumas personagens. Há coisas, se calhar, que eu vou usar em palco – hoje em dia, porque não fui sempre assim – que não vestiria no meu dia a dia, é uma oportunidade para brincar e eu acho fixe. Acho que é importante sentires-te bem fisicamente para te meteres num lugar de vulnerabilidade que é mostrar as tuas canções às pessoas. É importante que te sintas bonita e é importante que te sintas bem – e a roupa ajuda nisso, obviamente.

Eu tenho uma coisa que é: eu também me sinto muito bem de capuz na cabeça e de calças de ganga. Mas quando estou nesse mood de "apetece-me experimentar e apetece-me brincar" e de usar a minha roupa como uma forma de arte, de me exprimir, gosto de experimentar e gosto de variar.

Teve uma fase em que usava roupas mais largas. Era uma forma de fugir ao estereótipo da sexualização da mulher? E de as pessoas a ouvirem pela música e não pela aparência?
Não. Eu acho que isso existe, mas eu sempre andei de hoodie e com roupas mais largas. Não sei dizer porquê, mesmo quando era muito magrinha, sempre foi a minha cena. Eu não gosto de pensar em vestir uma coisa que não é prática para mim e para aquilo que gosto de fazer só porque vou ficar mais bonita.

Penso sempre: "ok, vou estar muitas horas de pé". Antes de entrar no mundo da música, trabalhava num restaurante e servia muitas horas às mesas. Depois, estive no Hot Club e estava a fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Sempre tive ensaios longe e andava de transportes. Então a minha cena com a roupa sempre foi: "o que é que eu gosto e que me deixa confortável para fazer a minha vida também" – então nunca gostei de usar coisas que não servissem o dia a dia.

Sim, essa questão da sexualização existe, embora eu nunca tenha passado muito por isso. É como te digo: infelizmente continua a ser um assunto e infelizmente estão sempre à procura de um motivo para se interessarem por uma mulher, que não seja os seus feitos e o seu trabalho.

Sempre falou publicamente em relação ao papel da mulher na sociedade e à necessidade de honrar esse mesmo papel. Abordar e retratar esta temática através das músicas sempre foi uma preocupação sua?
Eu tive três filhos seguidos, fiquei sem trabalho por engravidar (da minha segunda gravidez) e fui das primeiras mulheres, assim da minha geração, a começar a pisar palcos principais dos festivais. Não havia mais mulheres e as pessoas achavam que isso me deixava feliz, mas não é verdade. Eu pensava: "não é porque eu sou a única a fazer isto bem, é porque as outras mulheres não têm oportunidade, não é por falta de talento". Isso sempre me deixou triste e depois também passei por toda a parte da exploração dos media, da minha imagem e de diabolizarem muito tudo aquilo que eu dizia, de ser descontextualizada e de fazerem notícias minhas que não interessavam a ninguém. Depois, passei por isso tudo em torno da minha relação com o Diogo. As pessoas acham que, por seres figura pública, a tua relação é de toda a gente – e não é.

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Mesmo depois, quando me separei, os comentários foram todos a culpar-me: "ele tinha deixado de sentir atração por mim, porque eu estava gorda", "era bem feita que eu tivesse ficado sem marido" – então senti esta urgência de falar sobre a vida de uma mulher e sobre esta coisa de falar sobre uma mulher que canta, seja sobre aquilo que for, e a indústria criar uma picardia entre ti e essa mulher, de forma a não nos unir. E isto traz benefício. A indústria beneficia desse conflito.

No EP "Mulher", diz que “a revista é cor de rosa, mas a alma deles é preta”. Já está em paz com esta realidade?
Estou em paz porque já não falo com ninguém. Eu falo sobre concertos e para lançar singles. Falei com a Bumba na Fofinha porque é alguém que eu admiro e porque sabia que ia ser recebida com dignidade e gosto muito dela. De resto, não falo com ninguém e não aceito nada. O que ponho no meu Instagram, hoje em dia, apesar de nunca deixar de falar a minha verdade, são muito mais comedidas. Tenho muito mais cuidado também com a minha vida privada, exatamente porque não estou para isso.

Resguarda-se mais para não dar azo a este tipo de notícias?
Não é para não dar azo, é para não dar dinheiro.

Na sequência dos Prémios Play, fez um post no Instagram, onde escreveu que “a indústria vai sempre arranjar forma de te fazer sentir um perdedor”. E também disse que "temos muito caminho a percorrer até conseguir fazer uma cerimónia justa". O que é que a Carolina entende por “cerimónia justa” ?
Eu entendo que uma cerimónia justa é uma cerimónia onde todos os géneros musicais têm representatividade – o que não acontece. Acredito que uma cerimónia justa não é uma cerimónia onde há seis Canções do Ano e só uma delas é que é de uma mulher. Acredito que uma cerimónia justa não é uma cerimónia onde a música pop só ganha o prémio de Artista Revelação – nunca dão mais nada.

Acho que aquilo [os Prémios Play] é um festival de nicho, não é um festival de música portuguesa. É um festival da Antena 3, da música mais indie e dos respetivos artistas – que eu concordo que tenham de ter o seu espaço, porque os números não são tudo. Há pessoas que não têm um alcance gigante, mas que artisticamente são muito interessantes. Ricas e que trazem muita coisa à cultura do nosso país. Longe de mim dizer de não, mas tem de haver um meio termo e é só isso.

Eu nunca tinha sido nomeada para os Prémios Play, foi a minha primeira vez. A primeira edição foi em 2019, o ano em que eu lancei o "Avião de Papel", o "Adeus, amor, adeus" , a "Vida Toda" e tinha lançado o "Casa" – e eles fingiram que eu não existia, literalmente. Depois, continuaram a fingir que eu não existia. Este ano, nomearam-me para a categoria de “Melhor Artista Feminina” a ferros, não foi uma coisa orgânica. Foi porque já não sabiam mais o que dizer para não me nomear.

"Eu estou sempre a correr e a pandemia trouxe-me esta ideia de que não há nenhum sítio para ir."

A indústria da música é um meio complicado tanto para quem já lá está como para quem está agora a começar. O EA Live apostou nos novos talentos na abertura de cada concerto, com nomes como a Carolina Leite ou a Mariana Dalot, por exemplo. Quais são os seus conselhos para quem está agora a pensar mergulhar no mundo da música?
Sejam genuínos, só. Há muita coisa à volta da música que só a quer poluir – "vamos fazer a canção que as pessoas querem ouvir" ou "vamos fazer uma canção de X minutos, com uma temática mais alegre no verão e mais triste no inverno”. Há aqui uma tentativa de sistematizar aquilo que não é sistematizável. Na música, trabalhamos com emoções, com a nossa verdade, com os nossos momentos e com a nossa vida, com aquilo que temos de mais pessoal. E isso nunca na vida vai ser uma fábrica, vai sempre ser uma coisa altamente vulnerável, altamente volátil. É uma metamorfose constante. E o meu conselho é: permitam-se a isso. Lá está, eu só consigo criar laços com artistas que eu sinto que me estão a dizer a verdade.

"Acho que aquilo [os Prémios Play] é um festival de nicho, não é um festival de música portuguesa."

Tanto a Mariana Dalot como a Carolina Leite têm um estilo muito próprio. Acha que é disto que a indústria precisa para fugir ao tradicional?
Acho que a música precisa do que cada um tiver para dar, desde que seja verdadeiro. Acho que a música precisa de pessoas que querem dizer coisas, da maneira que lhes é natural e da maneira que querem dizê-lo e não estarem preocupadas com "isto não pode ser assim, porque ninguém vai gostar".

Claro que se tu fizeres uma canção de sete minutos, sabes que não vai passar na rádio. Eu digo: "cria a tua cena, desde que seja verdadeira, não tenhas medo disso". Nos casos da Carolina Leite e da Mariana Dalot, são as duas cantautoras incríveis, gosto muito de ouvir as duas, partilho coisas das duas porque acredito nelas e acho que, acima de tudo, faz falta isto: mostrar que há mulheres a escrever e a compor e que há mulheres que podem estar perfeitamente nos palcos principais dos eventos e dos festivais. Não há essa coisa de que os homens são mais enérgicos em palco e a que as mulheres não.

Ainda é difícil entrar no mundo da música de forma autónoma?
Não acho que seja assim tão complicado hoje em dia. Já foi muito pior. Quando comecei, estava a aparecer o Youtube e o Facebook. Hoje em dia, tens o caso de um Domingues, que, de repente, lança as músicas dele e é um estoiro e não apareceu pela mão de ninguém. É a cena dele.

É adepta de que existe sorte ou defende que o talento brilha sempre?
Acho que existe trabalho. Não digo que exista sorte, mas acho que existe oportunidade. Às vezes, existe mais oportunidade para uns do que para outros e acredito nisso. Ainda não posso dizer que as oportunidades são as mesmas para todos, porque não são. Mas acredito, acima de tudo, no trabalho. Trabalhar, trabalhar, trabalhar.

Também há uma coisa que é muito passada pelo cinema. Como Hollywood falou sempre da música e da arte: "estou num bar, canto uma canção, aparece um gajo rico, pega em mim para fazer de ti uma estrela e no dia seguinte estás a esgotar arenas" e isso é mentira. "Ah, tenho azar, ainda ninguém pegou em mim" – ninguém vai pegar em ti. Tens de fazer alguma coisa.

O que é que mudava na indústria da música?
Mudava o elitismo. Esta coisa de que há géneros de música que são superiores a outros. Não concordo com isso. Acho que cada um tem o seu gosto, a música é uma coisa muito pessoal. Eu posso escolher aquilo que consumo (ou não) em minha casa. Agora, de resto, acho que todas as pessoas merecem respeito e representatividade.

Depois da pandemia, valoriza mais os concertos?
Eu sempre adorei fazer concertos. Não sou nada aquela artista que diz "ai, prefiro mil vezes ficar em estúdio e não fazer concertos" – eu gosto mesmo muito. Mas claro que quando uma coisa te é retirada, tens o triplo da vontade a fazer.

O que é que a pandemia lhe trouxe de positivo?
Tempo para estar com os meus filhos. Tempo para me analisar. Tempo para olhar para a minha relação e para a meu trabalho. Tempo para acabar o "Mulher" e decidir o que é que queria lançar e como é que queria fazê-lo. Tempo para as minhas amizades. Tempo para cozinhar e para ler. Eu estou sempre a correr e a pandemia trouxe-me esta ideia de que não há nenhum sítio para ir. Relaxa.

Em pleno 2021, o que é que podemos esperar da Carolina?
Vou lançar música de setembro até ao fim deste ano. Em setembro, também vou anunciar dois concertos grandes, no dia em que sair o meu próximo single. Para o ano, quero fazer uma tour e lançar um disco. Supostamente, ia lançar o disco este ano, mas acho um bocado ingrato estar a lançar discos nesta fase. Já lancei dois EP’s em COVID e gostava de lançar um disco ao qual eu pudesse fazer outro tipo de produção – uma produção mais de contacto.

E as músicas para este próximo disco já estão todas prontas?
Nunca tens as músicas todas prontas – isso é um mito. Tenho muitas canções das quais estou muito contente. Já peguei e gravei várias. Já tenho várias demos de imensas coisas, mas vou ter de me sentar agora, durante o mês de agosto e decidir com o que vou efetivamente avançar – do que é que eu gosto mais, o que é que vejo como single, o que é que vou priorizar.

Como é que convidaria as pessoas a (voltar a) confiar na cultura?
Eu diria, nada mais nada menos do que isto: todas as coisas para acontecerem têm de ter income, têm de ter dinheiro e financiamento. E os artistas, para continuarem a ser artistas sem terem de ter outra profissão, precisam de ser contratos para concertos e precisam de que esses concertos tenham pessoas. Portanto, nesta altura, quem compra um bilhete para um concerto não está a ajudar só a pessoa que dá a cara, mas está a ajudar técnicos, está a ajudar drivers.

Com o simples gesto de comprar um bilhete e ir a um concerto, está a ajudar muitas famílias e a mostrar, a quem tem o poder de alterar as coisas, que nós (artistas) não somos descartáveis e que as pessoas precisam de nós. Quando as pessoas dizem que precisam de uma coisa, quem nos governa tem de arranjar forma de essa coisa chegar às pessoas.

*texto de Bruna Gonçalves, editado por Raquel Costa

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