Depois de semanas com Portugal em estado de emergência, a passagem para uma situação de calamidade pública marca o início de um regresso gradual dos portugueses à sua vida normal, ainda que com muitas precauções e medidas de segurança. Para além do distanciamento social e da lavagem frequente de mãos, a utilização de máscara é exigida em espaços fechados, como supermercados ou transportes públicos, por exemplo.

Com a saída das famílias de suas casas, surgiram nas últimas semanas muitas marcas a produzir máscaras para crianças. Mas são seguras e úteis, ou podem ser encaradas pelos mais novos como um acessório de brincadeira? Em primeiro lugar, é preciso perceber que nem todas as crianças devem usar máscara. De acordo com recomendações da Associação Americana de Pediatria, que publicou um documento sobre o tema a 20 de abril, os menores de 2 anos não devem usar esta proteção, devido ao perigo de terem vias respiratórias menores e poderem asfixiar.

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Da mesma forma, a pediatra Joana Martins reforça à MAGG que é impensável colocar uma máscara num bebé recém-nascido. "Um recém-nascido não tem controlo da cabeça, se lhe tapamos o nariz e a boca, a reinalação de CO2 vai ser grande", salienta a especialista.

Mas apesar de grande parte destas marcas fabricarem máscaras para crianças com a indicação de utilização a partir de 2 anos, Joana Martins alerta que a tónica nessa idade pode ser prematura. "A maior contra-indicação que as crianças de 2 anos têm para a máscara é o facto de não compreenderem a utilização desta. Têm a máscara na cara, tentam tirar ou estão sempre a mexer-lhe porque faz comichão, esfregam os olhos, voltam a mexer na máscara. Tudo isto vai contra as normas de utilização de uma máscara em segurança."

A médica pediatra explica que antes de se colocar uma máscara no rosto deve-se lavar muito bem as mãos ou desinfetar, colocar a máscara, ajustar à face e nunca tocar na parte exterior. No momento de a retirar, deve ser removida por trás, novamente sem nunca tocar na parte em contacto com a cara devido ao risco de infeção e contágio pelas mãos. "Se há adultos com dificuldades em compreender e fazer isto, vamos imaginar uma criança de 2 anos. Não vai ter capacidade de cumprir tudo isto, e o risco de contágio associado ao uso inadequado de máscara vai ser maior", frisa Joana Martins.

Assim, apesar de a grande maioria das academias de pediatria serem bastante consensuais em colocar o limite a partir dos 2 anos, a pediatra Joana Martins acredita que devemos colocar a tónica nos 4 anos. "Acho que é melhor subir o limite um bocadinho. No entanto, os pais devem avaliar caso a caso e perceber se o filho tem capacidade de colocar corretamente a máscara, de cumprir as indicações de segurança de forma a que esta cumpra o seu objetivo real. Se lava bem as mãos antes de a pôr, se não toca no exterior, se não lhe mexe, se tapa bem o nariz e a boca".

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Para a especialista, existem miúdos "mais maduros, mesmo com 3 anos, que o conseguem fazer", sendo assim mais importante ter atenção à forma como as crianças lidam com a máscara, e não se guiar tanto por uma recomendação de idade. Ainda assim, Joana Martins reforça que "antes dos 4 anos, dificilmente existirá maturidade" para usar a máscara corretamente.

"Se os miúdos, com a máscara na cara, estão sempre a tocar-lhe, o risco é maior e mais vale não usar. Acredito ser mais útil os pais explicarem que as mãos devem ser muito bem lavadas e ensinar os filhos a tossir e a espirrar para o cotovelo", refere Joana Martins.

Na fotogaleria, conheça algumas marcas que estão a produzir e a vender máscaras para crianças, mas recorde-se de seguir as indicações de segurança e avaliar se o seu filho está preparado para usar máscara corretamente.

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