Para a maioria dos portugueses, Torres Vedras é sinónimo de um Carnaval de arromba. Para mim, que abomino essa época festiva e fujo a sete pés da primeira matrafona (homens vestidos de mulheres, uma tradição do Carnaval de Torres Vedras) que encontrar, o Oeste só me recorda o Dolce CampoReal Lisboa, um hotel de cinco estrelas no Turcifal.

Se em maio o mote da nossa visita tinha sido o brunch, desta feita chegámos ao hotel com o intuito de visitar o spa Mandalay (vencedor do prémio de “Melhor spa em resort da Europa” na edição de 2018 dos World Luxury Spa Awards), experimentar as iguarias do restaurante Grande Escolha (vencedor do prémio “Melhor restaurante em resort da Europa” nos World Luxury Restaurant Awards 2018) e, claro está, queimar os últimos cartuchos do verão tardio que se sentiu com o início de outubro.

Descanso a uma hora de Lisboa e uma massagem dos deuses

Apesar do Dolce CampoReal ficar a menos de 60 minutos e a cerca de 50 quilómetros de Lisboa, temos sempre a sensação que nos afastámos quilómetros e quilómetros da confusão da capital. Assim que saímos da estrada nacional e viramos à direita para a entrada do resort, somos brindados com uma atmosfera tranquila, uma vista incrível do campo de golfe e, no sábado que visitámos o hotel, também com o sol.

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Depois do check-in, somos encaminhados para um quarto espaçoso com varanda e vista para a piscina, com um mimo de boas-vindas muito especial e saboroso: dois pastéis de feijão, um doce tão típico de Torres Vedras, e uma pequena garrafa de ginja de Óbidos. Com uma casa de banho igualmente espaçosa, a tipologia Deluxe (onde ficámos alojados) permite-lhe escolher entre tomar um relaxante banho de imersão na banheira com janelas para o quarto, ou um duche mais rápido no chuveiro. E pelos poucos minutos que passámos sentados na cama enquanto trocávamos de sapatos, percebemos que esta também é das mais confortáveis que já tivemos o prazer de experimentar — algo que comprovámos horas depois, com uma ótima noite bem dormida na gigante cama do quarto.

Rua do Campo, Turcifal
2565-770 Torres Vedras
Telefone: 261 960 900

Depois de uma curta visita ao quarto, encaminhamo-nos para o spa Mandalay (o único no País com este conceito e designação), até porque não queremos perder a nossa marcação. Quem nos recebe é Carla Anjo, a diretora do spa, que nos informa que vamos receber a massagem Ultimate Deep Pressure. Tal como nos explica, “este é um tratamento muito popular, intenso, que se foca em pressionar os músculos o mais fundo possível, descontraindo os mesmos” — e isto foi música para os meus ouvidos.

Já na sala de tratamento, a terapeuta informa que a massagem é feita com o auxilio de um tok-san, um martelo de madeira usado para corrigir qualquer coisa que esteja a bloquear o fluxo da energia vital. E se a ideia de ter alguém a bater-nos com um martelo nas costas pode parecer aterradora ao início, na realidade tratou-se de uma das massagens mais relaxantes que já tive o prazer de experimentar. Assim que a terapeuta batia o martelo gentilmente contra as minhas costas num movimento ritmado, acho que consegui sentir o stresse da semana de trabalho a abandonar o meu corpo — e nunca na vida odiei tanto o som que assinala o final do tratamento. O melhor desta massagem? Senti-me leve e descontraída no dia seguinte, sem qualquer dor, algo que acontece muitas vezes quando passamos por tratamentos mais intensos. Com a duração de 85 minutos, a massagem Ultimate Deep Pressure tem um custo de 150€.

O hotel tem cinco estrelas — mas o jantar no Grande Escolha fica pelas quatro

Ainda antes do jantar, fazemos uma paragem estratégica no bar Wellington para provar a nova carta de cocktails de assinatura e experimentámos o Minttini, uma bebida inspirada no conhecido mojito mas com um twist, e o Wellington Sour, uma alternativa ao whisky sour com louro e ginger ale. E apesar de os sabores serem bastante distintos, o veredicto é comum — estavam ambos deliciosos, frescos e leves, sendo o aperitivo perfeito para o jantar que se seguia.

O chef Rui Fernandes é o mentor da carta do restaurante Grande Escolha, a alternativa mais fine-dining do resort, sendo também o responsável pelos pratos exclusivos dos restantes três restaurantes do Dolce CampoReal Lisboa. E não resistimos a várias das confeções do chef, entre entradas, pratos principais e sobremesas. Para começar a refeição, escolhemos a caipirinha de ostras (10€), o tártaro fumado de novilho (10€) e o corneto de queijo chévre, ginjinha e frutos secos (8€).

A caipirinha tratava-se de duas ostras fresquíssimas com um toque especial baseado na popular bebida brasileira que oferece, se é que é possível, ainda mais frescura ao saboroso bivalve e resulta numa entrada leve e saborosa; já o tártaro de novilho, que nos chega à mesa dentro de um recipiente tapado a vácuo com fumo dentro, torna-se demasiado intenso exatamente devido ao fumo que, apesar de ser uma ideia original, acaba por interferir com os sabores da carne; quanto aos cornetos, ficamos com a sensação que estamos simplesmente a comer uma tosta com queijo e confesso que a alegria inicial da refeição causada pelas ostras começou a esmorecer com estas duas últimas entradas.

Mas havia esperança e essa tem um nome — dois, aliás. Falamos do garam masala de borrego (20€) e do wellington de vitela branca com pêra rocha (25€), os eleitos para prato principal. Enquanto o garam massala estava saboroso e bem confeccionado, a interpretação do chef Rui Fernandes do popular bife wellington valeu-lhe pontos pela originalidade, pela qualidade dos produtos e pela excelente conjugação de sabores salgados com o doce da pêra rocha — e a vitela branca estava no ponto.

E quando pensávamos que a refeição tinha sido completamente salva, as sobremesas dividiram-nos: se o chocolate e caramelo vs. flor de sal e azeite (8€), uma opção irreverente que também conjuga idealmente o doce e o salgado nos levou ao céu, a mesma ideia de ligar opostos fez-nos descer à terra com a receita do convento dos congregados (8€), um pudim abade de priscos combinado com um pão-de-ló salgado que se tornou impossível de comer. E apesar de ser válido que se trata de uma questão de gosto pessoal ( e de o chefe de sala nos assegurar que nunca existiram queixas nesse sentido), a verdade é que o sal a mais do bolo tradicional não fez o efeito desejado de equilibrar sabores, mas acabou por danificar a experiência desta sobremesa.

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No entanto, e continuando a falar de comida, o brunch de domingo do Grande Escolha (35€ por pessoa, com uma seleção de bebidas incluída, servido entre as 12h e as 16h) continua a ser uma ótima forma de fechar a nossa estadia com chave de ouro. Com uma variedade imensa de pratos quentes e frios, doces, saladas e muito mais, continuamos a recomendar as favinhas, a picanha e o incrível peixe ao sal — pelo menos até ao final de outubro, altura em que o brunch termina, apenas para regressar em 2019.

O Dolce CampoReal Lisboa tem estadias em quarto duplo (nesta época do ano) a partir de 130€.

A MAGG ficou alojada a convite do Dolce CampoReal Lisboa.

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