Olá pai. Não sei se sabes o que é o Tinder. Se não souberes, não procures. Se souberes, digo-te já que aquilo é jogo só para um dia. Sabes que és o homem da minha vida. Gosto muito de ti. Não contes à mãe.

Disclaimer feito, que comece a carnificina. Estou a brincar. Mais ou menos. Confusos? Eu também. Passemos à frente.

O mundo é um sítio fascinante. Digo-o sem ponta de ironia. Uma das coisas que mais adoro nisto da existência é o facto de pessoas tão parecidas poderem gostar de coisas tão diferentes, de pessoas tão diferentes terem exatamente as mesmas preferências, de todas as variáveis possíveis nisto da diversidade. A heterogeneidade — benigna e aceite de forma absolutamente natural (importante referir isto nos dias que correm) — amplia a nossa visão e dá-nos mais mundo.

O Tinder, uma aplicação de encontros (ou engate), é por si só um mundo, acreditem. A heterogeneidade está lá, ainda que não seja absolutamente fidedigna — ou será que aquele bíceps está assim sempre tão inchadão?

A minha missão aqui foi muito simples. Identificar diferentes padrões de homens na forma como os candidatos se apresentam, incidindo sobretudo (apenas, pronto) naqueles que resultaram num swipe direto para a esquerda (o lado da rejeição), não sem antes tirar umas notas, rir-me ou, por outro lado, não me rir nada — porque, vá lá, quem é que se lembra de tirar uma fotografia a agarrar em duas espingardas?

Algumas pessoas vão identificar-se com as minhas preferências, outras nem tanto. Por isso, peço aos lesados que não se preocupem. Exceto se usarem armas nas imagens. Alguém pode denunciar estas pessoas?

Crónica. Porque é que já não há bitoques em Lisboa?
Crónica. Porque é que já não há bitoques em Lisboa?
Ver artigo

O radical

Ele é surf, ele é bodyboard, ele é skate, ele é escalada, ele é bungee jumping, ele é queda livre, cannyonning e até arborismo, assim mesmo, tudo seguidinho. É um espécime perigoso, porque costuma ter aquele estilo negligee super natural, com um cabelo maravilhosamente despenteado, um pouco queimado pelo mar, o que acaba por ser sexy, não podemos negar. Só que ele também parece saído da crew do "Jackass" e tanta adrenalina deixa-me com palpitações no coração. Das más. Eu preciso de serenidade. Os tempos são loucos o suficiente. Adeus.

A metamorfose

Uau, és super giro. Calma, aqui estás mais gordo. Pronto, não faz mal. Ena, quem és tu? Ok, estás careca. Serás o Benjamin Button? Não, a vida rolou normalmente. Passaram 50 anos.

O bombadão

Grande six pack, sim senhor. Só que a mim não me enganas. Mesmo com 37 quilómetros a separarem-nos, esse cheirinho a anabolizantes está fortíssimo.

O bombadão fofinho

És um espécime semelhante ao anterior, mas com uma nuance. Também levantas aqueles 500 quilos, fácil, porque esses abdominais denotam uma trabalheira gigante e a força vem do core, toda a gente sabe disso. Só que, pronto, és mais meiguinho. Vê-se pela fotografia, tirada com aquele plano picado básico, em que nos enterneces com esses olhos meigos de cachorrinho abandonado. És fofo, mas, vá lá, levantas 500 quilos. Parece-me incongruente.

O bombadão ao espelho

Mais uma nuance, mas aqui a coisa agrava-se. O homem aparece quase nu, por vezes envergando apenas aquela cueca branca básica, tão pequena que nos impossibilita de escrever no plural. A pièce de résistance: a flashada no espelho, que nem deixa ver a cara. Impecável.

O charrado

Maninho, o problema nem está em bafares umas. Está em achares que isso é um bom engate.

O bêbado

Cinco fotografias, cinco bezanas épicas. Na mão esquerda está o copo de vodka, na direita a cintura de alguém, provavelmente da miúda que decidiste cortar da imagem. No canto da fotografia, a marca de água da discoteca em que te divertiste à brava. Esta foi no Urban, a outra foi no Main. Esta foi há 15 anos, quando o Paradise Garage ainda bombava.

O que contempla

O que contempla até pode ser uma pessoa interessante, porque observar é importante. Só que nunca lhe vemos bem a cara, porque está sempre a contemplar. A contemplar o mar, a serra, o monumento, o cão, o gato, o periquito, o sinal de trânsito. Por aí fora.

Aquele que salta para a vida real

Credo. O plano de todas as tuas fotografias está tão aproximado que parece que vais sair do meu telemóvel. Assustador.

Nature lover

Um indicador muito importante, por vezes mais do que a fotografia, é a frase que a acompanha. O que se afirma como "animal lover" eu até entendo, porque há pessoas que não apreciam muito a bicharada. Mas a natureza? Temos de tornar isso num statement? Não é suposto todos amarmos a natureza? Eu amo-a. Preciso de escrever isso? Mas pronto, não é grave. Gostar da natureza é fixe.

O que pergunta pelos hobbies

Ok, aqui passamos à fase seguinte. O match deu-se e surge aquele “olá” tímido na janela de chat. Depois de um “tudo bem?”, eis que surge a pergunta: “Quais são os teus hobbies?". Vá lá, vocês conseguem melhor.

O homem que ama armas

Bem, fora de brincadeiras, nunca me vai sair da cabeça a imagem de um rapaz com duas espingardas, uma em cada mão, a rir-se com um ar diabólico. E não foi o único a aparecer com este acessório, o que torna tudo ainda mais grave. É avisar as autoridades, porque dali não vai sair coisa boa. Este não entra na teoria de heterogeneidade fascinante.

Newsletter

A MAGG é uma revista digital pensada para mulheres e focada nas preocupações centrais da vida de cada uma. Falamos de tudo o que está a acontecer de forma descontraída mas rigorosa.
Subscrever

Notificações

A MAGG é uma revista digital pensada para mulheres e focada nas preocupações centrais da vida de cada uma. Falamos de tudo o que está a acontecer de forma descontraída mas rigorosa.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.

Fale connosco

Se encontrou algum erro ou incorreção no artigo, alerte-nos. Muito obrigado.