Cancro da mama é uma patologia cujo nome faz arrepiar qualquer mulher. Isto porque é um dos mais frequentes e, de acordo com a Liga Portuguesa Contra o Cancro, 1.500 mulheres morrem com esta doença todos os anos. Dos cerca de seis mil novos casos que surgem anualmente, apenas 1% corresponde aos homens.

E os casos não estão tão longe, nem acontecem apenas aos "outros" — sejam eles quem forem. O cantor Marco Paulo, 75 anos, foi diagnosticado com cancro da mama, de acordo com as informações de uma fonte ao jornal "Correio da Manhã" esta segunda-feira, 17 de fevereiro. Outra revelou à revista "VIP" que o cantor foi operado em dezembro para retirar o tumor, seguindo-se sessões de quimioterapia.

Este é o segundo cancro conhecido que Marco Paulo enfrenta. Já em 1996 tinha lutado contra um cancro no cólon e na altura os médicos deram-lhe até um tempo de vida limitado. Mas nada o impediu de lançar mais tarde temas como "A chave do teu coração" ou "Na hora do adeus", provando que conseguiu superar a doença.

E está pronto de novo: "É mais uma luta que tenho de travar — que muita gente trava", disse no Jornal da Uma, na TVI, esta terça-feira, 18 de fevereiro, onde contou que começou por sentir um caroço sob o mamilo direito, que ao início desvalorizou. Numa consulta de rotina, uma amiga que o acompanhava pediu à médica que avaliasse o tal caroço, que veio depois a confirmar estar relacionado com o cancro da mama.

"Os homens que tomem cuidado, cautela. Porque este não é um problema só de senhoras", alerta o cantor. Marco Paulo faz então parte do 1% dos cancros da mama nos homens, uma tendência que tem crescido, tal como acontece nas mulheres.

"À medida que os cancros da mama aumentam, os do homem também acabam por aumentar e é algo que se tem mantido ao longo do tempo. Aumentando no geral, o do homem também aumenta", diz à MAGG Daniel Romeira, médico oncologista do Hospital Lusíadas em Lisboa, referindo-se aos números que têm crescido de ano para ano.

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Fatores de risco

O cancro da mama não escolhe género ou profissão — como foi possível perceber pelo caso mediático — contudo, pode escolher idades, uma vez que nos homens é mais comum a partir dos 60 anos. Também há quem apresente maiores fatores de risco: no caso do cancro da mama masculino são eles o histórico familiar, o álcool, o tabaco, a exposição à radiação, a obesidade e a doença hepática crónica, conforme enumera do oncologista Daniel Romeira.

Dentro deste quadro, a exposição à radiação pode estar relacionada com o caso do cantor Marco Paulo, apesar de não ser a única que contribui para que o cancro possa surgir.

"Como é muito raro o homem desenvolver cancro da mama, há uma maior demora até ao diagnóstico"

Ainda que o cancro da mama tenha várias causas nem sempre fáceis de prevenir, um diagnóstico precoce é fundamental. Se para as mulheres este está cada vez mais acessível e interiorizado — com mais unidades móveis de rastreio do cancro da mama e campanhas de sensibilização —, para os homens o diagnóstico precoce nem sempre é possível.

"O cancro da mama nos homens passa um bocadinho mais despercebido do que nas mulheres. Estas estão alerta, porque no dia a dia falamos-lhes em rastreios, que estão bem estabelecidos, e no caso do homem não. Como é muito raro o homem desenvolver cancro da mama, há uma maior demora até ao diagnóstico", refere o oncologista Daniel Romeira.

Depois de detetado um nódulo ou de o médico suspeitar que algo não está bem, são prescritos exames, tais como aqueles que detetam o cancro da mama nas mulheres: mamografia com imagens de raio-X da mama, ecografia, ressonância magnética (RM) ou biópsia.

Sendo detetado mais tardiamente, o prognóstico pode ser pior, uma vez que o cancro da mama pode já estar num estadio mais avançado. Conforme o estadiamento da doença (que pode ir do 0 ao IV) os tratamentos divergem entre si, mas não daqueles que são usados nas mulheres. De acordo com o oncologista Daniel Romeira, pode apenas existir alguma alteração no que diz respeito à terapêutica hormonal antiestrogénica.

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Interiorizar a doença

Continua a haver um estigma no que diz respeito ao cancro da mama nos homens. Não só pela sociedade, que associa a doença apenas às mulheres, como pelos próprios que têm dificuldade em reconhecer a doença.

"Primeiro têm de se lembrar que o cancro da mama também pode acontecer aos homens. Daí até irem ao médico, também há algum distância, porque não estão alertados para isso. Não faz mesmo o clique. Por isso, até um homem interiorizar que tem cancro da mama, demora algum tempo", conclui oncologista do Hospital Lusíadas em Lisboa. Mas é essencial fazê-lo. Não se esqueça: os homens também têm cancro da mama. E quanto mais cedo for detetado, melhor.

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