Admissões de pessoas com anorexia ou bulimia cresceu substancialmente no Reino Unido nos últimos anos, tendo o número disparado de 14 mil (2016-2017) para 16 mil (2018) e para 19 mil (2018-2019), dizem os dados do National Health Institute, citados pelo "The Guardian".

O NHS avança ainda que o número de internamentos subiu 37% nos últimos dois anos e chama a atenção para uma tendência crescente alarmante: um quarto dos internamentos do ano passado é referente a crianças com 18 anos ou menos, sendo que 2.403 são referentes a casos de anorexia nervosa, valor que representa um aumento de 12% face ao ano anterior. Dez rapazes e seis raparigas atingidos tinham 9 anos ou menos —  a idade mais comum para o desenvolvimento da doença é entre os 13 e os 15 anos.

Os números incluem casos diagnosticados por psiquiatras em hospitais ou clínicas especializadas, estimando-se que 3,2 por cada 100 mil crianças com idades entre os 8 e os 12 anos respondiam aos critérios da anorexia pela primeira vez em 2015, número superior ao registado em 2006, em que era de 1,5 a 2,1 por 100 mil.

Em Portugal, os números divulgados pelo serviço Nacional de Saúde, em 2018, mostram que o problema não é exclusivo do Reino Unido: avançou pela altura o jornal "Público" que, em 15 anos, perto de 4.500 pessoas foram hospitalizadas com doenças do foro alimentar. Os números são resultado de uma investigação realizada por um grupo do Cintesis (Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde), que, entre 2000 e 2014, monitorizou as entradas hospitalares que tinham estas doenças na sua origem. Concluíram que os internamentos eram muito frequentes e que o número de casos tinha quase duplicado — sendo que alguns casos, mais concretamente, 25 chegaram a ser fatais.

“O aumento dos internamentos por distúrbios alimentares é muito preocupante, pois são os mais mortais distúrbios de saúde mental. Os pacientes geralmente enfrentam longos atrasos no acesso ao tratamento especializado. O governo deve garantir que os serviços de transtorno alimentar sejam adequadamente contratados para ajudar a reduzir o tempo de espera e reduzir a necessidade de hospitalização ”, disse, citada pelo mesmo jornal, Agnes Ayton, da faculdade de transtornos alimentares do Royal College of Psychiatrists.

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O "The Guardian" questiona se o número elevado é apenas reflexo de uma maior consciencialização, que leva mais pessoas ao hospital. Mas Ayton considera que não. Segundo a médica, é possível que mais pessoas estejam a ficar doentes.

Há vários potenciais fatores a contribuírem para o problema. “As causas são complexas e muito mais investigações precisam de ser feitas à luz destas descobertas. Curiosamente, as razões podem incluir pressões crescentes sobre as crianças nas escolas e anúncios que incentivam ideias irrealistas da imagem corporal."

A hospitalização é "a ponta do iceberg", uma vez que, em qualquer idade, tende a pedir-se ajuda quando o caso já está num estado avançado, deixando de "ser seguro gerir o tratamento na comunidade."

Em Portugal, avançou a mesma notícia do "Público", a anorexia nervosa é a doença do foro alimentar mais frequente, representando 54% dos casos. Nos dados, atinge 87% de mulheres, com uma média de idade de 26 anos — apesar de aqui se registar o mesmo problema que no Reino Unido: os casos desenvolvem-se na adolescência e só em idade adulta é que se recorre ao tratamento hospitalar.

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