Falta de concentração, dificuldade de se lembrar de coisas simples, sentimentos de falta de energia e frustração é algo que afeta uma grande percentagem da população e que, ao contrário do que se pensa, pode ser modificado. Como? É isso que o neuropsicólogo Vasco Catarino Soares explica no mais recente livro "Exercícios para recarregar o cérebro".

Tal como o corpo, também a mente pode ser trabalhada e o facto de vivermos um dia a dia rotineiro e previsível faz com que estimulemos repetidamente os mesmos circuitos cerebrais.

Homens e mulheres usam o cérebro de forma diferente? Os sustos criam gagos?  Um neurologista e uma neuropsicóloga explicam
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"Uso muito a metáfora do exercício para as pessoas perceberem isto. Se eu, um cidadão comum, que não faz exercício, quiser ir fazer uma corrida, nas primeiras vezes vou sentir-me muito cansado e não vou conseguir fazer o mesmo que os outros que já estão treinados. O nosso corpo consegue, com o esforço do treino, melhorar a sua condição física e a sua performance e com o cérebro acontece o mesmo. Através de mecanismos diferentes, mas tem o mesmo efeito", explica o neuropsicólogo à MAGG.

Para explicar (e mostrar) às pessoas como é possível trabalhar o cérebro, Vasco Catarino Soares acaba de lançar um livro, "Exercícios para recarregar o cérebro", que inclui um programa de treino de 66 dias, com 264 desafios inteiramente delineados pelo autor, para desenvolver 12 competências do cérebro.

De acordo com o especialista, neste livro é possível encontrar estímulos com os quais não estamos habituados a lidar. "Às vezes até estamos em contacto, mas de uma maneira muito específica, por exemplo, através das nossas profissões. Normalmente, somos especializados na nossa área profissional e, por isso, estamos a exercitar essas partes do nosso cérebro, mas estamos a deixar de lado muitas outras como a flexibilidade mental, o raciocínio lógico, o raciocínio numérico, as competências verbais e espaciais, ou a criatividade."

Vasco Catarino Soares frisa que o livro foi escrito para todas as idades e que não serve para tratar demências, mas para ajudar a ultrapassar dificuldades que são possíveis de recuperar. "Não é uma coisa sobre a qual não haja nada a fazer. A verdade é que se pode fazer e estes exercícios servem mesmo para isso. As pessoas podem melhorar a sua qualidade de vida", diz, referindo que o feedback que tem tido em relação a este e outros livros é bastante positivo.

O objetivo do livro é que todos os dias as pessoas consigam exercitar um pouco o cérebro para:

  • melhorar a capacidade de memorizar e recordar;
  • conseguir concentrar-se melhor;
  • mudar de uma tarefa para outra com maior rapidez;
  • aumentar a capacidade de aprendizagem;
  • de modo geral, alcançar uma melhor gestão da sua vida quotidiana.

Segundo o neuropsicólogo, estes foram aspetos aos quais a população geral passou a dar mais importância em tempo de pandemia por terem começado a "olhar mais para si próprias, mais do que quando estavam na vida ativa".

Além de haver forma de colmatar estas dificuldades, há também maneiras para as prevenir — erros que cometemos no dia a dia que podem influenciar a falta de memória e desconcentração. Vasco Catarino Soares frisa que o stresse ou ansiedade, por exemplo, são dois fatores que em muito afetam a nossa performance de concentração e memória.

"Para nos conseguirmos lembrar das coisas, temos que estar atentos quando as estamos a receber. Se não conseguirmos fazer uma boa receção, quando precisamos de nos lembrar, já não temos lá a informação. Não é que seja um erro porque a verdade é que ninguém quer ficar em stresse, mas podemos fazer uma certa gestão disso, ou seja, tentar não nos colocarmos em situações propensas a stresse e se conseguirmos evitá-las, é isso que devemos fazer", remata o neuropsicólogo.

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