Dores de cabeça frequentes, cansaço extremo sem razão aparente, aumento de peso ou dificuldade em perdê-lo são alguns sintomas que muitas vezes desvalorizamos e podem estar relacionados com inflamação crónica. Mas, afinal, o que é isto da inflamação?

Teresa Branco, doutorada em Gestão de Peso, acaba de lançar um novo livro, "Anti Inflamação", que se debruça especificamente sobre este tema. À MAGG, a especialista explica que a inflamação é necessária e diz respeito a uma reação natural do nosso corpo às agressões diárias às quais estamos sujeitos. Contudo, há dois tipo de inflamação: a crónica e a aguda.

Obesidade e excesso de peso custam mais de mil milhões de euros anuais em Portugal
Obesidade e excesso de peso custam mais de mil milhões de euros anuais em Portugal
Ver artigo

"A inflamação aguda é aquela que é decorrente também de um agente externo, mas que pode ser uma bactéria, um vírus ou um traumatismo. Estes agentes inflamam uma parte do nosso corpo ou um órgão e há uma reação inflamatória para proteção em relação a esse agente", refere Teresa Branco, acrescentando que "esse estado de inflamação é para nos defender e para que possamos sobreviver". Mas, se assim é, onde está o problema?

O problema, como explica a especialista, ocorre quando estamos permanentemente sujeitos a agentes agressores como o ambiente, alimentação, depressão ou ansiedade, hábitos como o sedentarismo ou tabagismo, que provocam também a produção desses agentes inflamatórios, mas de uma forma recorrente e duradoura. "No fundo, acabam por ser produzidas cronicamente, mas num nível de intensidade baixa que provoca este estado inflamatório no organismo que se torna a porta de entrada para o desenvolvimento de várias doenças ou aumento de peso."

Esta é uma situação que afeta cada vez mais a população, em todas as faixas etárias, mas que se torna ainda mais frequente em idades mais avançadas. Isto porque, como explica a especialista, com o passar dos anos, o tempo em que estivemos em contacto com estes comportamentos que induzem a inflamação torna-se maior.

A alimentação e o seu papel crucial na redução da inflamação crónica

De acordo com Teresa Branco, os sintomas associados à inflamação crónica (como dores de cabeça frequentes, cansaço, aumento de peso ou dificuldade em perdê-lo) são sinais que grande parte da população sente, mas que, erradamente, acaba por desvalorizar, e que, muitas vezes, estão relacionados com uma má alimentação.

"[A alimentação] é um comportamento que temos todos os dias e várias vezes ao dia. Se ingerirmos sistematicamente alimentos que geram inflamação, obviamente isso faz que com a alimentação seja um dos grandes comportamentos que gera inflamação crónica."

Jejum intermitente. Não é uma dieta, não é adequado a todos e pode não fazer perder peso
Jejum intermitente. Não é uma dieta, não é adequado a todos e pode não fazer perder peso
Ver artigo

Certamente já sentiu que há alimentos que provocam uma maior sensação de inchaço sem razão aparente, ou fases da vida em que a ingestão de determinado alimento faz com que tenha uma reação que antes não sentiu. É normal? Não. Pode estar relacionado com inflamação crónica? Sim. "Existe uma especificidade em relação a cada organismo. Uma pessoa pode ter um grau de intolerância a determinado alimento e outra pessoa não ter ou pode até a pessoa numa fase da vida ser muito mais intolerante a um alimento do que noutra fase", diz.

É nestas alturas, quando o corpo nos dá alguns sinais, que, conforme alerta Teresa Branco, devemos procurar ajuda para que seja possível perceber — de acordo com os vários sintomas e avaliação dos parâmetros que estão, normalmente, aumentados — como combater a inflamação. O jejum intermitente, a dieta cetogénica ou a dieta fodmap podem ser algumas estratégias alimentares para reduzir o processo inflamatório, mas que não se adequam a todos.

"Nenhuma estratégia deve ser generalizada e para todos", alerta especialista

"Não considero que nenhuma estratégia seja generalizada para todos. Considero que há estratégias únicas para pessoas únicas e que um bom especialista terá de encontrar qual a dieta adequada ou se são várias ao mesmo tempo", alerta Teresa Branco. No caso do jejum intermitente, por exemplo, considera que este pode ser anti inflamatório em muitas circunstâncias e em algumas pessoas, mas nunca em todas.

No livro "Anti Inflamação", Teresa Branco foca-se em explicar e dar exemplos práticos de como a redução da inflamação pode fazer perder peso e ganhar saúde. Nas mais de 300 páginas, é ainda possível encontrar um exemplo de um menu anti inflamatório de seis semanas. Este é um menu que, segundo a especialista, pode ser usado por qualquer pessoa que queira melhorar a sua alimentação, mas em casos em que a pessoa já apresente inflamação crónica (e queira melhorar algum objetivo específico), é essencial que se consulte um especialista, uma vez que se podem privilegiar outras estratégias que não estão nesta escolha.

Apesar de assumir que este poderá apresentar alternativas não acessíveis a todos, Teresa Branco refere que todos os menus podem sempre ser ajustados. "Essa é uma das preocupações que obviamente terá de ser feita pelo especialista que tem a pessoa à frente. Por isso é que digo que tem de ser ajustado a cada um e de acordo com todos os fatores."

Consumo excessivo de açúcar continua a ser uma realidade em Portugal

A especialista revela que a maioria da população ainda comete dois grandes erros na alimentação: consome poucos vegetais e muitos açúcares.  "Muitas vezes, as pessoas acabam por ingerir açúcar sem saber que o estão a fazer. As farinhas processadas, por exemplo, que, à partida, são alimentos que não são doces, têm açúcares processados, e as pessoas comem demasiadas farinhas processadas presentes nos pães, massas ou arroz. Até mesmo as bolachas de água e sal, que não são doces, são formas de açúcar."

Shots matinais que ajudam o organismo a combater a inflamação
Shots matinais que ajudam o organismo a combater a inflamação
Ver artigo

Além disso, surge ainda o problema da ingestão excessiva de alimentos processados que são muitas vezes mais apelativos, acessíveis e menos dispendiosos. Em contrapartida, Teresa Branco realça a escassa ingestão de vegetais e peixe. Na opinião da especialista, as opções das pessoas estão muito relacionadas com a pouca relevância que dão à escolha dos alimentos e ao tempo que reservam para ir às compras, procurar o melhor, e confecionar de forma consciente. "[Os alimentos saudáveis] são alimentos que demoram mais tempo a confecionar e dão mais trabalho. As pessoas não querem e não dão a devida importância a essa parte da vida e acabam por gastar muito mais tempo em outro tipo de comportamentos."

A consciencialização para a necessidade destas mudanças é algo que, secundo a especialista, faz falta na sociedade. "Essa é grande questão. A maioria das pessoas come mal, não tem uma alimentação que nós consideramos anti inflamatória e saudável e isso obviamente é a porta de entrada para várias doenças", afirma, referindo que Portugal é um sítio "privilegiado" no sentido em que  apresenta opções alimentares muito boas, mas que as pessoas não aproveitam.

Apesar de considerar que, nos últimos anos, tem havido um esforço para disponibilizar mais informação sobre estes temas, realça que continua a haver ainda muito excesso de peso em Portugal e que "isso significa que a informação que estamos a dar não está a chegar às pessoas ou as pessoas não a estão a absorver da melhor forma".

Com este novo livro, Teresa Branco pretende responder a algumas dúvidas que, durante palestras e workshops realizadas pelo Instituto Teresa Branco, percebeu que eram recorrentes.

Subscreva a newsletter da MAGG.
Subscrever

As coisas MAGGníficas da vida!

Siga a MAGG nas redes sociais.

Não é o MAGG, é a MAGG.

Siga a MAGG nas redes sociais.

Fale connosco

Se encontrou algum erro ou incorreção no artigo, alerte-nos. Muito obrigado.