Há uma razão para, em 2018, a Royal Geographical Society ter declarado as abelhas como a espécie mais valiosa do planeta Terra. Além de desempenharem um papel fundamental na biodiversidade, 70 em cada 100 produtos consumidos pelo ser humano dependem da intervenção das abelhas. Nas palavras do ativista ambiental David Suzuki, "Um mundo sem abelhas seria um mundo sem pessoas".

Elas são essenciais para a existência de vida humana, mas são também uma das espécies mais ameaçadas da atualidade. As abelhas estão a desaparecer a um ritmo alucinante, em particular devido às ondas emitidas pelos smartphones, às alterações climáticas e à utilização massiva de pesticidas.

Mas não só: segundo avança o jornal britânico "The Guardian" a 8 de janeiro, a nossa obsessão com o leite de amêndoa também está a levar à morte de milhares de milhões de abelhas.

O leite de amêndoa (o termo mais correto é bebida à base de amêndoa) é supostamente uma alternativa vegan ao leite de vaca, além de ser, dizem alguns, mais saudável — na realidade não existe evidência científica que garanta que isso é verdade. Tirando este mito, ficamos com a convicção de que o leite de amêndoa não obriga à exploração de nenhum animal. Mais uma mentira: as amendoeiras dependem das polinização das abelhas.

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E a gravidade da situação neste momento vai muito além de obrigar as abelhas a trabalharem para a produção de um alimento para o Homem. Os apicultores já não conseguem viver apenas do mel, por isso optam cada vez mais por enviar as suas colmeias para a Califórnia no inverno.

É lá que prosperam as mega-plantações de amêndoa, responsáveis pela produção de 80& da amêndoa em todo o mundo. O consumo do leite de amêndoa não para de aumentar, o que faz com que este seja um mercado em expansão: dos 4,7 mil milhões de euros que lucrou em 2018 em todo o mundo, espera-se que entre 2019 e 2025 cresça 14,3%. Analisando esta realidade por outros números, as vendas de leite de amêndoa nos EUA cresceram qualquer coisa como 250% nos últimos cinco anos.

"É como mandar as abelhas para a guerra"

À partida, poderia parecer um negócio lucrativo: crescem as plantações de amendoeiras, aumenta a necessidade de polinização, os apicultores têm mais uma fonte de lucro. O problema é que as colmeias estão a regressas destruídas desse trabalho. "É como mandar as abelhas para a guerra", explicou Nate Donley, cientista do Centro de Diversidade Biológica, nos EUA. "Muitas não voltam."

No inverno de 2018-2018, 50 mil milhões de abelhas foram exterminadas em poucos meses. Os apicultores atribuem a alta taxa de mortalidade à exposição a pesticidas, doenças causadas por parasitas e perda de habitat. Já os ambientalistas acreditam que o verdadeiro culpado é o processo de produção da amêndoa, altamente mecanizado. Quando isto colide com um dos processos naturais mais delicados da natureza, a polinização, está montada a receita para o desastre.

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Como todas as espécies, as abelhas prosperam numa paisagem de biodiversidade. Mas a indústria da amêndoa na Califórnia coloca-as num regime de monocultura, onde os produtores esperam que as abelhas sejam previsivelmente produtivas ano após ano. É simplesmente impossível.

Além disso, a enorme proliferação comercial das abelhas europeias usadas nas plantações de amêndoas está a minar o ecossistema de todas as abelhas.
Como? Os ambientalistas defendem que as abelhas superam as diversas espécies nativas de abelhas por forragem, além de colocarem em perigo as espécies ameaçadas que já estão a lutar para sobreviver às mudanças climáticas.

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