Quando começou a comprar roupa em segunda mão, não o fez em prol do ambiente. "Fazia isso porque me identificava com as peças e porque eram mais baratas", admite. Com o tempo, Rita Gomes percebeu que este hábito não tinha só vantagens para o seu guarda-roupa ou para a sua carteira — também o planeta podia ganhar com isso.

É que são precisos mais de 2.600 litros de água para fazer uma T-shirt e uma peça de roupa pode levar 40 anos a decompor-se. Estes são números que Rita sabe de cor e que serviram de mote para que criasse a Circular Wear, um projeto que incentiva as pessoas a trocar roupa, em vez de comprar.

Começou timidamente, em maio do ano passado, com um ponto de troca montado no Impact Hub, em Alcântara. Agora, são já 17 os pontos onde as pessoas podem deixar roupa que já não querem e trocar por peças também elas em segunda mão.

São 14 pontos em Lisboa, dois no Porto e um em Torres Vedras, mas a ideia é sempre de crescimento. "Num mundo ideal, gostava que existisse uma comunidade mundial para que qualquer pessoa, pudesse manter esta prática sustentável em qualquer lugar do mundo", explica Rita à MAGG. Para já, publica no site os locais que cria em Portugal, mas também aqueles que um projeto brasileiro semelhante — o Armário Coletivo — faz no Brasil.

Crónica. A roupa em segunda mão não é só fixe, é uma chapada na cara da Zara
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Rita começou a marinar esta ideia quando fez uma pausa na psicologia clínica que exercia em Portugal, para se lançar num ano sabático de viagens e experiências. Começou por Londres e passou pela Tailândia e Barcelona. De lá voltou para o Alentejo para criar o Offline Portugal, uma guesthouse que propunha aos clientes um detox digital durante as férias. A casa já não existe — mas o projeto sim e pode segui-lo aqui — e Rita queria fazer algo com as experiências de troca de roupa que conheceu lá fora.

Ao perceber que já havia quem o fizesse em Portugal, colaborou com esses projetos para aprender ainda mais sobre a dinâmica e decidiu criar então a Circular Wear, para que esses pontos de troca não fossem apenas pontuais, mas sim permanentes.

Circular Wear
Rita Gomes é a fundadora da Circular Wear, que espera que chegue a cada vez mais pontos do Pais. créditos: nimagens

Em Lisboa, é no Mercado de Arroios, na Universidade Nova, na loja Moraria Composta ou no Camones Bar que pode encontrar estes cabides com roupa em segunda mão. Mas mais sítios vão surgir. Para isso os locais interessados só têm que contactar Rita, que se encarrega de ajudar a organizar o espaço com um charriot, cabides e placas a indicar que ali está um Swap Spot. Depois, cada espaço espalha a mensagem pela sua comunidade para que as pessoas tragam roupa, dando assim arranque a mais um ponto de moda sustentável.

Rita e a sua equipa — entretanto tem a ajudá-la Soledade Ferreira e Nicole Sanchez, em Lisboa, e Berta Valente no Porto — encarregam-se ainda de dinamizar os espaços quando as trocas não acontecerem. "Aí levamos roupa que nos entregam para trocas ou simplesmente levamos a roupa de uns spots para outros. O importante é pôr a roupa a circular", explica.

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