Numa altura em que o iPhone X continua a bater recordes de vendas, dois jornalistas da MAGG enfrentam-se numa troca de argumentos para tentar decidir qual a melhor opção atualmente: se o iPhone ou os telemóveis Android. Fábio Martins pertence ao primeiro grupo. Marta Miranda ao segundo. E ambos explicam porquê.

No final fica a certeza: não há consenso possível.

Porque é que o Android é o melhor do mundo

— Fábio, tens de me dar aqui uma ajuda. Estou sempre a receber mensagens porque tenho a iCloud cheia. Já te aconteceu?
— Já.
— E como é que resolveste o assunto?
— Pago 2,99€ por mês.
— Mas eu não quero pagar.
— Tens de apagar coisas do telemóvel então.
— Mas eu não tenho praticamente nada...

Este diálogo aconteceu esta manhã na redação da MAGG. Como uma espécie de trigger, comecei a tremer do olho esquerdo, a ter dificuldade em respirar e a sentir o coração a bater descompassado. De repente, fui transportada a toda a velocidade para os "velhos tempos" — aqueles em que desesperava a apagar apps e fotos e que, mesmo assim, a Apple me perseguia com mensagens sobre o estado lastimável da minha iCloud.

A Marta Cerqueira ainda não sabe (o Fábio Martins está em negação), mas existe um mundo maravilhoso fora da maldita Apple e do seu doentio iOS. Só têm de ter coragem de pôr fim a uma relação tóxica e abraçar um smartphone que só vos faça bem.

Comprei o meu primeiro iPhone 5 no final de 2013 e foi amor à primeira vista. Um mundo novo abriu-se perante os meus olhos, cheio de aplicações por explorar, um sistema rápido e intuitivo e uma câmara fotográfica que, naquela época, parecia imbatível. Pronto, era um pouco estranha aquela parte de gerir as músicas do telefone com o sistema mais complicado do mundo (como assim não é só arrastar?) mas, a par disso, era tudo espetacular e incrível.

Não era. Só que naquele momento, e sem ter ainda capacidade de entender isso, senti que fazia parte de um grupo — exclusivo, claro. Não se tratava de ser o mais giro, o mais rápido, com mais armazenamento ou bateria (sabia lá eu como eram os outros), mas sim de me sentir especial. Tão especial como se fizesse parte da maçonaria ou de um qualquer grupo privado para ricos.

Imagine o início de uma relação. Depois da fase onde tudo são rosas, arco-íris e unicórnios, começam os problemas. Assim foi: um ano depois, o telemóvel começou a tornar-se mais lento. A bateria durava cada vez menos, a memória estava sempre cheia. Está na altura de trocar por outro, pensei. Não o pude fazer logo, mas no ano a seguir estava na loja. No final de 2015, tinha um iPhone 6 nas mãos.

Demorei exatamente dois meses a ficar estupidamente desiludida. Todos os problemas que tinha enfrentado anteriormente estavam de volta. Pior, pareciam ter surgido ainda mais rápido do que no telemóvel anterior. Estava sempre sem bateria, a qualidade da câmara não era assim tão diferente da anterior e num instante ficou sem espaço. Como é que era possível?

Estava numa relação que já não tinha ponta por onde se pegasse. Mas continuei. Pior, defendi-o perante os meus amigos e conhecidos com unhas e dentes. O meu argumento? "Pois, mas eu já estou habituada". Incrível, não é verdade? Tinha tanto medo de mudar que estava presa a um relacionamento que só me fazia sofrer.

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Eu sabia que as coisas estavam mal. Que não devia continuar a usar um produto que só me trazia problemas e que não acrescentava nada à minha vida. Só que não conseguia libertar-me. Tal como uma relação que começa a deteriorar-se e se torna tóxica, estávamos sempre a discutir. Ele magoava-me quando me deixava sem bateria às 17 horas, rebaixava-me com todas as mensagens e avisos da iCloud cheia, ria-se na minha cara quando me dizia que não podia tirar mais fotografias porque tinha a memória cheia. Mas eu continuava. Perdoava. Acreditava que ele ia mudar.

Sabem que mais? Não mudou. E tal como uma boa relação tóxica, foi preciso dar um corte abrupto e partir para outra. Pois bem, foi o que eu fiz: sem tempo para lutos (neste caso não se justificava), saltei para um Huawei P20 Pro e descobri o maravilhoso mundo novo da felicidade.

Nunca mais na vida vou comprar um iPhone. Sei que pareço um pouco dura nas minhas palavras, mas perdi completamente a confiança na Apple e nas suas alegadas "inovações". São 15h37 e tenho 86% de bateria. Sabem quando é que isto aconteceu com um iPhone? Nunca. Tenho 16,24 gigas em aplicações, 7,55 em imagens e 8,34 em Firmware. Acham que eu sei o que é o Firmware? Não faço ideia. Acham que estou preocupada com os 8,34 gigas que me está a roubar? Nem por isso. Tenho 91,54 para gastar.

Ter um iPhone é uma questão de status. De sentimento de pertença a um grupo. De desespero e vontade de acreditar que um dia as coisas vão voltar a ser como eram. Houve uma altura em que a Apple era incrível e tinha o melhor smartphone do mundo. É verdade. Hoje em dia já não é assim. Pelo mesmo preço, ou até muito menos, há equipamentos melhores, com mais espaço e, acima de tudo, menos chatices. A melhor parte? Nem precisa de ir para o Tinder à procura de um novo amor — basta ir à loja mais próxima.

Porque é que o iPhone é o melhor do mundo

O meu percurso foi muito diferente do da Marta Miranda. Passei grande parte da minha vida a usar telemóveis Android, alguns de gama alta, até que chegou o dia de dizer "basta". E nem vou pelo argumento mais fácil — o da lentidão —, porque qualquer telemóvel vai ficando cada vez mais lento com o passar dos anos.

É um simples reflexo dos avanços tecnológicos: as aplicações vão-se tornando mais exigentes e é perfeitamente normal que equipamentos com quatro ou cinco anos não sejam capazes de aguentar tão bem o esforço como um equipamento acabado de sair no mercado. É o mesmo que tentar fazer uma viagem de Lisboa a Aveiro num Renault 5 e esperar que ele aguente como um Seat Ibiza recente. Não vamos ser irrealistas, ok?

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Não, o que me cansou mesmo foi a falta de atualizações e as inconsistências do sistema operativo. É que isto de o Android, da Google, estar disponível em grande parte dos telemóveis existentes no mercado é muito bonito e tal, mas as desvantagens são várias.

Por estar instalado em vários smartphones de todas as gamas, é quase impossível que esteja verdadeiramente otimizado para oferecer uma melhor experiência de utilização — e isso nota-se em qualquer equipamento de gama baixa que poderia ser fluído e estável mas não o é. Já que é fisicamente impossível que a Google consiga fazer esse trabalho de otimização para todas as marcas que queiram utilizar o seu sistema operativo.

Se a ideia for investir num telemóvel Android de gama alta, é óbvio que não vai ter estes problemas. Mas a probabilidade de deixar de receber atualizações das novas versões do sistema passados apenas um ou dois anos é muito alta. Enquanto isso, o iPhone 5s — que foi lançado em 2013 — continua a ter acesso às novas funcionalidades da Apple e é perfeitamente utilizável em 2018. Muito porque a empresa desenvolve e programa o seu sistema operativo para funcionar apenas em equipamentos iOS, o que garante um maior controlo de qualidade.

Mas a beleza da Apple e do seu iPhone está na palavra ecossistema e, perdoem-me o cliché, na forma como tudo funciona sem grandes complicações — principalmente se tiver mais do que um equipamento da marca. E eu tenho vários além do iPhone: um iPad, um MacBook Pro e um Apple Watch e a maneira como todos eles comunicam entre si é fantástica.

Poder estar na sala a responder a mensagens rápidas pelo relógio (ou pelo tablet) quando o iPhone ficou esquecido algures noutra divisão da casa, ou começar um email no computador e terminá-lo no telemóvel são só alguns dos exemplos possíveis. É um investimento, sim, e nunca ninguém disse que os equipamentos Apple eram baratos.

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Em tempos o iPhone era um objeto de status mas será que faz assim tanto sentido continuar a falar disso quando todos os outros fabricantes de telemóveis parecem querer competir para ver quem vende um equipamento ao preço mais absurdo? O novo Samsung Galaxy Note 9 custa 1.279,00€, por exemplo, apenas 80€ mais barato que o iPhone X.

Não sou fã cego da Apple e não acredito em lealdade a uma marca. A tecnologia deve servir-nos seja ela qual for mas, por enquanto, não há nada mais simples do que um iPhone. Exemplo disso foi o momento em que eu e a Marta nos juntámos para tirar a fotografia que iria ilustrar este artigo e que nos obrigava a configurar os equipamentos para não bloquearem automaticamente.

No iPhone demorou apenas uns segundos mas no Huwaei da Marta já houve mais pesquisa envolvida. É que o Android é confuso e há demasiados menus e submenus que temos de enfrentar para conseguir aceder a uma tarefa básica como controlar o bloqueio automático do ecrã.

E não deixa de ser curioso que todas as novas tendências sejam começadas pela Apple. O desbloqueamento por impressão digital começou a ganhar maior notoriedade com o iPhone 5s, quando antes disso não existia em nenhum fabricante. E o mais recente são os ecrãs com uma moldura parcial na parte superior (como o do iPhone X).

Foi talvez uma das decisões estéticas mais criticadas da Apple mas basta uma breve pesquisa pelas várias lojas portuguesas para perceber como até esse detalhe foi adaptado por outros fabricantes, como a Huawei. No fundo, a Apple é muito isto: a empresa que todos amam criticar e que odeiam (ter de) copiar.

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