Está a ser testada uma nova versão do Instagram que, ao contrário do que acontece atualmente, vai trazer mudanças significativas na forma como os utilizadores interagem com as publicações na rede social. É que o número de likes vai desaparecer das publicações, para que os produtores de conteúdo se possam focar não na quantidade, mas na qualidade do trabalho que publicam diariamente.

E sabe-se agora que uma das inspirações para esta decisão terá sido um dos episódios de "Black Mirror", a série distópica da Netflix que mostra de que forma o mau uso da tecnologia pode ter impacto real no mundo e nas relações que estabelecemos entre nós.

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A revelação foi feita por Adam Mosseri, CEO da plataforma, esta sexta-feira, 17 de janeiro, numa entrevista exclusiva ao jornal "The New York Times". Embora o empresário não tenha especificado a que episódio se refere, a descrição que faz aproxima-se daquele que foi o primeiro episódio da terceira temporada da série.

Chama-se "Nosedive" e passa-se num futuro não tão distante assim em que as pessoas se avaliam mutuamente numa escala de uma a cinco estrelas. Por sua vez, este sistema de avaliação têm consequências efetivas na forma como estas pessoas são aceites na sociedade já que, aquelas que forem avaliadas com pontuação negativa, perdem o acesso a serviços básicos.

Desde que o episódio se estreou na Netflix, em meados de 2016, é considerado um dos mais fortes da série e que também serve como um comentário forte e duro acerca da influência das redes sociais na vida das pessoas.

A decisão de mudar a forma como o Instagram funciona e como os utilizadores interagem com a plataforma, diz o CEO, teve que ver com a sua experiência anterior enquanto funcionário do Facebook que detém a rede social de partilha de imagem e vídeo e que ultimamente tem estado debaixo de fogo devido às falhas de segurança e à propagação de notícias falsas em toda a rede.

"Deveríamos ter começado a pensar de forma mais proativa na maneira como as ferramentas e a forma de utilização do Instagram e o Facebook poderiam ser abusadas para mitigar quaisquer riscos. Neste momento, estamos a correr atrás dos problemas e a tentar resolvê-los à medida que eles vão acontecendo", explica.

E a abordagem parece ser a de zelar pela saúde mental de todos os utilizadores. É que embora quem publica um determinado conteúdo tenha acesso ao número de likes que uma determinada partilha recebeu, os restantes utilizadores da rede social não sabem o número total de interações e isso, espera-se, gerará menos pressão social.

Foi a partir dessa premissa que o Instagram começou, em meados de julho, a esconder os likes das publicações em países como Austrália, Brasil, Canadá, Irlanda, Itália, Japão e Nova Zelândia. Em novembro, a nova diretriz da rede social foi alargada a alguns utilizadores dos Estados Unidos e espera-se que, uma vez testada a 100%, seja implementada em todos os mercados em que a rede social está disponível.

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E embora o CEO Adam Mosseri explique que não "quer chatear ninguém" no processo, diz preferir estragar o negócio se isso significar melhorar o bem-estar e a saúde mental dos seus utilizadores.

"Não quero chatear ninguém ao longo do processo de mudança. Mas vamos tomar decisões que podem ter impacto no nosso negócio se isso significar que estamos a olhar pela saúde e pelo bem-estar emocional dos nossos utilizadores", conclui.

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