O "Dia da Cristina" transitou para a noite, com um programa especial de Natal, transmitido em direito no sábado, 19 de dezembro. A narrativa era esta: Maria, interpretada por Maria Cerqueira Gomes, está muito grávida e prestes a dar à luz antecipadamente, uma vez que toda a gente sabe que a Jesus nasceu a 25 de dezembro. Mas o principal momento para a reunião era outro: o babyshower da criança, organizado por Cristina Ferreira, que aqui assume o papel de organizadora de eventos.

Assim, foram invadindo o estúdio — muito mascarado de Belém, com estábulo, palha, ovelhas e tudo mais —  todos os protagonistas da TVI (e outros, mas já lá vamos) que, sem guião, fizeram duas horas do programa mais aleatório de sempre.

Sim, é essa a palavra que melhor o descreve: aleatório. Desde a entrada da vaca, ao bailarino que dança porque-sim, ao panda ou às bolas de Francisco Menezes, reunimos os 10 momentos mais "o que é que foi isto?" de a "Noite de Cristina".

1. A vaca Leonor

OK, comecemos com o momento mais desconcertante — tão desconcertante, que já está a rodar as redes sociais. A certo momento, logo no início, entra uma vaca enorme no estúdio — como se as ovelhas, coitadas, não fossem suficientemente exóticas para o show. "Quem é que se lembrou de trazer vaca?", pergunta a Cristina. É uma excelente questão, mas temos em crer que foi ela que teve a ideia.

Com mil sinos agarrados ao seu pescoço, com dois grandes chifres, o mamífero de porte enorme entrou agitado, deu três voltas, assustou toda a gente, incluindo uma criança que estava em estúdio. Fiquei com pena do animal, chamem a Sociedade Protetora dos Animais. Fiquei com receio pela criança, chamem a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens.

2. As bolas do Anjo

aldo lima

Irrompe, a certa altura, um Anjo em estúdio, com uma máscara de protecção que apenas lhe tapa a boca e que a certo momento é descartada, porque não interessa para nada — provavelmente, esqueceu-se de a tirar antes de entrar.  Interpretado por Francisco Menezes — e com um alegado nome em latim tão difícil de pronunciar que mais vele nem mencionar — fez questão de, múltiplas vezes, mostrar as bolas de Natal que trouxe penduradas na zona das virilhas. Depois, interpreta, em cima de um tronco, o tema "Last Christmas", porque, afinal, encerra em si um talento especial para a música. Cristina Ferreira acompanha-o, tem a letra na ponta da língua e, nesse momento, conseguimos ter um vislumbre da Diretora de Ficção e Entretenimento da TVI ensaiar em casa, frente ao espelho. Fez um bom trabalho.

3. O homem que entra aleatoriamente e dança

Não há muito mais que se possa dizer. É que é isto mesmo: um homem que, dezenas de vezes, entra aleatoriamente no estúdio para, durante cinco segundos, aplicar sempre o mesmo passo de dança, ao som de um qualquer reggaeton (será reggaeton?), em que se ouve a palavra "Jerusalema". E, sempre, mas sempre, Cristina tenta acompanhá-lo, resistindo sem medos aos problemas de mobilidade que lhe são causados pelo seu vestido longo, justo e saltos altos. Ao longo desta noite especial (ou aleatória?), a coisa vai escalando. Já todos tentam: um homem da produção, os três Reis Magos, a Pipoca Mais Doce. Enfim, dez segundos sempre a bombar.

Mais tarde, vem-se a perceber que a coreografia é uma versão ligeiramente mais avançada do clássico esquema que se dançava nas Docas, no início do milénio. E que o trigger para o súbito aparecimento deste senhor é a palavra "Jerusalém".

4. Rita Pereira, sempre tão extra

rita pereira

É comum falar-se no tom de voz de Cristina Ferreira, mas, não se enganem, Rita Pereira dá-lhe mil a zero na escala de intensidade. Extra, sempre super extra. Tão extra que, juro, não consigo perceber uma palavra do que diz. Enfim, entra, solta uns gritos, despe a gabardine e mostra o seu conjunto negro repleto de transparências — fica-lhe muito bem, atenção.  Depois, faz aquilo que ela mais gosta: dançar intensamente, sempre tão intensamente. Ao contrário dos outros bailarinos, de cara fechadíssima, ela não consegue esconder a sua felicidade. Ela está tão contente. Fico feliz por ela. E, pronto, é isto: 20 segundos intensos de Rita Pereira. Vai embora e nunca mais volta.

5. E o José?

Estamos a meio do programa e é nesta fase que a comichão latente começa a tornar-se mais evidente. A narrativa do programa inclui o cliché: "Será que o José, pai da criança, vem ou foi comprar tabaco para nunca mais voltar?". Alimentando, portanto, esta narrativa de uma mulher coitadinha, tão prenha, e de um homem, filho da mãe, que a deixa de mãos a abanar, para ir para a má vida. Giro.

6. Romana, "Aleluia"

Diz Cristina que Romana andava desaparecida, mas reapareceu para marcar presença na "Noite de Cristina". Milagre, "Aleluia". Também ela celebrou o seu reaparecimento, mudando o registo musical e interpretando a canção de Leonard Cohen, "Hallelujah".

7. O Panda

Mais uma entrada aleatória: um Panda gigante entrar no estúdio e desaparece em cinco segundos, literalmente. Porquê? Ninguém sabe. Nem a própria Cristina, diz ela.

8. A influencer

Fanny, na pele de influencer, invade o estúdio e, com uma conta de Instagram criada em nome de Jesus, tem um objetivo: chegar aos 50 mil seguidores. A sério: adorava ter estado na reunião de brainstorming para este programa.

9. Rúben Rua, Avé Maria

ruben rua

Mas o Rúben Rua também canta? Sabe a letra do "Avé Maria"? E tem uma banda? Cristina está em choque e eu também. Ai, calma: que o homem também fala italiano. Quem-é-Rúben-Rua?! Ok, é playback e os outros são só João Montez, do Querido Mudei a Casa, o Rúben Vieira, do Somos Portugal, e Santiago Lagoá, tiveram de me informar. Adiante. Todas estas questões sobre a potencial veia mais erudita de Rua são automaticamente interrompidas quando entra o homem que dança aleatoriamente. É que aí vemo-lo de regresso à sua versão original: soltando o seu verdadeiro eu, dando tudo, tudinho, naquele reggaeton doido.

10. José, finalmente

Ai, afinal não. É só um amigo, interpretado por Manuel Melo, informando que José testou positivo e que está em quarentena em Jerusalém. E o que é significa a palavra Jerusalém? Mais uma voltinha com o homem que dança.

E, pronto, é isto. O programa acabou. O menino não nasceu, José não foi comprar tabaco e os outros desapareceram. Aleatoriamente, como em tudo neste programa.

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