João, Rosa e Wesley. Pai, mulher e filho, respetivamente, são eles os donos do restaurante Caipirinha, na Figueira da Foz. O nome remete-nos de imediato para o melhor da gastronomia brasileira, mas lá dentro está a confusão montada. O chef contou 71 pratos, João garantiu à MAGG que eram apenas 32, nós dizemos que são demais. Pizzas, francesinhas, pratos brasileiros, frango no churrasco, hambúrgueres, comida tipicamente portuguesa — e só estamos a enumerar as especialidades.

Este domingo, 19 de janeiro, Ljubomir Stanisic regressa ao horário nobre com "Pesadelo na Cozinha" para nos mostrar como ainda há tantos restaurantes em Portugal a precisar de ajuda. A esta família brasileira não faltam mesas e cadeiras, o problema são os clientes que, fora da época alta, insistem em não entrar. De quem é a culpa? Stanisic garante que não faltam restaurantes cheios na região. Então o que é que está mal?

"Pesadelo na Cozinha". Tudo o que se diz na internet sobre o Caipirinha
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Foi isso que o chef foi tentar perceber e, bem, não demorou muito a chegar a uma conclusão. Assim que chega fica perdido no meio de tantos pratos e sugestões, e nem mesmo a empregada de mesa, Chris, a consegue ajudar. "É tudo bom", repete sem parar, que é o mesmo que dizer que não faz a menor ideia do que sugerir. Lá vão chegando os bifes, francesinhas, hambúrgueres e camarões com alho, mas o aspeto não deixa margem para dúvidas — os molhos são todos iguais, e parecem todos vindos do mesmo pacote.

Lágrimas, gritos, um dono do restaurante que não parece disposto a ouvir nada do que Ljubomir Stanisic tem para lhe dizer e um pizzaiolo que percebe pouco de pizzas. Passamos em revista o episódio desta semana.

O pior do restaurante

Antes da intervenção do programa, o espaço fazia lembrar uma casa tradicional portuguesa nos anos 50, preparada a preceito para receber uma festa infantil. O chef disse que há muito tempo que não visitava um restaurante tão feio, e nós estamos de acordo: dos azulejos às toalhas de mesa com triângulos de todas as cores, a decoração era assustadora.

A comida não ficava atrás. Mais uma vez temos um restaurante que faz tudo com base no pacote, e o aspeto é aterrador. Por favor, menos químicos, conservantes e processados. Aterrador também foi ver a francesinha a ir ao microondas, o bacalhau a escorrer óleo e um camarão com mais alho do que camarão.

"Não coloquei os óculos para ler direito e quando acabei de assinar estava lá 'Pesadelo na Cozinha' e eu: 'Ai'"
"Não coloquei os óculos para ler direito e quando acabei de assinar estava lá 'Pesadelo na Cozinha' e eu: 'Ai'"
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O melhor do restaurante

O chef elegeu o quimdim como o melhor do restaurante. "Por mim podem fechar o restaurante e dedicarem-se ao quindim", diz. Como nós não tivemos oportunidade de o provar, temos que escolher a equipa de João.

Wesley precisa de ter mais força de vontade para aprender, mas vê-se perfeitamente que só quer o melhor para a família. Rosa tira-nos as palavras com o seu esforço e dedicação, particularmente difíceis quando tem problemas de saúde. E até Chris, o único membro do staff que não faz parte da família, não se cansa de expressar que só quer o melhor para os patrões e para o restaurante.

É difícil encontrar equipas que tenham vontade de levar o negócio para a frente com tanta vontade como o chefe. Neste caso, João não tem nada que se queixar.

O momento mais intenso

Pela primeira vez na cozinha com os proprietários, Ljubomir Stanisic está a falar com a mulher, Rosa, para perceber se ela comeria alguns dos pratos que estão a servir aos clientes. A resposta é não. Enquanto ironiza sobre a possibilidade de terem no restaurantes pratos de que gostassem, Rosa afasta-se e encosta-se ao balcão. "Estou tonta", diz. Caminha um pouco, deita-se sobre o balcão, logo a seguir faltam-lhe as forças nas pernas. João corre para a ajudar.

Foi o momento mais intenso do programa, e quem sabe até de toda a terceira temporada. Rosa sentiu-se mal e teve que abandonar o restaurante nesse dia, tudo fruto do nervosismo. Mais tarde, a mulher explicou que se esqueceu de tomar um comprimido para a tensão, o que também não ajudou. Foi assustador.

De quem gostámos mais

'Pesadelo na Cozinha'. Tudo o que aconteceu no restaurante Caipirinha

Mas alguém tem dúvidas? A Rosa é um amor. Quando o chef se chateia porque João não lhe presta atenção, e sai abruptamente o restaurante, a mulher começa a chorar. "Só queria que tu aprendesses, João", diz em lágrimas ao marido. Foi de partir o coração, mas disse tudo sobre esta mulher: ela só quer o melhor para a família.

A forma como ela é incansável em agradecer ao chef por estar ali também demonstra como é humilde. Enquanto o marido parece não prestar atenção a nada do que Ljubomir diz, a mulher está sempre atenta, agradece cada comentário e não se cansa de apelar que só quer que o chef ensine o marido e o filho.

De quem gostámos menos

João foi a pessoa que possivelmente menos simpatia gerou neste episódio. Parece absorto no seu trabalho, que acha ter muito poucas ou quase nenhumas falhas, e está pouco disposto a ouvir o que têm para lhe dizer. Quando leva nas orelhas, só sabe dizer "Está bem, está bem" — que, como o próprio chef diz, em bom português é o mesmo que estar a reencaminhá-lo para um determinado sítio.

Prato da polémica

'Pesadelo na Cozinha'. Tudo o que aconteceu no restaurante Caipirinha

As pizzas de que Wesley se orgulhava tanto não tinham mau aspeto, mas natas na massa? Até quem não percebe nada de pizzas sabe que é tão boa ideia como sushi com maionese ou um robalo grelhado servido com arroz de feijão.

Os momentos WTF

"Há mais de 50 anos que não como peixe", diz João num tom que parece transparecer orgulho. Tivemos que parar a box com o comando e andar uns segundos para trás. Ele teria dito mesmo isso? Disse. Aliás, não só disse como repetiu, repetiu e repetiu outra vez. Ponto um: não é motivo de orgulho. Ponto dois: não abona a favor de nenhum chef. Ponto três: a sério?

Igualmente WTF foi ver o alarme do restaurante disparar devido ao fumo que o forno a lenha das pizzas deitava, tudo porque ainda ninguém teve tempo de ir desentupir a chaminé. Se a especialidade são as pizzas, se calhar não era má ideia priorizar este problema. E o que dizer do momento em que o chef mete a mão dentro do óleo cheio de batatas e não se queima, porque em vez de estar a ferver estava frio? Melhor só mesmo ver Ljubomir a mastigar sem parar uma lula, para logo de seguida cuspi-la e mostrar que estava praticamente intacta.

Frases engraçadas

"Em bom português, como é que se chama um prato que é camarão cheio de alho? É um cabrão do caralho" (Ljubomir Stanisic)

"Uma lula com muito alho também é uma lula do caralho" (Ljubomir Stanisic)

"Quem nunca provou o cu não sabe o que é bom" (Ljubomir Stanisic)

"Eu já lhe disse: 'João, nem que eu te dou na tua careca, mas você tem de melhorar mesmo'" (Rosa)

"João, tu imaginas aqui uma bunda brasileira. Tu queres enfiar. Não metes lá dentro e dizes: 'Não sei se meti ou não meti'" (Ljubomir Stanisic)

"Quando começou a pedir frango, frango, frango, a minha mente já se perdeu um bocado" (João)

"Tu também gostas apertado, não gostas?" (Ljubomir Stanisic)

Quem disse mais asneiras?

Ljubomir Stanisic disse 26, Wesley apenas um — e porque foi incentivado pelo chef a dizê-lo.

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