A telenovela da TVI "Para Sempre", que começou em novembro de 2021, está a ser acusada de afetar o "bom nome e reputação" de Castro Laboreiro, no concelho de Melgaço, região do Minho. A produção da TVI escolheu a aldeia minhota para gravar algumas das cenas da novela protagonizada por Inês Castel-Branco e Diogo Morgado, mas no episódio 115 transmitido a 20 de abril, o discurso não agradou a população local.

"A cena em causa, interpretada por diversas personagens, decorre de um diálogo que ocorre numa mercearia fictícia localizada na vila do Soajo, onde os habitantes de Castro Laboreiro são acusados do furto de uma viatura e onde, para além do mais, são apelidados de ladrões, bandalhos, manhosos, entre outros epítetos, e onde é feita a insinuação de que a raça do cão de Castro Laboreiro resulta de uma apropriação ilegítima dos cães Sabujos da Serra do Soajo", começa por dizer a moção de repúdio, proposta pelo PS e aprovada por unanimidade este sábado, 30 de abril, tornada pública esta segunda-feira, 2 de maio, no Facebook.

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Apesar de reconhecer que se trata de uma "obra de ficção", o município refere que "o contexto, o tom e o conteúdo dos referidos diálogos, para além de relevarem um profundo desconhecimento e ignorância da cultura de Castro Laboreiro, atentam contra os mais básicos princípios de ética e de respeito por uma comunidade com uma história e tradição ímpares da nossa cultura e território".

Sobre a população, alvo de nomes como "manhosos" no episódio 115, o município de Melgaço sai em defesa: "É justamente conhecida pela sua integridade, caráter, honradez e espírito de sacrifício e colaboração". Já sobre o cão de Castro Laboreiro, esclarece que "é uma das raças caninas mais antigas da Península Ibérica, sendo uma das onze raças com estadão reconhecidas em Portugal. Trata-se de um cão de guarda tipo mastim, enquanto o Sabujo é um cão de caça, de faro por excelência, usado em matilha ou à trela para farejar rastos de odor ou sangue de caça grossa", continua.

Para o município de Melgaço, "os diálogos transmitidos" "constituem uma ofensa grave à tradição e cultura de Castro Laboreiro, afetando o bom nome e reputação das suas gentes" e "o contexto, tom e conteúdo da cena televisa em causa provocaram uma indignação generalizada da população de Castro Laboreiro, que compreensivelmente se sentiu insultada e ultrajada", adianta.

Face ao sucedido, o município propõe a aprovação da moção de repúdio "na parte em que são feitas alusões genéricas ao caráter do povo de Castro Laboreiro e à origem da raça canina do cão de Castro Laboreiro" e com isso intimar a TVI "para que emita um comunicado público a repudiar a cena televisiva em causa". Sabe-se que será enviada à TVI, assim como à Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM), à Associação Portuguesa do cão de Castro Laboreiro, à Câmara Municipal de Melgaço e à União das Freguesias de Castro Laboreiro e Lamas do Mouro.

Esta não é a primeira vez que a TVI escolhe o Minho para gravar uma novela. Já o tinha feito com "Deixa Que Te Leve", em 2009, em Arcos de Valdevez, e com "A Herdeira", em 2018, mais concretamente na cidade de Viana do Castelo. Agora voltou a fazê-lo, mas a história de "Para Sempre", escrita por André Ramalho, para já, não está a ter um rumo feliz.

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