Andámos a revirar os olhos a tudo o que é "Casados à Primeira Vista" e "First Dates" para, depois, acharmos fascinantes, incríveis e uma experiência social tremenda coisas como "Too Hot to Handle", o novo reality show da Netflix em que ganham aqueles que se aguentarem o mais tempo possível sem fazer sexo. O twist? Nenhum deles sabe exatamente ao que vai no momento em que aceita participar no desafio.

Embora a Netflix não revele os dados de audiências dos seus conteúdos de forma clara e transparente, ao abrir o catálogo da plataforma esta quarta-feira, 22 de abril, o reality show surge em primeiro lugar na lista dos conteúdos mais vistos em Portugal. O mesmo País onde outros programas do género, na televisão portuguesa, são desdenhados por uma parte das pessoas que não consegue deixar de ir para a internet dizer para os amigos que não vê "aquilo". Mesmo que, no dia seguinte, esteja a par de todas as polémicas.

Os reality shows despertam o mirone que há em cada um de nós à medida que põem os concorrentes em situações inusitadas, absurdas ou completamente inverosímeis.

Editorial. Deixem a trash tv em paz
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É óbvio que na vida real, fora das câmaras, nunca ninguém vai ter um encontro como os de "Love is Blind", também da Netflix, em que as pessoas estão fechadas durante horas em cápsulas de onde nunca saem e em que a única forma de comunicação é o diálogo — que permite descobrir os interesses um do outro e até potenciar uma ligação platónica sem nunca se verem.

Mas este tipo de programas, geralmente relegados ao rótulo de trash tv, tentam ainda dar-nos algum conforto. De certo que o ser humano nem sempre é assim tão fútil e superficial, certo? De certo que poderemos amar-nos sem ter em conta o aspeto físico, correto? Corta para "Too Hot to Handle", que tenta espremer esse conceito até ao limite.

Dez pessoas solteiras, geralmente avessas a compromissos e a relações longas, são escolhidas pela produção do programa para um retiro único e, achavam elas, do mais exótico possível.

Só que depressa sofrem um choque de realidade quando lhes é transmitido que aqui não pode haver engate, sexo casual, beijos, troca de carícias ou masturbação. Para isso, a equipa responsável pelo reality show montou várias câmaras na ilha exótica onde os concorrentes estão — e que ninguém sabe muito bem onde fica — e conta ainda com analistas de som que têm o trabalho de ouvir todas as conversas entre os concorrentes.

O prémio final, estabelecido nos 100 mil dólares (cerca de 90 mil euros), vai sendo reduzido cada vez que os concorrentes se tocam de forma carinhosa, se beijam ou fazem sexo dentro da casa. Um beijo, por exemplo, significa um corte de cerca de três mil dólares no prémio.

Que não haja dúvidas de que, primeiro do que tudo, a premissa do programa é entreter tendo como pretexto uma suposta boa intenção de mostrar que é possível criar ligações emocionais que não se baseiem apenas em sexo e em noites e engate. E o desafio de ver aquelas figuras, atraentes, carismáticas e alguma delas com uma química muito forte, traduzem os ingredientes perfeitos para um episódio de televisão que pode correr muito bem ou muito mal. Seja qual for o resultado, a garantia é a de que iremos ver até ao fim.

Prova disso é a popularidade de "Too Hot to Handle" que, desde que se estreou na sexta-feira, 17 de abril, se tornou num dos assuntos mais comentados da internet. E sabe-se agora que a premissa foi toda ela inspirada num episódio de "Seinfeld", de 1992.

Chama-se "The Contest", faz parte da quarta temporada de uma das sitcoms mais importantes da história da televisão, e conta o momento em que Jerry Seinfeld, Kramer, George e Elaine aceitam entrar numa aposta em que o vencedor é aquele que conseguir chegar ao fim sem se masturbar. Embora o episódio tenha 28 anos, a ideia surgiu a Laura Gibson, criadora do reality show, em 2017.

"Naquele episódio, todas as personagens principais tinham aguentar sem se masturbar por dinheiro. Pensei que poderia haver um programa só sobre isso", revelou em entrevista à revista "Entertainment Weekly".

As gravações começaram na primavera de 2019 e Laura Gibson não quis poupar em equipamento de produção — contratando spotters que estivessem responsáveis por analisar todas as conversas e todos os sons dentro da casa.

"Um dos loggers [termo que a criadora do programa usa para se referir a quem analisa o áudio] disse-me que, nos últimos anos, se tinha especializada em decifrar todo o tipo de sons que se ouviam durante relações sexuais. E nós dissemos-lhe: 'Fica atenta a esses sons, então. A que horas estão a fazer isso? Como? Durante quanto tempo ficam na casa de banho?'", explicou à mesma revista.

O resultado é uma espécie de Big Brother orwelliano em que não existe privacidade, contacto com o exterior e todos os instintos básicos de dez pessoas viciadas em sexo são reprimidos.

Os oito episódios da primeira temporada de "Too Hot to Handle" já estão inteiramente disponíveis para streaming na Netflix. Apesar da popularidade do formato, ainda não se sabe se o programa vai ser renovado para uma nova série de episódios.

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