"Cringe". A palavra portuguesa "constrangimento" não traduz na totalidade o significado. Mas nós vamos tentar. Sabe quando, por exemplo, está a ver um filme de Natal e a ação é tão inverosímil, os desempenhos dos atores tão maus, os cenários tão cheios de neve falsa e os argumentos tão estapafúrdios que fica com vontade de enfiar a cabeça debaixo do edredão, tal é a vergonha alheia?

Explicado o termo, vamos falar sobre "Um Beijo à Meia-Noite", filme original da Netflix, que chegou à plataforma de streaming há cerca de um mês. Ao contrário dos inenarráveis (mas, admitamos, muito divertidos) "A Princesa Volta a ser Plebeia", "A Descoberta de Natal" ou "Um Natal Por Encomenda" (do piorzinho que alguma vez vimos), esta comédia romântica protagonizada por Natalie Hall e Evan Williams é surpreendentemente divertida e real.

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Vamos à história (e se não quer ler spoilers, é melhor parar aqui).

Maggie Quinn e Jack Russo são amigos desde a infância e anfitriões de um programa de rádio local chamado "Manhãs da Cidade Ventosa", onde dão conselhos amorosos aos ouvintes. Quando surge a oportunidade de chegarem a uma rádio nacional, traçam um plano, que envolve apresentarem os respetivos cônjuges às famílias em direto na rádio, numa emissão especial na Passagem de Ano.

O plano inicial corre mal, porque ambos levam com os pés. Maggie e Jack não desistem e decidem fingir ser um casal para, assim, conquistarem as atenções do manda-chuva Judd Crawford, da Satellite Radio. Tudo corre bem até, claro, o passado os vir assombrar e colocar em causa o que os une: uma amizade de longa data e, claro, o amor não declarado que sentem um pelo outro.

Nem tudo é cor-de-rosa neste filme de Natal e podíamos jurar que, ao longo da vida, já nos cruzámos com um rapaz como Jack. Bom moço, mas um pouco cobardolas e com medo do compromisso. No final tudo corre bem (porque estamos no Natal e em 2020), e Jack e Maggie lá se beijam à meia-noite.

O que acaba por diferenciar "Um Beijo à Meia-Noite" das comédias românticas natalícias que surgem na Netflix como cogumelos é o facto de, mais do que abordar o amor, se centrar na amizade de duas pessoas, na admiração mútua que sentem e também na união fofinha entre as famílias de ambos (os pais de Jack e Maggie são donos do Magnolia, um bar com jazz ao vivo que já conheceu melhores dias).

Bónus deste filme de Natal fofinho? No final, Jack canta uma música que escreveu, ainda adolescente, para Maggie, e que nunca tinha tido coragem de interpretar ao vivo. A voz que ouve no filme é mesmo a de Evan Williams. O ator canadiano de 35 anos, que pode reconhecer da série "Versailles", na qual interpretou Filipe, Cavaleiro de Lorena, amante do duque de Orleães, é também músico.

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