"Vou fazer tudo o que puder para fazer a maior personagem da minha vida". Foi com este pensamento que Ana Morina entrou no "Big Brother", há dez semanas. Depois de ter sido expulsa pelos portugueses na gala deste domingo, 21 de novembro, foi recebida por Cláudio Ramos e Maria Botelho Moniz no "Dois às 10" e assegurou que, agora, começa a "segunda parte" do reality show, na qual pretende desconstruir o papel que assumiu no jogo.

A Pipoca Mais Doce acusa Ana Morina de ter sido "a pior embaixadora" da sororidade
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"Não estive em personagem 24/7, quebrei muitas vezes", afirmou Ana Morina em conferência de imprensa, esta segunda-feira, 22. "Não foi preciso fazer muita coisa. Nós somos seres humanos, os seres humanos têm fragilidades. Só tive que estar atenta aquilo que surgia e tinha que extrapolar aquilo que estava a acontecer. Portanto, era pegar em coisas muito pequeninas que, na realidade e na vida real, não podia pegar, senão enlouquecia. Dentro do programa tive que extrapolar tudo isso, as fragilidades que eles tinham. E por isso é que os tirava do sério."

Após dez semanas, pautadas por polémicas e conflitos, a ex-concorrente confessou-se "completamente de rastos" porque foi "de corpo e alma" para o desafio. Em conversa com os jornalistas, contou a sua estratégia: "Passou sempre por fazer o casting da minha vida (...) Fazer um casting deste tamanho, com esta estratégia, permite-me, a mim, mostrar aquilo que eu, normalmente, gostaria que vissem em castings de cinco minutos ou de dez minutos. (...) Já tinha feito este tipo de trabalhos, nunca com este tempo, nunca com esta dimensão. E entrar no 'Big Brother' só comigo, enquanto pessoa, não me acrescentava nada (...) Como profissional fui jogar, numa personagem muito intensa".

Consciente desde o início da dificuldade que teria em conquistar o prémio final, Ana Morina revelou que estruturou a personagem no período de isolamento, antes de entrar na casa, mas que esta se foi moldando ao longo do tempo. "O tema da sororidade, o tema da durona... Muito do que aconteceu eu tinha mais ou menos um guião pensado, alguma coisa pensada nesse sentido, mas tudo foi acontecendo mediante a adaptação que fui tendo, semana após semana. (...) A vilã foi surgindo, mas eu já sabia que, de alguma maneira, teria de assumir esse papel, porque levava comigo uma bagagem que eu diria quase de missão impossível e sabia que ia ser confrontada com muitas divergências. (...) Nós ocupamos o espaço que faz falta, eu sabia que ia ter que ter o papel de dura."

"Jogar só como Ana Morina para mim não tinha piada nenhuma. (...) Depois a Ana Morina nunca mais iria ser relembrada, nem para o bem, nem para o mal, portanto, agora tenho que arcar com as consequências boas e más", confidenciou, em conferência de imprensa, garantindo que a personagem foi uma criação sua — e não da produção do reality show. "Havia momentos em que, na realidade, eu estava a jogar e eles [os concorrentes do "Big Brother"] não compreendiam. Houve quem dissesse e eu tive que, obviamente, negar. (...) Não podia nunca, de alguma maneira, dizer que estava a jogar e que estava a encarnar uma personagem."

De volta à realidade, garantiu que, por vezes, necessitava de uma pausa e de tempo para estruturar a personagem. "Para que ela [a personagem que assumiu no jogo] não caísse, eu tive, muitas vezes que abdicar de festas, de abdicar de carinho, sentir que o grupo estava contra mim, ainda assim continuar, chorar baba e ranho. Porque essa era a pessoa que eu sou. (...) Estive muitos momentos isolada, tive muitos momentos em que tive que me afastar do grupo, tinha muitos momentos em que não podia envolver-me muito, emocionalmente, com quem quer que fosse. Foi tudo pensado. (...) Se eu não saísse esta semana, ia ser muito difícil continuar."

Ana Morina entrou no "Big Brother" com o objetivo de criar debate sobre a sororidade

Entrou no programa pronta a defender a sororidade, mas, para A Pipoca Mais Doce, foi a "pior embaixadora que podia ter existido para representar esta causa". "Fiquei de alguma maneira triste porque ela não compreendeu e eu achava que ela ia compreender", afirmou, referindo-se às palavras da comentadora quando Ana Morina chegou aos estúdios da Venda do Pinheiro.

A Cláudio Ramos e Maria Botelho Moniz, no "Dois às 10" de segunda-feira, 22, a executiva contou que, depois de uma semana fiel a si própria, começou a jogar no momento em que nomeou Ana Barbosa e Aurora. Aos jornalistas, assegurou que a nomeação lhe "custou imenso". "Nós [mulheres] voltamos costas e a primeira coisa que fazemos é insultar-nos e falarmos mal umas das outras e, muitas vezes, a falta de entreajuda entre as mulheres eram dois temas que tinha observado. Se fosse na minha vida real, obviamente que iria colocar, aqui, o diálogo com elas, mas eu estava num jogo. E lá está, nestas pequenas coisas, que tinham que ser faladas e que eu gostava que tivessem sido faladas, eu extrapolei o tema. "

Segundo revelou, quando se propôs a defender a sororidade, Ana Morina tinha noção que, por estar num jogo, as suas ações poderiam ser "contraditórias" às palavras. "Bonito é ter havido este dilema e que as pessoas tenham ficado divididas", explicou, ressalvando que a união entre as mulheres não se consegue "de hoje para amanhã".

"Isto tem que começar a ser falado, tem que começar a ser debatido, as pessoas têm que começar a colocar questões. (...) O grande objetivo para mim era começarmos a falar sobre isto, e aconteceu. Se tivesse tido uma conversa com elas as duas [Ana Barbosa e Aurora] antes de isto acontecer e depois nomear, o impacto teria sido bola. E não tinha funcionado de forma nenhuma."

A ex-concorrente considera que não faltou ao respeito às colegas da casa, nem deixou de as ajudar. "Não façam isto, para que isto seja possível", era o pensamento que tinha em mente. Aos jornalistas, assumiu-se "muito frontal, muito direta, muito exigente com os outros", mas deixou uma garantia: "Eu não sou assim todos os dias. É impossível viver desta maneira. (...) Só tenho noção do que é que aconteceu agora. (...) Não fazia a mínima ideia que isto fosse tão mal interpretado".

"Quem vai ganhar é o António, quem gostava que ganhasse é a Ana Barbosa"

Apesar dos sucessivos atritos com os colegas do jogo, Ana Morina sublinhou: "Eu gosto de todos". Ainda assim, confessou que "dava meia volta propositadamente", para os deixar a "falar mal" de si, nas costas. "Enquanto estavam contra mim, era confortável manter a personagem, porque conseguia manter aquela distância e continuar a marcar pontos e marcar momentos. Em nenhum momento criei as situações, elas foram criadas por eles. Extrapolei ao máximo tudo aquilo que eu podia, de alguma maneira, para os tirar do sério."

Em relação aos insultos por parte de Rafael, confessou que se esqueceu de tudo quando olhou para a família do empresário. Ainda assim, ressalvou que as imagens foram "fortíssimas" e que se sentiu "um bocadinho amedrontada" com o "primeiro impacto". Já sobre a tensão criada em torno de ambos na gala do "Big Brother", domingo, 21, a ex-concorrente foi assertiva: "Em nenhum momento me senti humilhada, porque era a minha personagem que estava a ser expulsa do programa. (...) Se os portugueses acharam que aquela personagem merecia aquilo, então, de alguma maneira, a personagem funcionou." Para a executiva, faltou o pedido de desculpa — mas, segundo afirmado pela própria, compreende e sabia que "isso não ia acontecer".

Com a sua saída da casa do "Big Brother", Ana Morina acredita que "aquilo vai morrer um bocadinho" e prevê que os ex-colegas possam "cair um bocadinho em cima da Débora", por esta ser "um alvo fácil" — o que, na sua perspetiva, "pode levá-la à final". Sobre os seus desejos, não há margem para a dúvidas. "Quem vai ganhar é o António, quem gostava que ganhasse era a Ana Barbosa".

A ex-concorrente garantiu que não se arrepende de nada na sua prestação. "Fui levantando os temas e fui jogando com eles na medida que sabia e na medida que podia. Se tivesse que me arrepender, arrependia-me de ter entrado, mas isso só vou saber daqui a algum tempo", afirmou.

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