Acordar e correr para o escritório. Sair de lá tarde e a más horas, sem ter dedicado tempo nenhum a tarefas que são tão fundamentais como o trabalho: ir ao ginásio, à aula de ioga, cuidar do cabelo, ir a uma consulta ou ao supermercado. Esta é a realidade de uma fatia considerável de pessoas, a quem não sobra tempo para a importante arte do self-care.  Mas não devia ser assim. É que a vida não pode ser só trabalho, como vários estudos já vieram mostrar. Dúvidas haja, é espreitar a caixa abaixo.

  • Trabalhar em em excesso afeta o bem-estar psíquico: de acordo com um estudo, passar a vida no escritório pode levar a problemas de saúde mental, nomeadamente a depressões, ansiedade ou burnout.
  • Trabalhar em excesso afeta o corpo, porque significa que há períodos muito longos de inatividade, o que aumenta potencial para se desenvolverem dores nas costas, como mostrou uma investigação de 2002. Muitas outras investigações já vieram dizer que o sedentarismo pode estar associado a mortes prematuras, pelo risco de se virem a desenvolver outras doenças.
  • Trabalhar em excesso é também contraproducente — um estudo da Universidade de Stanford notou que pessoas que trabalham 70 horas por semana não eram mais produtivas do que aquelas que trabalhavam 56.

Nós sabemos. Tratar da saúde, da beleza e da cabeça na correria dos dias não é fácil. Os locais estão fragmentados pela cidade e nem sempre é possível fazermos aquilo que tínhamos planeado. Se ao menos alguém se lembrasse de reunir tudo num sítio.

Pois, está com sorte. Há um novo cowork em Lisboa que junta ao trabalho a fundamental componente do wellness. Chama-se WOOD, fica junto do Marquês de Pombal e é de lá que esta jornalista vos escreve. Acabámos de tirar uma banana do cesto da fruta disponível no luminoso lounge e ao nosso lado temos uma caneca de café, a segunda do dia, acabadinha de tirar da máquina. Estamos contentes porque a decoração (desenvolvida pelo atelier Anahory Almeida) lava-nos a vista. Dos elevadores, às escadas e zonas de trabalho, estamos cercados pelas nossas cores e materiais preferidos: azul petróleo, verde arquivo, madeiras, cortiça e plantas. Temos phone booths para fazer entrevistas, temos mesas para várias pessoas, caso seja preciso fazer uma pequena reunião. Perfeito.

WOOD. No novo cowork de Lisboa há ioga, pequeno-almoço saudável e happy hour

O dia já começou há algum tempo. Chegámos aqui um pouco antes das nove, mas não nos atirámos logo ao computador. Antes de darmos início ao dia de trabalho, tratámos da nossa higiene mental, e alongámos o corpo, no estúdio de ioga deste cowork premium, onde passámos a primeira hora desta terça-feira, 6 de janeiro.

Namasté proferido, estamos de volta. É hora de fazer uma tour para descobrirmos quem é que finalmente se lembrou de criar isto e que outros serviços estão por cá a tratar da saúde dos trabalhadores.

Sobre a história: três sócios e amigos de Paris vieram para Lisboa e acabaram em escritórios do mesmo edifício, o 240 da Avenida da Liberdade. Foi aqui que, organicamente, a ideia nasceu: a trabalharem na área do imobiliário e asset management, sentiram falta de atividades de bem-estar que lhes cuidassem do corpo, da mente e que lhes potenciassem a produtividade — sem terem de viver o stresse de sair a tempo e horas para lá chegar. Assim, e convidando os restantes inquilinos daquele prédio, começaram a desenvolver atividades em que todos pudessem participar, desde aulas de ioga, a workshops de mindfulness ou meditação, sem esquecer a entrega semanal de cabazes de fruta.

Com tudo a correr bem, perceberam que havia aqui um potencial de negócio. Afinal, se esta junção de frentes lhes tinha melhorado a vida a eles, também seria capaz de melhorar a dos outros. Dois anos depois das obras terem começado neste prédio da Mouzinho da Silveira, eis que ele se transforma neste cowork especial, um espaço que nos recebe logo à entrada com néon onde se lê "Work is Good". Pode soar a piada, mas olhem que neste sítio até que é verdade.

Com um total de 2000 metros quadrados, tem sete pisos, por onde se distribuem as duas tipologias de local de trabalho. Dois andares estão equipados com mesas colocadas em open space — um com 30 lugares (onde fica também o lounge, repleto de luz natural, fruta, sofás e mesas) e outro no primeiro piso com capacidade para 34 pessoas. Pelos restantes andares estão distribuídos os 45 escritórios, que podem servir equipas de duas, quatro, cinco e oito pessoas. Dois andares de escritórios estão já ocupados com empresas inteiras que decidiram mudar-se oficialmente para aqui.

O WOOD tem ainda cinco salas de reunião, 12 meeting boxes para encontros mais informais (mesas mais isoladas, com confortáveis bancos e encostos, com lugar para quatro pessoas) e sete phone boots, para chamadas telefónicas mais extensas ou privadas.

Além disto, há ainda uma sala de exercício, onde decorre o ioga, dois terraços (ainda não estão a funcionar, mas está para breve) e, no lounge, além das mesas de trabalho, há sofás, máquina de café, chá e uma enorme cesta do Mercado do Rato, recheada de fruta. Tudo serviços que qualquer membro do cowork pode utilizar, sem valor acrescido. Logo na entrada está também uma bicicleta elétrica, a que os clientes podem recorrer para deslocações curtas, opção que está incluída em qualquer mensalidade. Pelos andares há também impressoras que se podem utilizar, mediante o crédito do cartão de membro que todos devem carregar consigo.

Descrito o espaço, falta falar do plano das festas — isto é, das atividades que por ali se desenvolvem para os membros. Como explicou à MAGG a diretora do espaço, Aimara Geissler, todas as segundas-feiras o WOOD oferece um pequeno-almoço com fruta, iogurte (opções para diferentes dietas, incluindo vegan) e granola.

À terça-feira, o dia começa com uma aula de ioga, com profissionais da Siendo — Art of Being, que se repete à quinta-feira à hora do almoço e que, brevemente, fará também parte das atividades de quarta-feira, mas ao final da tarde — os estilos da prática vão-se ajustando às alturas do dia. Todos os membros têm direito a uma ou duas aulas por mês, conforme o plano (pode ver na caixa abaixo). Caso queiram participar em mais, basta aceder à app do WOOD — a partir de onde pode gerir os serviços disponíveis e faturação — e comprar uma extra, pelo valor de 10€.

Mesa lounge em open space (flexível): €250  — só tem direito a uma aula de yoga por mês
Mesa fixa em open space: 375€
Escritório 2 pessoas: a partir de 900€
Escritório 4 pessoas: a partir de 1.720€
Escritório 5 pessoas: a partir de 2.250€
Escritório 8 pessoas: a partir de 3.280€

Quinta-feira há sempre uma happy hour, com cerveja, snacks e, por vezes, vinho, que tem início às 17h30 horas — é suposto terminar às 18h30, mas, havendo provisões, tende a prolongar-se. Uma vez por mês, neste dia da semana, organizam-se festas temáticas. Por exemplo: em outubro os membros vestiram-se para o Halloween, em dezembro o evento foi dedicado ao Natal. O tema de janeiro está a ser fechado, mas já há ideias em cima da mesa: "Estamos a pensar fazer sobre as resoluções de ano novo", revela a diretora.

Falta só falar dos serviços de wellness (também providenciados pela Siedo — Art of Being) e beleza (disponibilizados pela Z Vegan Hair) que chegam assim que a beauty room ficar pronta. Na primeira categoria vai haver consultas de avaliação e aconselhamento com uma health coach, consultas ayurvédicas, consultas de homeopatia, consultas de osteopatia e sacro-craniana, massagens de relaxamento, aromaterapia e reflexologia. Na segunda, os membros vão poder contar com cabeleireiro, barbearia, pedicure e manicure. Todos estes serviços são extras.

Morada: Rua Mouzinho da Silveira, 32, 1250-167 Lisboa
Contacto: work@woodinlisbon.com

Por último, é ainda possível encomendar frutas e hortícolas do Mercado do Rato que, uma vez por semana, são entregues aos membros do cowork que solicitarem este serviço.

O co-work funciona todos os dias, durante 24 horas. Até março, está a decorrer uma campanha de desconto de 30% para novos membros.

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