O cantor Mickael Carreira foi o convidado de Manuel Luís Goucha no programa “Conta-me”, da TVI, este sábado, 25 de junho, e um dos temas incontornáveis foi a morte da irmã Sara, a 5 de dezembro de 2020 num acidente de viação. Contudo, este é ainda um tema que Mickael tem dificuldade em abordar.

Emocionado, o cantor admitiu que ainda hoje não consegue lidar bem com a morte da irmã, ainda para mais sendo o irmão mais velho. “Nunca vou conseguir ultrapassar o que aconteceu. É uma pergunta para a qual não tenho resposta”, disse após questionado pelo apresentador “como se perde uma irmã sendo um irmão protetor”.

Ivo Lucas na primeira entrevista após a morte de Sara Carreira. "Não gosto que tenham pena de mim"
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Mickael refere que a dor “continua” e que de alguma forma revoltou-se com Deus, mas acredita que tudo aconteceu porque “há outra coisa a seguir”. “Quero acreditar, porque se não for o caso, é estranho. Portanto, quero acreditar nisso. Mesmo”, afirmou a Manuel Luís Goucha.

Essa crença tem ajudado Mickael a ultrapassar a perda, assim como o projeto da Associação Sara Carreira.

“A Sara, de todos, era a mais pura”, começou por dizer o cantor. “E aquilo que estamos a tentar é precisamente fazer aquilo que ela fazia na vida, que era ajudar os outros, e honrar o nome dela. É o que tentamos fazer diariamente”, refere Mickael.

A associação dá apoio a jovens talentosos que não têm capacidade para apostar nas carreiras e a família tem tentado fazer o “melhor com estes jovens, que era o que a Sara tentava fazer em vida”, refere o cantor. "O resto depende deles, do trabalho, mas a associação está aqui para ajudar”, acrescentou.

Com a morte de Sara, a família tornou-se mais unida, apesar de os pais estarem separados, fator que sempre fez que com que Mickael tentasse apoiar a mãe, que descreve como uma “mulher fantástica” que “aguentou muita coisa ao longo dos anos”. Essa ligação é ainda mais especial agora, após a morte de Sara Carreira.

“Isto é difícil. Há dias mais fáceis, outros mais complicados. Mas tento de alguma forma tentar fazê-la mais feliz. Ir jantar com ela fora de vez em quando e passar mais tempo com ela”, disse o cantor.

A morte da irmã e a pandemia levaram Mickael Carreira a fazer uma longa pausa na carreira, que retoma agora com um novo disco, intitulado “É tempo de seguir”, com “canções muito fortes”.

“Foram escritas de uma forma muito sincera e genuína”, referiu o cantor, dando a entender estarem relacionadas com a irmã. “As melhores canções, para mim, são aquelas com situações pelas quais passaste”, rematou.

A conversa foi ainda marcada pelo início da carreira em 2006, quando tinha 20 anos, o peso de ser filho de Tony Carreira e alguma revolta que surgiu relacionada com isso devido à ausência do pai por causa do trabalho — e de que Mickael se apercebeu quando ele próprio começou as suas digressões.

O cantor já está há dez anos com Laura Figueiredo, com quem tem uma filha, atualmente com 5 anos, sobre quem também falou na entrevista a Manuel Luís Goucha.

“Acho que a Bia tem uma alegria, é uma criança diferente”, disse sobre a filha, que acha que que vai querer ser artista, algo que apoiará, embora confesse que gostava que fosse outra coisa pela exigência da profissão.