Foi confirmada esta terça-feira, 17 de março, pelo jornal espanhol “El País” a morte de pelo menos 19 idosos num lar em Madrid. As mortes na residência MonteHermoso deveu-se a um surto do novo coronavírus, que infetou vários idosos que ali viviam.

A confirmação do número de mortes veio através de um porta-voz desta residência, que explicou ainda que está a ser feito tudo para salvar a vida de outros idosos infetados que viviam no mesmo espaço. Por isso, nas últimas horas a MonteHermoso tem recebido bombas de oxigénio e máscaras numa tentativa de o número de mortes não crescer. Os casos mais graves estão a ser encaminhados para o hospital e está a ser implantado um reforço de especialistas na residência.

Apesar disto, e conforme explica o jornal espanhol, os idosos acabaram por morrer na residência e não foram transferidos para o hospital.

“Vão provavelmente morrer muitas mais pessoas”, afirmou uma fonte ao mesmo jornal, dando assim a entender a realidade que se vive agora dentro desta residência para idosos.

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Também os filhos com pais naquela residência se encontram apreensivos. Ana Ruíz, filha de uma das idosas que morreram durante este surto, explica que a residência tem estado com falta de bombas de oxigénio e que nenhum dos idosos tem recebido tratamento hospitalar. A sua mãe, de 86 anos, acabou por morrer depois de um telefonema de uma enfermeira a explicar que a progenitora tinha 39 graus de febre e que se suspeitava de uma infeção por COVID-19. A idosa não terá sido levada para o hospital por “não cumprir os critérios”, acabando por morrer na residência.

Tal como a Ana Ruíz, as mortes dos idosos estão a ser comunicadas via telefone – já que a 8 de março foram suspensas as visitas à residência MonteHermoso. As mortes começaram há cinco dias e têm-se multiplicado nas últimas 24 horas, o que torna esta residência um dos piores focos da infeção em Madrid.

Segundo a espanhola, que também tem o pai na mesma residência, esta não sabe quando terá o corpo da mãe e que não sabe quando vai fazer o velório – já que agora não é permitido.

Também Yolanda Cumia ficou a saber da notícia da morte do pai de 87 anos via telefone. Juan Cumia faleceu com uma insuficiência respiratória, apesar de se tratar de um dos residentes em melhor estado de saúde. “Estão a cair como moscas”, explicou Yolanda Cumia ao “El País”.

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A situação na residência MonteHermoso está um “caos” com diversas ambulâncias a entrar e sair daquela zona. Existem já notícias que dão conta do despedimento de uma enfermeira que não aguentou a pressão. “Aquilo está terrível. Não vou voltar”, terá dito. “Precisamos do esforço de tudo e da ajuda de Deus”, disse outra funcionária daquele centro.

Mas os comentários alarmados dos filhos não terminam por aqui. Francisco Torres tem a mãe na residência MonteHermoso e explica que a progenitora já teve febre, mas que os idosos só são levados para o hospital se precisarem de ventilação mecânica. “Só levam [para o hospital], segundo me disse a diretora, os idosos que precisam de respiração mecânica. E assim já é demasiado tarde para os salvar”.

Mas a residência MonteHermoso não é a primeira a ser afetada pelo surto de COVID-19. Já há dois semanas tinha morrido uma senhora de 99 anos na residência La Paz, também em Madrid. Na altura noticiou-se que pelo menos uma dezena de residentes teria também sido infetado.

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