Depois de cinco dias de deliberações, o júri composto por 12 pessoas chegou à conclusão de que há provas suficientes para considerar que Ghislaine Maxwell aliciou menores, em locais como escolas ou spas, para serem abusadas sexualmente por Jeffrey Epstein, que morreu na prisão em agosto de 2019.

A decisão foi conhecida esta quarta-feira, 29 de dezembro, com o júri a considerar que a socialite britânica e principal cúmplice de Epstein era culpada de cinco das seis acusações que lhe eram imputadas pelos procuradores americanos — inclusive a mais grave, a de tráfico sexual de menores. "Ghislaine Maxwell fez as suas próprias escolhas. Cometeu crimes tal como Jeffrey Epstein. Era uma mulher crescida que sabia perfeitamente o que estava a fazer”, referiu o procurador Alison Moe, que se referiu a Maxwell como a "parceira de crime" do magnata.

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Para se chegar a esta deliberação, foram ouvidas quatro mulheres que descreveram, em tribunal, os abusos sexuais de que foram vítimas entre 1994 e 2004 perpetuados por Epstein. Apesar disso, a defesa da socialite britânica argumentou sempre que Maxwell estava a ser usada como bode expiatório depois da morte de Epstein, que tirou a sua própria vida na prisão.

À medida que o veredito foi lido, Maxwell manteve-se serena e inerte, movimentando-se apenas para beber água de um copo que tinha à sua frente.

Annie Farmer, uma das mulheres que testemunhou e que revelou ter sido vítima de abusos sexuais, demonstrou-se aliviada e grata pelo júri ter sido "capaz de reconhecer os comportamentos predatórios" de Ghislaine Maxwell.

Apesar da deliberação já ter sido conhecida, ainda não há data para ser conhecida a sentença. Maxwell arrisca-se a passar o resto da sua vida na prisão.

Ghislaine Maxwell esteve sempre na mira das autoridades

A mulher foi detida em New Hampshire, nos EUA, quase um ano depois de Jeffrey Epstein ter sido acusado de abusar sexualmente de dezenas de menores na sua mansão em Manhattan entre 2002 e 2005. O documento da acusação refere que Epstein pagava às menores para desempenharem sessões de massagens que, regra geral, culminavam em relações sexuais.

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Apesar da acusação, Epstein nunca chegou a ser julgado já que, em agosto de 2019, suicidou-se na cela da prisão. Na altura, as autoridades responsáveis pelo caso disseram que a sua morte não iria significar o fim das investigações e que, muito provavelmente, iriam focar-se nos principais cúmplices que permitiram, e potenciaram, que Epstein abusasse de menores e as cedesse a outros homens nos quais, alegadamente, se inclui o príncipe André, de Inglaterra.

Ghislaine Maxwell, eterna confidente de Epstein, esteve sempre na mira das autoridades que consideram que esta teve um papel ativo na busca de adolescentes em escolas ou spas. Várias das menores abusadas chamam-lhe "a madame", informação que parece ser corroborada não só pelas menores abusadas, mas também por quem lidava de perto com Epstein e Maxwell.

"A maneira como eles agiam dava a entender que eram como autênticos parceiros num qualquer negócio", revelou Jansz Banasiak, uma das responsáveis pela mansão de Epstein, às autoridades. Sarah Ransome, uma das mulheres abusadas, confirma: "Ela [Maxwell] orquestrou tudo para Jeffrey Epstein", revelou numa entrevista exclusiva ao "The New York Times".

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