A PETA divulgou um vídeo esta semana daqueles que, só pelo título, já nos que custa carregar no play. "Vietnam’s Crocodile Skin Industry" ou "Indústria da pele de crocodilo no Vietname", dá nome a uma sequência de imagens nas quais se veem animais ainda vivos a serem esfolados para que a pele seja usada, alegadamente, para fazer malas para a Louis Vuitton, entre outras marcas.

No vídeo, é possível ver a forma como acontece todo o processo: o crocodilo leva um choque para ficar paralisado e dá-se um corte no pescoço a sangue frio para uma eventual morte imediata. O problema é que aquele golpe nem sempre é fatal e o animal, como consegue sobreviver horas com pouco oxigénio, tem uma morte longa e dolorosa. É por isso comum que o animal seja esfolado ainda vivo.

Além disso, os animais — cerca de 1.500 a cada três meses — vivem em jaulas pequenas sem que se possam mexer, até ao momento da execução.

As imagens são chocantes, mas não são uma novidade para os mais atentos à forma como a indústria funciona.

A BBC publicou uma reportagem na qual mostra que para um casaco de vison produzido na Rússia é usado o pelo de 40 animais. Além disso, e segundo o "The Guardian", para dar resposta à procura de carteiras, bolsas e sapatos de pele, a indústria vai precisar de abater 430 milhões de vacas anualmente até 2025.

Habitualmente, junto com estes números, estão associadas imagens, que as associações de defesa animal fazem questão de mostrar para que o público em geral tenha uma noção real do problema. Mas será essa a estratégia mais indicada?

A presidente da Aliança Animal, Elisa Nair Ferreira, sabe que a sua opinião não é a da maioria dos que estão do seu lado da barricada. Mas a responsável desta associação que luta pela defesa dos animais não acredita que a divulgação de imagens e vídeos chocantes seja a melhor estratégia.

"O efeito é perverso", explica à MAGG. "A maioria das pessoas quando se apercebem que aquelas imagens serão chocantes, preferem não ver. Afastam-se ainda mais do problema e acabam por recalcá-lo".

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Para Elisa Ferreira, este tipo de conteúdo só fará sentido para alguém já mais envolvido na defesa dos animais. "No geral, a sociedade não vai querer ver", garante.

A ativista baseia a sua opinião, não só na sua experiência à frente da Aliança Animal, mas também na teoria desenvolvida por Melanie Joy, autora do livro "Porque Amamos Cães, Comemos Porcos e Vestimos Vacas", que defende que devemos expor o invisível, mas com cuidado. "Enquanto psicóloga, a autora explica que se o ativismo for feito através de imagens chocantes, pode traumatizar quem o vê e até causar uma revolta desnecessária".

Elisa Ferreira lembra ainda que ensinar através do medo pode ter o efeito contrário ao pretendido. "As pessoas entram em negação e criam mecanismo de defesa que não as deixam lidar com o assunto".

De volta ao caso da PETA e da Louis Vuitton em específico, a ativista lembra que o público dessa marca é talvez o menos sensibilizado para o problema. "A classe alta mais conservadora é a mesma que, há uns anos, usava raposas ao pescoço e aí não há como não saber de onde é que aquilo vem", refere. "São muitas vezes também essas pessoas que vão à caça, que criam e vendem cavalos e que comem foi gras [produto conseguido depois da engorda forçada de gansos e patos]".

Ainda assim, no site da PETA, além de poder ver o vídeo e ter mais informação sobre o caso, pode decidir fazer algo para mudar a situação. Pode fazer uma doação para apoiar a ação do grupo ou reenviar para a Louis Vuitton uma carta escrita pela PETA a pedir para que deixem de usar peles de animais nos seus produtos.

Se a marca assentir, juntar-se-á a uma lista da qual fazem parte marcas como a Michael Kors, Versace, Armani, Gucci e Calvin Klein.

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