Da próxima vez que lhe perguntarem porque é que ainda é preciso o Dia da Mulher, responda com estes dados: o ano de 2019 chegou ao fim com 27 casos registados em que foram homens a assassinar, brutalmente, as suas parceiras. Mais, um novo estudo realizado pelo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas revela que 90% da população tem uma visão preconceituosa sobre a mulher — em que pelo menos um terço acha aceitável um homem bater numa mulher.

Nesse mesmo estudo, os dados sobre Portugal mostram que, embora não seja considerado um dos 75 países onde o género feminino seja o mais descriminado, é um País com uma presença masculina muito marcada.

Entre o Qatar e o Letónia, Portugal encontra-se no 40.º lugar onde o número de participação ativa e empregada é predominantemente masculina. Em 2018, o ano até onde os dados foram recolhidos, registaram-se 53,9% de mulheres empregadas contra os 64,2% de homens.

Depois de baterem, "os agressores dão flores e são amantes maravilhosos para se desculpabilizarem. A vítima é que se sente culpada"
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A investigação prova também que, no que toca ao número de mulheres com ensino superior, os homens são quem estão novamente na frente — com um valor de 54,8% face aos 53,6% das mulheres.

Parecem dados isolados, mas esta ideia medieval e datada de que o homem é social e cognitivamente superior é o que serve de catalisador para que, em casos de violação em que as vítimas são mulheres, aconteça uma desculpabilização do agressor para pôr as culpas na vítima.

Para se insurgir contra a cultura da violação, a violência de género e para celebrar o Dia da Mulher, que marca este domingo, 8 de março, as marcas portuguesas Maria.Bodyline e Nana Ferrador avançaram com uma nova iniciativa que saiu às ruas com o objetivo de consciencializar para a problemática da violência doméstica e da violência de género.

Para isso, várias mulheres vão desfilar pelas ruas de Lisboa esta sexta-feira, 6 de março, vestindo apenas bodies da marca Maria.Bodyline e sapatos Nana Ferrador. A diferença está nos cartazes que vão levar com elas — onde se vão poder ler frases como: "Amo-te, mas não vais assim vestida", "Amo-te, mas não podes sonhar" ou "Amo-te, mas assim vestida estás a pedi-las."

A lei contra a violência doméstica é “completa”. Então, porque é que está a falhar tanto?
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Em comunicado oficial enviado às redações, Mariana Machado, representante da marca Nana Ferrador, diz que é importante que a mulher sinta que "não precisa de ter medo de se conhecer melhor" e que não se pode "julgar pelo que a sociedade impõe.

"As mulheres, mais do que nunca, estão a conquistar o seu espaço e lugar na sociedade. Esta é uma luta das duas marcas para que as mulheres se sintam compreendidas. Para que percebam que há coisas que não podem nem devem aceitar", explica.

E continua: "A mulher precisa de não ter medo de se conhecer melhor. De aceitar as suas qualidades e defeitos, nunca se julgar pelo que a sociedade impõe. Respeitar as suas decisões e a sua maneira de ver e viver a vida. Perceber que os erros que cometem são conhecimento. E ter consciência logo no início dos sinais de alguém abusivo.” 

Mostramos-lhe algumas das fotografias dos cartazes que vão inundar Lisboa durante esta sexta-feira.

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