Só em 2019 sete crianças adotadas e duas em fase de pré-adoção regressaram às casas de acolhimento, um número não muito diferente do que se tem registado nos últimos quatro anos, cuja taxa de devoluções corresponde a 7,2%, avança o "Jornal de Notícias" esta sexta-feira, 20 de novembro.

Os dados do relatório CASA, Caracterização Anual da Situação de Acolhimento, mostram ainda as estatísticas dos anos anteriores: em 2018 foram 19 devoluções, em 2017 outras 15 e em 2016 foram 24. As mais de 7% de devoluções em quatro anos têm como base um total de 935 crianças adotadas em 2016.

Os valores são, na opinião dos especialistas, consequência da falta de acompanhamento depois da adoção. "Uma criança retirada à família biológica, que viveu numa instituição, foi adotada e volta ao acolhimento já foi revitimizada muitas vezes", diz Maria Barbosa Ducharne, do Grupo de Investigação e Intervenção em Acolhimento e Adoção (GIIAA) da Universidade do Porto, ao "Jornal de Notícias".

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Apesar de já existir um acompanhamento para as famílias de adoção prevista na lei desde 2015, este só se aplica caso a família solicite o apoio à Segurança Social. Contudo, Isabel Pastor, diretora da Unidade de Adoção da Santa Casa de Lisboa, defende que é "importante que as famílias possam ter um seguimento que não esteja apenas dependente do seu pedido", e Marlene Gomes, assistente social, destaca a relevância de um "acompanhamento sistemático destas famílias, para terem retaguarda e saberem a quem recorrer", algo que evitaria "muitas devoluções".

Para fazer face a este problema e a mais casos de devolução de crianças adotadas ou em pré-adoção, está já em vista um projeto — "Follow up em pós-adoção", do GIIAA, em colaboração com o ISCTE e a Segurança Social — que assenta numa equipa de psicólogos que vai monitorizar necessidades das famílias adotantes e criar uma plataforma de apoio à distância.

O projeto vai abranger 270 famílias que adotaram crianças de diferentes idades e em diferentes anos e serão acompanhadas durante três anos. Deverá avançar já no próximo ano.

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