"O Tiago é enfermeiro e este é o ordenado que recebeu este mês [em maio]. Ficou em isolamento depois de ser infetado em serviço com a COVID-19. A esposa também é enfermeira, teve de cumprir o mesmo isolamento e recebeu o mesmo. Este é o País que lhes pagou 70 euros para pagar as contas e sustentar os filhos", foi a mensagem que começou a circular nas redes sociais e que, entretanto, se tornou viral.

Foi uma denúncia, um grito de revolta contra uma injustiça. "E agora, vão comer palmas? Vão pagar o supermercado e o resto das despesas que têm com palmas? Nunca tive vergonha de ser português e de ser enfermeiro. Nunca. Mas hoje tenho. Tenho vergonha de um País que enche os bolsos a gatunos e maltrata quem veste farda branca", lia-se na mesma publicação.

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Tiago Costa, enfermeiro do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, recebeu o teste positivo para a COVID-19 a 26 de março e ficou em isolamento até 28 de abril. O casal deveria ter direito a receber o correspondente a 70% da retribuição nos primeiros 12 meses e a 75% no período subsequente, segundo escreve o jornal "Polígrafo", citando a legislação atual.

O caso foi prontamente confirmado por Ana Rita Cavaco, bastonária da Ordem dos Enfermeiros, que partilhou a publicação na sua página de Facebook mostrando-se solidária por todos os profissionais de saúde que pudessem estar na mesma situação.

Este corte no salário deve-se ao facto de a COVID-19 não ser reconhecida como uma doença profissional, facto que levou a Ordem dos Enfermeiros a reforçar, através de um ofício enviado ao Ministério da Saúde e ao Ministério do Trabalho, que "é manifestamente injusto, oneroso e desumano para todos aqueles asseguram cuidados de Saúde, em particular em fase de emergência de saúde pública internacional."

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O Ministério da Saúde já reagiu e diz que o caso já está a ser avaliado. "Verificou-se um atraso no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra na entrega à Segurança Social dos certificados de incapacidade temporária para o trabalho relativamente a alguns profissionais. O hospital procederá ao devido acerto das verbas em causa durante a próxima semana", revelou fonte do Ministério da Saúde ao mesmo jornal.

Apesar disso, a Ordem dos Enfermeiros voltou a reforçar a necessidade de se criar "um mecanismo de presunção legal, excecional e transitório, de modo a caraterizar a COVID-19 como doença profissional para todos os profissionais de saúde que a contraíram em exercício de funções".

E pede que esses mesmos profissionais, que sejam infetados e fiquem impossibilitados de regressar ao trabalho temporariamente, "não sofram quaisquer cortes" e possam receber o seu salário a 100%.

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