O ensino presencial regressou no passado dia 10 de janeiro, com um novo referencial de medidas para as escolas no que diz respeito à COVID-19. Agora, as medidas coletivas de isolamento e encerramento de turmas deixaram de estar previstas de uma forma primária e passaram a ficar reservadas apenas para situações de surtos escolares, que são avaliados caso a caso pelas Autoridades de Saúde locais e regionais.

Com a queda dos isolamentos, aumentou a testagem que, neste momento, está a ser pedida pela maioria das escolas semanalmente. Os pedidos trouxeram assim questões como: "Faz mal testar as crianças com regularidade? É legal obrigar as crianças a fazerem teste após terem tido contacto com um caso positivo? A escola pode impedir o meu filho de regressar às atividades sem teste?".

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A verdade é que, como explica Raquel Vareda, médica interna de Saúde Pública, a melhor forma de impedir a propagação do vírus é testar os funcionários e as crianças sempre que necessário, mas a lei não estipula que o teste seja obrigatório. "Legalmente, a escola não tem a autoridade de dizer que a criança não pode regressar sem teste. A única pessoa que poderia fazer isso é a figura da autoridade de saúde, que é aquilo que as pessoas conhecem como delegados de saúde", explica a especialista à MAGG.

"Podemos decidir que o risco é muito grande e que, por isso, se a pessoa não quer fazer teste, tem de fazer isolamento. Neste momento não estamos a fazer isso, mas depende do caso clínico. Há colegas que podem considerar que há muitos casos e, por isso, decidem decretar isolamento devido a um surto, por exemplo. Mas as orientações que temos da DGS é para fazer isso o menos possível porque, neste momento, é como se fossem quaisquer casos (como nos transportes ou trabalho), mas a escola em si não pode fazer isso", esclarece.

Questionada por vários pais sobre este tipo de situações, Raquel Vareda decidiu fazer uma publicação no Instagram que resume as dúvidas mais frequentes.

Muitas vezes, o receio surge ainda relacionado com a frequência com que estão a ser pedidos testes às crianças. Manuel Magalhães, pediatra, esclarece contudo que os testes à COVID-19 não têm qualquer implicação negativa para a saúde dos mais novos.

"Não há qualquer problema em testar com regularidade. Aconselho os pais a confiarem nos testes porque há muita experiência adquirida na execução e não temos assistido a complicações. É obvio que algumas crianças reagem melhor e outras pior. Eu tenho feito testes ao meu filho de 5 anos, ele não gosta muito, é verdade, mas é algo super transitório e não é uma coisa que tenha um impacto assim tão negativo", diz o pediatra.

Quanto à decisão de deixar de mandar as crianças para casa sempre que há um caso positivo na turma, Manuel Magalhães não podia estar mais de acordo.

Testes de saliva são os mais adequados para as crianças

"Concordo absolutamente. O foco deve estar na prevenção com a vacinação e com as medidas gerais de etiqueta respiratória. Se assim não for, é assumir que vamos ter outra vez o ano inteiro com as escolas fechadas", explica. "Isto são normas que já estão a ser usadas noutros países. Há contacto, testa-se e mantém-se as atividades normais sendo negativo. Estamos a falar do terceiro ano consecutivo de restrições destas faixas etárias e isso é muito negativo", continua o pediatra.

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Quanto aos testes disponíveis no mercado, o especialista refere que, para esta faixa etária, os melhores, a nível de conforto, são os testes feitos com saliva. Contudo, tratam-se de testes PCR e, por isso, os custos são acrescidos. "Em termos económicos não é tão acessível, mas claro que é uma alternativa fantástica", frisa.

Contudo, Raquel Vareda explica que, no caso dos testes PCR com prescrição (sem custos), os pais podem optar por pedir o teste feito com saliva. Questionada sobre se os contactos de baixo risco podem ter prescrição para teste PCR, a especialista esclarece.

"Supostamente não, mas sei que há quem prescreva nestes casos. Na verdade, irá depender de quem atende o telefone. O que seria suposto acontecer é que os pais da criança que está positiva identificassem todos os colegas com quem a criança esteve. Mas sabemos que isso, em termos práticos, é muito difícil acontecer. Estamos a falar de inserir dezenas de crianças no formulário, algo impraticável."

Assim, os especialistas aconselham a que as crianças continuem a ser testadas  para tentar minimizar a propagação do vírus. Quando se verificam muitos casos numa turma ou escola, Raquel Vareda explica ainda que cabe à escola em questão entrar em contacto com a Autoridade de Saúde para, em conjunto, decidirem o que deve ser feito.

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