Fernando Medina, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), fez esta quinta-feira, 10 de junho, um pedido de desculpa público pela partilha de dados pessoais de manifestantes anti-Putin, em Lisboa, com a Rússia, depois de estes terem pedido autorização à CML para a realização de uma manifestação, ocorrida em janeiro, após a detenção do ativista Alexei Navalny.

"[Foi um] erro, a todos os títulos, lamentável, que não podia ter acontecido: dados de natureza pessoal foram transmitidos para a embaixada [russa em Portugal]. É um erro que, como digo, e repito, não podia ter acontecido por várias razões", começou por dizer aos jornalistas, segundo escreve o jornal "Público".

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"A principal das quais é que Lisboa tem orgulho em ser um espaço de liberdade, segurança, expressão e valorização dos direitos humanos, direito à manifestação, que tanto nos custou conquistar e que tanto prezamos", continuou.

Falando de um "erro da Câmara [Municipal de Lisboa]", Medina fala de uma "informação que não podia nem devia ter sido transmitida", explica, adiantando ainda que o protocolo já terá sido alterado para que erros destes não se repitam.

Pedidos de demissão mostram "aproveitamento político"

Quanto ao pedido de demissão, vindo de Carlos Moedas, candidato do PSD à CML, Medina fala num "delírio desesperado" e de uma "tentativa de aproveitamento político absolutamente evidente", segundo cita o jornal "Observador".

"É mais uma mostra de desespero do que de preocupação genuína", conclui.

O pedido de desculpa surge depois de ter sido noticiado que a CML enviou à embaixada russa, em Lisboa, e ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, os dados pessoais de três organizadores de uma manifestação contra Putin em Lisboa após a detenção, em janeiro, do ativista Alexei Navalny, informação avançada pelo "Expresso" e pelo "Observador".

O envio dos dados surge depois de três manifestantes, dois deles de dupla nacionalidade, russa e portuguesa, terem pedido autorização à CML para a realização de uma manifestação realizada em janeiro — que requer sempre o envio dos dados pessoais de pelo menos três organizadores para que, depois, sejam cedidos à Polícia de Segurança Pública (PSP), escreve o jornal "Expresso".

O objetivo é simples: no caso de necessidade de alteração do trajeto da manifestação, a PSP tem de saber como contactar os organizadores responsáveis.

Esses dados, no entanto, acabaram também por ser enviados não só para a embaixada russa em Portugal, mas também para a própria Rússia.

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