Assédio sexual e moral. São estas as acusações feitas por Leonor Poeiras. Em entrevista ao "Expresso" (acesso online restrito a assinantes), a apresentadora revela que foi assediada "já faz muitos anos" quando começou a fazer psicanálise com Frederico Pereira, um dos especialistas mais reputados da área e primeiro reitor do Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida (ISPA).

Leonor Poeiras começa por explicar que este acompanhamento foi fundamental naquela fase da sua vida. O especialista diagnosticou-lhe uma depressão e o assédio terá começado bastante tempo depois do início da terapia, mais precisamente ao fim de 200 sessões, em setembro de 2012. Na entrevista, Poeiras explica que costumava trocar mensagens com o psicoterapeuta.

"(...) eu recorria a ele quando estava num momento muito mau. Era frequente trocarmos SMS ao domingo. Eram sessões muito íntimas: a terapêutica freudiana é muito assente num autoconhecimento que vem da nossa sexualidade. Entreguei-me por completo a esta pessoa. Só numa madrugada, ao fim de 200 sessões, é que eu percebi o que estava a acontecer..."

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O psicoterapeuta enviou uma mensagem à apresentadora, enquanto esta estava "na Costa de Caparica de férias numa cabana". O conteúdo da mensagem, enviada de madrugada, está descrito na entrevista e refere um convite para visitar a apresentadora. "Esta é uma mensagem erótica, erotizante, que me chocou profundamente. O que me enoja nisto tudo é ele acreditar que a sua investida podia ser bem recebida."

Frederico Pereira, o psicanalista que Poeiras acusa de assédio
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O que aconteceu depois, conta Leonor Poeiras, foram uma série de sms e emails, em que Frederico Pereira lhe pede para retomar o contacto e se desculpa pela referida mensagem.

A apresentadora decidiu terminar a psicanálise com Frederico Pereira mas o alegado assédio, de que Leonor Poeiras guardou todas as provas (sms e emails) não ficou por aqui. Depois, relata, o psicanalista enviou-lhe um email com uma "avaliação" como paciente, que a apresentadora descreve como "grosseira, vingativa, que mostra um ego ferido".

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A missiva é revelada na entrevista ao "Expresso". "Entendi, mal, que tinha atingido níveis que agora obviamente não alcançou. A sua atitude revela uma interpretação da sua parte que é ofensiva: transformou uma partilha de pensamentos, mal formulada é certo, numa tentativa de ‘engate rasca’ ou de ‘sedução parola’. Se não se tivesse posto em bicos de pés poderia ter dado um salto importante, esclarecendo as suas reações e procurando compreender as minhas."

Leonor Poeiras explica ao "Expresso" que não avançou com uma queixa por aconselhamento de uma psiquiatra. "Não era capaz de ser confrontada em tribunal com ele a falar sobre a minha vida íntima, principalmente porque não estava numa fase boa. E o processo ser público."

Em 2020, Poeiras decidiu finalmente avançar com uma queixa à Ordem dos Psicólogos, que respondeu que a possibilidade de um processo disciplinar já tinha prescrito (o prazo são 5 anos). A ex-apresentadora da TVI recorreu depois a um advogado mas a resposta foi a mesma.

Em declarações ao "Expresso", Frederico Pereira começa por dizer que não deve "responder a pessoas perturbadas". Depois, acaba por admitir que enviou a mensagem a Leonor Poeiras, que descreve como sendo "a expressão de um sonho". "De facto às 4 da manhã, quando acordei, terei dito essas coisas. Mas esse assunto ficou por aí. Não tem nenhuma insinuação sexual."

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