Sete médicos do movimento Médicos Pela Verdade, um grupo conhecido pela desvalorização e partilha de informação falsa sobre o vírus SARS-CoV-2, têm agora processos disciplinares abertos pela Ordem dos Médicos. Este movimento também se assume contra o uso de máscaras enquanto medida de prevenção ao surto do novo coronavírus e recusa testes de diagnósticos pela técnica de PCR. Além da Ordem dos Médicos, sabe-se que a Ordem dos Psicólogos está agora a investigar a eventual participação de psicólogos neste grupo negacionista.

Face às denúncias que foram recebendo, a Ordem dos Médicos "decidiu compilar o dossiê e remeteu-o para os conselhos disciplinas respetivos, para análise e feitos tidos como convenientes", explica fonte da Ordem ao jornal "Público" que reforça "o cumprimento das regras já conhecidas, como a higiene das mãos, o uso de máscara e distanciamento físico são determinantes para o combate à pandemia e devem ser acolhidos por todos os cidadãos."

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Esses processos disciplinares tiveram origem em pelo menos três queixas, segundo conseguiu apurar o mesmo jornal. Duas delas referentes ao médico Gabriel Branco, diretor do serviço de Neurorradiologia do Hospital Egas Moniz, que é também um dos fundadores do movimento.

Na página do movimento, o grupo refere-se a uma "enorme desproporção entre o mediatismo do fenómeno e gravidade" do novo coronavírus e recusam o rótulo de negacionistas. "Não negamos que se trata de uma virose respiratória com repercussões pulmonares que podem ser muito graves nos pacientes com imunidade deprimida, doenças pré-existentes ou idade muito avançada", lê-se. Mas desvalorizam os efeitos que possa ter em pessoas de baixo risco.

Numa das queixas, o diretor do serviço de Neurorradiologia foi ainda acusado de ter incitado à desobediência no que toca ao uso generalizado de máscara e de não a usar nas áreas comuns do Hospital Egas Moniz, segundou avançou o "Observador". Gabriel Branco, no entanto, diz que só a tira quando está no seu gabinete.

Face à instauração de um processo disciplinar, Gabriel Branco apoia-se na defesa da liberdade de expressão. "Há uma perseguição a quem quer emitir a sua opinião de forma livre e documentada. Apenas manifestámos a nossa opinião, que discorda do discurso oficial. Nenhum de nós, médicos que não concordamos com o discurso dominante, foi ouvido nomeadamente pela comunicação social dominante", diz ao "Público".

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Pedro Abreu, professor aposentado da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, foi uma das pessoas a denunciar formalmente o grupo Médicos Pela Verdade, que diz que o discurso do movimento potencia a propagação do vírus em comunidade e, por isso, é "uma ameaça à saúde pública".

"A base das queixas é a seguinte: as posições defendidas publicamente pelo movimento são uma ameaça à saúde pública, que podem contribuir para o crime de propagação da doença. Têm subjacente a propagação de desinformação científica que encontramos nas redes sociais. E essa desinformação científica é uma ameaça à saúde pública", refere à mesma publicação.

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