Não é nenhuma novidade que uma pessoa bem parecida pode ter a vida um pouco facilitada em alguns aspetos. Falamos de lhe cederem o lugar na fila do supermercado, serem servidas mais depressa numa esplanada ou até conseguirem arrecadar a última dose de arroz de pato num restaurante apinhado.

Mas se estas banalidades do dia a dia podem até ser comuns na sociedade, o mesmo não se pode dizer de privilégios em setores importantes da vida, como os resultados escolares — ou, pelo menos, assim se pensava até à data.

De acordo com um estudo divulgado em 2016, conduzido por dois economistas na Metropolitan State University of Denver, nos EUA, as pessoas atraentes têm tendência a ter melhores notas, quando em comparação com outros alunos com as mesmas qualificações e aptidões.

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O estudo, liderado por Rey Hernández-Julián e Christina Peters, descobriu que esta tendência acontece maioritariamente com mulheres. Segundo dados da pesquisa, os investigadores não conseguiram encontrar uma ligação consistente entre as notas e o nível de beleza dos estudantes de sexo masculino.

Já falando das estudantes, este estudo veio comprovar que muitos professores, para além de calcularem notas finais com base nos resultados de exames, trabalhos e assiduidade, também levam o fator “beleza” em conta.

Anatomia de um estudo

Apresentado na reunião anual da American Economic Association, o estudo usou dados dos mais de 77 mil estudantes que frequentaram a Metropolitan State University of Denver entre 2006 e 2011. Os investigadores reuniram as fotos de identificação dos alunos e pediram a 37 pessoas (participantes sem qualquer ligação à universidade, de várias idades e etnias) para classificar as imagens de acordo com uma escala de beleza, de um a dez.

De seguida, os investigadores controlaram o estudo ao examinar mais de um milhão de notas de cada estudante, levando em conta a sua aptidão académica, usando fatores como os resultados dos exames de admissão à faculdade.

A amostra final do estudo (vários alunos foram eliminados por diferentes razões, como não terem uma fotografia no arquivo da faculdade, por exemplo) comparou 6,777 estudantes e 168,092 notas finais.

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Baseados na classificação de beleza efetuada pelos participantes, os dois economistas dividiram os alunos em três categorias: pouco atraentes, comuns e muito atraentes.

Beleza pode ser sinónimo de melhores resultados escolares

Concluída a pesquisa, vamos aos resultados: para as estudantes, existiu um aumento de 0.024 nas notas (numa escala de quatro) por cada ponto a mais na escala de beleza.

Não houve um aumento de notas direto no grupo das alunas muito atraentes. No entanto, o estudo comprovou que o grupo das pouco atraentes tinha, em média, 0,067 pontos abaixo do grupo das mulheres comuns.

Christina Peters, uma das investigadoras, em declarações à "Newsweek" afirmou que “uma estudante pouco atraente não vai chumbar [devido à sua aparência]. Mas não deixa de ser desconcertante que tenhamos chegado a estes resultados”.

O tratamento favorável está no ensino

Os investigadores consideram que os resultados obtidos não significam necessariamente que os alunos estejam a obter tratamento favorável em termos de classificação. Pelo contrário, pode significar que os estudantes atraentes estão a receber tratamento favorável enquanto estão a ser ensinados.

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Os professores podem prestar mais atenção ao ensino de estudantes atraentes (inconsciente ou conscientemente), e podem desempenhar um papel nas notas mais altas destes.

"Os alunos mais atraentes recebem notas mais altas, mas essas notas são, na verdade, resultado da sua aprendizagem", escreveram no estudo. “Nesse caso, a aparência induz apoio mais personalizado da parte dos professores.

Rey Hernandez-Julian forneceu à "Newsweek" um contexto adicional, dando mais explicações num e-mail enviado à publicação: “Suponha que tem dois alunos que o procuram após as aulas para obter ajuda numa tarefa. Devido a preconceitos inconscientes, um professor pode passar mais tempo com o aluno mais atraente. Como resultado, esse aluno aprende mais e produz um trabalho melhor, com uma nota mais alta. Se for esse o caso, a aparência do aluno é produtiva porque na verdade ajuda-o a alcançar um nível mais alto de aprendizagem. ”

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