O WhatsApp tem agora um sistema responsável por analisar a veracidade de notícias que surjam sobre a pandemia da COVID-19. Embora tenha sido criado em maio pela rede de verificação de factos International Fact-Checking Network (IFCN) do Instituto Poynter, uma das escolas de jornalismo mais conceituadas dos EUA, só agora é que o sistema é capaz de reconhecer a língua portuguesa.

O método de funcionamento não podia ser mais simples: pode ativar o serviço acedendo a esta hiperligação ou enviar uma mensagem para o número +1 (727) 2912 através do WhatsApp.

Depois disso, o processo é semelhante ao de uma conversa normal. Só que aqui terá várias opções de pesquisa para que possa verificar e até desconstruir alguma da informação que lhe vai chegando através de janelas de chat ou das redes sociais.

A ideia começou a ser trabalhada a 24 de janeiro, numa altura em que o novo coronavírus já tinha tirado a vida a 17 pessoas e contaminado outras 600. Mas mesmo nessa fase inicial, já se assistia a várias ondas de desinformação na internet. Quem o diz é Cristina Tardáguila, uma das responsáveis pela implementação do software e diretora-adjunta da IFCN.

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"Depressa percebemos que se começou a gerar uma grande onda de desinformação e que tomava as redes sociais. Por isso, começámos a trabalhar com vários checkadores da Europa e da África através da organização de uma base de dados na qual inseríamos todas as desconstruções de mitos e notícias falsas que iam sendo partilhadas. O que concluímos foi que, independentemente do país, o tipo de desinformação que ia sendo partilhada era muito semelhante", explica Tardáguila em conversa por telefone à MAGG.

Só que à medida que as notícias falsas e os rumores infundados foram inundando as redes sociais, nascia uma certeza: era preciso tornar pública essa base de dados que, "só no começo de maio, registava já mais de oito mil verificações de dados".

Inicialmente foi disponibilizada no site oficial da IFCN, mais tarde materializou-se num chatbot em inglês e depois deu-se a "estimulação dos parceiros regionais para que estes criassem as suas versões nas suas próprias línguas".

A ferramenta foi disponibilizada em espanhol, em hindi e agora em português (do Brasil e de Portugal). Mas a escolha não foi ao acaso, "uma vez que são as principais línguas usadas dentro do WhatsApp".

Em Portugal, uma das ondas de desinformação surgiu na forma de ficheiros de áudio de alegados médicos que diziam que a situação epidemiológica no País era muito mais grave do que aquilo que as autoridades de saúde transmitiam à população. No mundo inteiro, no entanto, foi só uma das oito ondas de desinformação identificadas pelos verificadores de conteúdo.

"A primeira onda diz respeito à origem do vírus, com muitas pessoas a atribuírem o novo coroanvírus ao morcego ou ao Bill Gates. A segunda onda já dizia respeito à partilha de vídeos e fotografias manipuladas com pessoas a desmaiar no metro e no mercado. A terceira ainda hoje continua a ser partilhada, e diz respeito às falsas curas e aos falsos métodos de prevenção. Já todo o mundo ouviu que era recomendável tomar vitamina C, hidroxicloroquina ou alho, mas cada país teve a sua especificidade. Nos EUA recomendavam água oxigenada, na Índia dizia-se que a urina de vaca era útil e na Argentina era o chá de limão o que prevenia o vírus", explica Cristina Tardáguila.

A quarta onda, que ainda hoje é perpetuada através de líderes políticos, teve que ver com o ódio à população chinesa. "Há um ódio muito grande às pessoas vindas da China por, consideram estes líderes, terem falhado em conter o vírus. Estes, claro, respondem na tentativa de se defender", explica. "A quinta onda tem que ver com a desinformação difundida através de ataques informáticos e fraude fiscal, enquanto que a sexta onda tem que ver com a ultrapolitização do vírus."

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A sétima onda, claro, tem que ver com a vacina que embora ainda não exista, já está a ser atacada pelo movimento anti-vacina. Todas estas ondas têm requerido uma atenção maior de todos os verificados de conteúdo no mundo, mas os números de utilizador deste novo chatbot são animadores.

Cristina Tardáguila diz que, em média, são já 60 mil os utilizadores a usar o serviço — uma utilização com uma tendência ascendente. "É um impacto esperado, especialmente junto do público que fala português, já que é quem mais usa o WhatsApp", defende.

Mas há outras justificações para o sucesso: "É gratuito e oferece algumas das informações mais pesquisadas, ou que mais viralizaram nas últimas horas, em jeito de resumo sem que a pessoa precise de sair do WhatsApp", conclui.

Ainda que os utilizadores tenham acesso a todas as agências de verificação de dados, em Portugal os resultados que são mostrados em primeiro lugar são os verificados pelo Observador e Polígrafo, ambos parceiros da IFCN.

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