Depois de o ter feito com o Snapchat, o Facebook, que detém o Instagram, volta a copiar a concorrência ao adaptar para o Instagram a funcionalidade que fez do TikTok uma das aplicações mais utilizadas de 2020. É que a partir de agora vai ser possível criar vídeos curtos, de apenas 15 segundos, com "áudio, efeitos e novas ferramentas criativas" dentro do Instagram. O nome da funcionalidade? Instagram Reels, que se junta agora às Instagram Stories copiadas do Snapchat.

O método de funcionamento não podia ser mais simples. E porque o Instagram não quer mudar a forma como os seus utilizadores usam o serviço, a nova funcionalidade foi adicionada a um canto da aplicação a que todos já se habituaram a aceder — o das Instagram Stories. No ecrã onde antes podia escolher entre uma Story e um vídeo em direto, vai agora encontrar a opção "Vídeos do Reels" para pequenos momentos de 15 segundos aos quais vai poder juntar canções, efeitos, filtros ou ainda alterar a velocidade de reprodução do seu vídeo.

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As semelhanças com o TikTok são, portanto, inegáveis. Mas há uma diferença: é que, ao contrário do que acontece com a aplicação chinesa, o Instagram não vai permitir que os Reels possam ser exportados na íntegra para serem partilhados nas redes sociais. Mas não será isso a impedir que o serviço ganhe tração junto dos utilizadores do Instagram.

A opinião é de Matt Navarra, especialista em redes sociais e um reconhecido consultor de social media no Reino Unido que, diz à MAGG, não tem dúvidas de que o Instagram Reels será "um grande sucesso da plataforma". Mas ressalva que esse sucesso não vai chegar nos próximos três, seis ou até 12 meses de vida do serviço.

"Quando digo que será um grande sucesso, isso não quer dizer que seja um sucesso imediato. Não vai acontecer de um dia para o outro nem nos próximos três, seis ou 12 meses. Acho, sim, que daqui a dois anos vamos olhar para trás e ver que esta decisão do Instagram foi inteligente e que, já nessa altura, terá conseguido fidelizar um número de utilizadores considerável", explica por telefone.

O sucesso do TikTok apela à imitação — e vem aí mais um clone

Mas isso não significa que o TikTok vá acabar até porque, segundo Navarra, tudo o que o serviço chinês tem feito até agora tem sido "bastante eficaz" ao ponto de não precisar de qualquer reinvenção drástica. "O TikTok teve um crescimento explosivo e destacou-se por ser uma coisa única e muito especial, que atraiu as pessoas, muito porque não existia algo semelhante nas outras plataformas."

Quando questionado pela MAGG sobre se considera que o TikTok tem estado a fazer tudo de forma correta, Matt Navarra é assertivo na resposta. "Sim". E a prova de que o percurso da aplicação tem sido feito "através de uma série de boas decisões é que agora há quem a queira copiar" — referindo-se não só ao Facebook, mas também ao YouTube, que está já testar um clone do TikTok para a sua plataforma.

Instagram copia a concorrência e lança o Reels para vídeos de 15 segundos. O TikTok vai acabar?
Matt Navarra falou com a MAGG diretamente do Reino Unido, onde analisa o lançamento do Instagram Reels e o futuro do TikTok

"Esta tendência mostra que o rumo do TikTok deve ser continuar a apostar naquilo que o fez ficar conhecida em primeiro lugar", continua. Mas como é que isso se materializa em novidades palpáveis e capazes de atrair novos utilizadores?

Para o especialista é simples: "Assegurar que o grau de inovação se mantém, apostando em novas funcionalidades para melhorar o serviço, e reforçar as ligações com influenciadores digitais e criadores de conteúdo para que, a longo prazo, também eles possam estar mais próximos da plataforma e o retorno do investimento seja seguro." Mas essa relação de proximidade tem outra vantagem, já que impede esses mesmos influenciadores de darem o rosto pela concorrência.

Mas o "estrago", à falta de melhor termo, está feito. É que o anúncio do Instagram Reels abriu um precedente "que permitirá que o TikTok seja copiado por outras empresas, especialmente porque mostrou que uma aplicação leve e alegre é capaz de desafiar o domínio do Facebook" no mercado. Por isso, não é difícil para Matt Navarra dizer que o TikTok se tornou mais do que uma simples app.

Quantos são os utilizadores ativos que, diariamente, abrem o TikTok e o Instagram?

  • Até julho de 2020, o TikTok registou um total de 800 milhões de utilizadores ativos em todo o mundo.
  • No mesmo período, o Instagram registou um total de 1.082 mil milhões de utilizadores ativos no mundo inteiro.

"O TikTok foi um serviço inovador e disruptivo porque na altura em que foi lançado [a 2 de agosto de 2018, a todos os países além da China], não havia nada que tivesse este tipo de características ou este apelo de marca. Isto permitiu a construção de vários grupos de nicho e de vários subculturas que ainda hoje fazem toda uma comunidade do TikTok. Melhor ainda: foi visto como uma alternativa ao Instagram e ao Facebook, plataformas com um grau de produção mais elevado, enquanto que no TikTok é tudo muito mais relaxado, informal e acessível a todos, onde a pressão para apresentar um conteúdo polido e perfeito é muito menor", refere.

E essas características são as mais difíceis de replicar por quem, diz Navarra, só está preocupado em copiar as funcionalidades mais importantes de um determinado serviço.

Mas esse foi o mesmo argumento usado por quem, em 2016, achou que as Instagram Stories nunca poderiam chegar a ter o mesmo grau de sucesso (e de adesão) do Snapchat — porque também este último era único, especial e capaz de apelar a um grande número de jovens. Cerca de quatro anos depois, o número de utilizadores do Snapchat está em queda.

O futuro é incerto, mas o TikTok poderá reforçar a sua imagem de marca

Mas o consultor de redes sociais diz que, neste caso, há uma diferença importante a realçar. É que o fator novidade que o TikTok oferece não está no formato — que já existia em plataformas anteriores como o Vine —, mas sim na forma como esse conteúdo chega às pessoas e reforça a marca junto de uma comunidade inteira que, aliciada pelo que vê, quer experimentar.

E embora reforce que o Instagram Reels vai, a longo prazo, conquistar um número considerável de público, o especialista recorda que as marcas Facebook e Instagram estão sentir cada vez mais resistência junto dos utilizadores com todas as audições feitas à empresa devido à forma como esta tem lidado com a proliferação de notícias falsas em toda a rede.

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Mas do lado do TikTok, a vida também não está fácil depois de Donald Trump ter anunciado a intenção de proibir a aplicação em todo o território americano.

"São acontecimentos destes que dificultam qualquer tentativa de previsão sobre o que poderá acontecer ao TikTok ou ao Instagram Reels", mas o especialista acredita que há espaço no mercado para que as duas coexistam. Para o TikTok será possível reforçar a sua imagem de marca, assente numa ideia de positivismo e de descontração, especialmente agora que o Facebook e o Instagram enfrentam um novo teste à medida que as eleições americanas, que vão opor Donald Trump a Joe Biden, se aproximam.

Quanto ao Reels, adianta, o Facebook vai sair-se bem, mas sempre a longo prazo. "[O Reels] vai fazer um percurso a ritmo lento, acompanhando e tentando cativar utilizadores e interesse mediático, mas não vai ter um crescimento explosivo e imediato ao ponto de acabar com o TikTok. Vai ser um crescimento gradual e nunca exponencial", conclui.

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