Estão a ser encontradas cada vez mais sequelas da pandemia, doenças identificadas em doentes considerados recuperados da COVID-19. A mais recente assemelha-se a uma gripe, mas tem uma diferença muito particular: além de os sintomas persistirem durante muito mais tempo, os cuidados de que um doente passa a precisar são prolongados e há uma grande probabilidade de os sintomas reapareceram em pelo menos metade do número de doentes afetados.

A estes casos dá-se o nome de pneumonia organizativa, embora o nome seja tudo menos novo, uma vez que foi identificada na década de 80 e descrita não como uma doença, mas sim como uma reação. "É uma resposta inflamatória que deixa de estar dependente do agente que a provocou — microorganismos, doenças autoimunes, radioterapia, transplante ou até fármacos — e que, por isso, se prolonga", explica António Morais, presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, ao jornal "Expresso".

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Nestes casos, continua, "é o próprio pulmão que tem uma reação persistente, com a organização de uma espécie de tufos nos alvéolos que vão migrando de um ponto para outro."

Nos casos de doentes que apresentem este tipo de reação, os sinais de alarme identifica-se através de sintomas como febre baixa, cansaço, falta de ar e tosse. "O que está a acontecer é que, após o caso agudo provocado pela COVID-19, há um arrastar de sintomas que leva muitos doentes a achar que ainda não se curaram", refere.

Há cada vez mais doentes com esta pneumonia rara

Mas se até aqui o número de diagnósticos desta reação inflamatória estava estipulada nos "dez a 20 casos" por ano, "só no [Hospital de] São João, após a primeira vaga da COVID-19, tratámos 100 doentes com pneumonia organizativa", revela o especialista à mesma publicação.

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Os primeiros sintomas, diz, podem aparecer ou arrastar-se logo nas primeiras semanas após a infeção com a doença do coronavírus. "O fator fundamental é a persistência dos sintomas. Se continuam ao longo de semanas, deve ser feito um estudo de imagem, com TAC de alta resolução, e da função respiratória. Tenho visto muitos doentes em acompanhamento pós-COVID e pode surgir em quem teve uma doença ligeira", explica Carlos Robalo Cordeiro, diretor de Pneumologia do Centro Hospital e Universitário de Coimbra, ao mesmo jornal.

"Não sabemos se pode evoluir para fibrose e para compromisso do interstício, a zona mais periférica do tecido pulmonar. Normalmente, há uma evolução benigna, mas a possibilidade de recidiva é enorme. Mesmo com recuperação total meses depois, a recaí­da é muito frequente, em 50% das situações”, explica.

No que toca ao tratamento, António Morais, presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, diz que esta reação é combatida através do uso de "corticoides e durante mais tempo do que as outras pneumonias". O tempo médio do tratamento? "Nunca menos de dois a seis meses", garante.

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