A partir desta segunda-feira, 28 de junho, os turistas que chegam Portugal continental vindos do Reino Unido têm de fazer quarentena de 14 dias, com exceção daqueles que apresentem "comprovativo de vacinação realizada nesse país", diz o despacho publicado este domingo à noite, 27, em Diário da República. A medida, em vigor até 11 de julho, aplica-se também a mais quatro países: África do Sul, Brasil, Índia e Nepal.

O isolamento profilático poderá ser feito "no domicílio ou em local indicado pelas autoridades de saúde", o que significa que depois dessa data, e caso não sejam registados sintomas da COVID-19, os turistas poderão circular pelo território de Portugal continental para usufruir das férias. Contudo, uma vez que o mercado britânico representa uma larga fatia do turismo no Algarve, esta nova medida — após outra vinda do Reino Unido, que colocou Portugal na lista amarela no início de junho — permite já prever um impacto negativo na região.

"Apesar das restrições que o próprio Reino Unido impõe terem ditado uma quebra grande, a seguir ao término na classificação da lista verde de Portugal, estávamos a ter uma procura de cerca de dois mil passageiros britânicos diários. Agora fica, naturalmente, ainda mais comprometida [a procura]", diz o presidente do Turismo do Algarve, João Fernandes, à MAGG.

Esta medida é o primeiro travão de Portugal relativamente ao mercado britânico, uma vez que até agora os recuos têm sido feitos pelo Reino Unido. Primeiro, esteve na mesa a possibilidade de fechar fronteiras e impedir os britânicos de sair do País até 30 de junho deste ano, medida que não se confirmou. Seguiu-se a decisão de retirar Portugal da lista verde, ou que implica que quem decide viajar para Portugal, ao regressar ao Reino Unido, terá de cumprir dez dias de isolamento e ainda realizar de dois testes PCR ao segundo e ao oitavo dia após o regresso. De acordo com o prazo estabelecido, a medida será revista esta semana.

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Contudo, agora é Portugal quem impõe quarentena à chegada, situação que acontece à semelhança das normas aplicadas por outros países ao Reino Unido, como Alemanha, Malta, Itália e Espanha. A medida é de precaução, mas o presidente do Turismo do Algarve reconhece que terá consequências não só a curto, como a longo prazo.

"Há vários estudos, até específicos para o mercado britânico, que apontam exatamente no sentido de que esta incerteza e contratempos que são impostos a quem, por exemplo, já decidiu viajar e depois vê-se surpreendido com medidas que os obrigam a regressar de férias ou permanecendo, com quarentena, tem já um impacto na vontade dos britânicos em sair do seu território", refere João Fernandes.

Segundo o presidente, face às novas restrições, não será feito um esforço por captar o mercado português, uma vez que este tem sido sempre uma aposta. "Nunca houve um ano em que tivéssemos uma negligência para com o mercado que é natural no Algarve, que é o nacional", sublinha, acrescentando que aquilo que "acontece agora é que muitos portugueses não vão viajar para fora, portanto, há que captar essa procura para o Algarve", diz.

No entanto, uma parte dos portugueses que habitualmente procuram fazer férias no Algarve também terá diminuído devido às restrições de circulação impostas ao fim de semana na Área Metropolitana de Lisboa desde 18 de junho. "Da última vez, houve alguns cancelamentos, porque a notícia foi muito em cima do fim de semana. Este fim de semana [de 25 a 27 de junho], as pessoas já não vêm. Os portugueses têm por hábito reservar muito perto da data. Não há tantos cancelamentos, há é sim potencial de procura que não se esgota", continua João Fernandes.

"Em todas as unidades do grupo, sofremos cancelamentos logo a partir do momento em que a medida foi anunciada"

Ao contrário da sazonalidade do Algarve, Lisboa é um dos locais que todos os anos, e em qualquer altura do ano, recebe turistas do Reino Unido. Com a nova medida do governo português, o gestor de vendas das unidades do grupo StayUpon Hospitality Group — que integra os apartamentos de quatro estrelas do Upon Lisbon Prime Residences e as Casas da Baixa, em Lisboa, e ainda o resort Praia do Sal, em Alcochete — revela que o impacto foi imediato.

"Em todas as unidades do grupo, sofremos cancelamentos logo a partir do momento em que a medida foi anunciada", diz Heinrich Tontur, sales & business development manager do grupo. Contudo, Heinrich mantém-se otimista pelo facto de o grupo não depender dos turistas do Reino Unido.

"Felizmente, nas nossas unidades, a abrangência de mercados é relevante. Logo, apesar do Reino Unido ser um mercado importante nas mesmas, e do mesmo poder vir a representar um decréscimo de ocupação a rondar os 10% nos meses de verão, o impacto do decréscimo desse mercado nesses meses é mais sentido no consumo de outros serviços dentro das nossas unidades", como é o caso do restaurante do Upon Lisbon, o Dona Joaquina, com um novo conceito que trocou a cozinha tradicional por um twist internacional, bem como do Omaggio, da Praia do Sal.

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