Como se sobrevive à morte do amor da nossa vida? A pergunta é universal e vale para pobres, ricos, anónimos ou famosos, príncipes ou plebeus. E, entre tantas outras questões que ocuparão a cabeça e o espírito daquela que é a mais longeva monarca do Reino Unido, esta será uma delas.

O príncipe Filipe morreu esta sexta-feira, 9 de abril, aos 99 anos. Completaria 100 em junho e o casal celebraria em novembro 74 anos de casamento (o mais longo de qualquer monarca britânico). Uma frase, proferida pela princesa Eugenie em 2012, aquando do Jubileu de Diamante da avó, descreveria na perfeição a relação de um casal que viveu um amor de mais de oito décadas. "Eles são, de forma impressionante, o casal que mais se apoia um ao outro". 

O casamento

Tinham-se passado apenas dois anos após o final da II Guerra Mundial quando Filipe de Mountbatten e a então princesa Isabel deram o nó. Estávamos em 1947. Ele tinha 26 anos e ela 21. O namoro, que começou oito anos antes com uma troca de cartas entre dois adolescentes, culminou com o pedido de casamento ao rei Jorge VI, no verão de 1946.

Entre o período que mediou o noivado e o casamento, Filipe abdicou da sua nacionalidade grega (a família viu-se obrigada a partir para o exílio quando ainda era uma criança) e dos títulos de príncipe da Grécia e Dinamarca, naturalizando-se cidadão britânico.

Num país profundamente marcado pela destruição e pela crise, Filipe viu na transmissão televisiva do casamento uma forma de modernizar a monarquia e de a reaproximar do súbditos. A realidade confunde-se com a ficção mas, na primeira temporada de "The Crown", é possível ver o futuro marido da rainha a coordenar as operações de montagem de equipamento da BBC na abadia de Westminster. O casamento aconteceria a 20 de novembro de 1947 e seria o primeiro grande evento televisionado, tendo sido visto por 200 milhões de pessoas em todo o mundo.

A coroação

Após o casamento, e sendo necessário criar o nome da casa real do casal, Filipe foi obrigado a abdicar do seu apelido, Mountbatten, devido às suas origens alemãs (o contexto da época, após a queda da Alemanha nazi, tornava indesejável essa ligação). A escolha recaiu sobre Windsor, o que gerou descontentamento no príncipe. "Não passo do raio de uma ameba. Sou o único homem neste país que não pode dar o seu apelido aos filhos", terá dito, em privado, à época. Isabel II foi coroada em 1952, mas foi apenas em 1957 que concedeu ao marido o título de príncipe.

Apesar das gaffes públicas e da falta de tacto, que demonstrou em inúmeras ocasiões, o príncipe Filipe tinha uma visão progressista da monarquia, não excluindo a possibilidade de o Reino Unido se tornar uma república. "É completamente errado pensar que a monarquia existe para servir os interesses do monarca. Não existe. Existe para servir os interesses do povo. Se, a qualquer momento, qualquer nação decidir que o sistema é inaceitável, então é de sua responsabilidade mudá-lo", disse em 1969, durante uma visita ao Canadá (país que faz parte da Commonwealth).

O aliado de Diana

O príncipe Filipe foi um dos principais impulsionadores do namoro do filho Carlos com Diana Spencer. Em 1981, o marido da rainha Isabel II escreveu ao filho, instando-o a decidir-se sobre se levava o namoro em frente ou terminava a relação. Carlos acabaria por ceder à pressão familiar e pediria Diana em casamento em fevereiro desse ano. 11 anos depois, foi o duque de Edimburgo que instou a que Carlos e Lady Di reconsiderassem a separação.

A rainha e o marido reuniram o então casal para tentar uma reconciliação e, depois, foi o próprio duque de Edimburgo que, em cartas a Diana, manifestou a sua desilusão com o filho e os seus casos extraconjugais. Filipe pediu também a Diana que reconsiderasse, e que analisasse os comportamentos de ambos.

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Mas já era tarde demais. Após a morte de Diana, em 1997, o duque de Edimburgo foi acusado por Mohamed Al Fayed (pai de Dodi, namorado da princesa) de ter orquestrado a morte de Diana. Uma investigação provou que tal teoria era totalmente infundada.

O terrível ano de 2002

No ano em que celebrou o seu jubileu de ouro, a rainha Isabel II sofreu duas perdas irreparáveis. A da mãe e a da irmã Margarida. A princesa morreu a 9 de fevereiro, vítima de um ataque cardíaco, aos 71 anos. Elizabeth Bowles-Lyon, que o mundo conhecia apenas como Rainha Mãe, morreu aos 101 anos, a 30 de março, apenas sete semanas depois da filha mais nova. Durante esse ano de provação, o príncipe Filipe foi o rochedo que esteve sempre firme ao lado da mulher.

Os últimos dias juntos

A 16 de março deste ano, o príncipe Filipe abandonava o hospital, após um período de 28 dias de internamento. O duque de Edimburgo sofreu uma infeção e, depois, foi submetido a uma cirurgia cardíaca para tratar uma condição pré-existente.

Os seus últimos dias foram passados ao lado da mulher no castelo de Windsor, local que escolheram, poucos anos após se terem casado, para passar os fins de semana com os filhos. Foi também nesta propriedade que, ao longo de quase dois séculos, aconteceram uma dúzia de casamentos da família real britânica, incluindo os de Harry e Meghan, em 2018 e o casamento do príncipe Carlos com Camilla Parker-Bowles, em 2005.

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