Na emissão deste sábado, 9 de outubro, de "Conta-me", o programa de conversas francas da TVI, o convidado de Maria Cerqueira Gomes foi o ator e médico José Carlos Pereira. Numa conversa pautada pela emoção e por alguma nostalgia, o ator falou abertamente sobre a sua vida, carreira e sobre o passado de adição que diz ser incapaz de esquecer.

O encontro, que decorreu na praia porque José Carlos Pereira prefere "estar rodeado das boas energias" que o mar lhe traz, começou com o recordar de uma infância "muito feliz" e passada "na rua".

José Carlos Pereira. "Tenho a perfeita noção de que sou ícone pelas boas e más razões"
José Carlos Pereira. "Tenho a perfeita noção de que sou ícone pelas boas e más razões"
Ver artigo

"Foi uma infância muito feliz, muito marcante no bom sentido e com tudo aquilo a que uma criança tem direito", diz.

José Carlos Pereira, que tem presença assídua na novela "Festa é Festa", da TVI, atividade que concilia enquanto profissional de medicina estética, diz-se a atravessar uma "fase muito boa", mas recorda o passado de excessos que culminou com o internamento, em 2014, numa clínica de reabilitação.

"Levantei-me, lutei e reergui-me"

Após ter conseguido o papel para a sua participação enquanto protagonista de "Anjo Selvagem", a novela da TVI estreada em 2001 em que contracenou com Paula Neves, o que se seguiu foi "tudo e muito".

"Na altura, aconteceu tudo e muito. Havia aquela cultura dos eventos e das presenças em que era solicitado para todo o lado e a toda a hora. Queria aproveitar, mas havia um senão: o de ter começado a facilitar em alguns campos, que acabou por descambar para o campo pessoal e profissional", explica.

"Vivi muito o que me foi apresentado e releguei para segundo plano o que não devia. Desiludi-me com muitas pessoas, mas também desiludi outras. Tive de passar por um processo inteiro. Levantei-me, lutei e reergui-me, mas é um processo doloroso porque parece que te estão a magoar desde que acordas."

José Carlos Pereira fala abertamente sobre o seu passado de adição e diz que é o facto de não se esquecer dele que, hoje, o permite tentar ajudar algumas pessoas, por vezes mães, que o procuram. E são várias, segundo conta. "Ajudo sempre as pessoas que me mandam mensagem. E ajudo porque, por vezes, nem as pessoas sabem o quão estão perdidas. Eu era assim. Achava que estava só em festas."

E continua: "Quando começa a ser mais do que uma pessoa a dizer que temos um problema, é porque, de facto, há um problema. E é nessa altura que se deve atuar. É um processo moroso e que demora tempo, porque confrontas-te, diariamente, com as tuas falhas."

O ator, que diz trabalhar "todos os dias para viver em paz" consigo mesmo, diz que a aceitação do seu passado teve de ser feita. "Aceito o meu passado e não o vou esquecer, para não voltar para lá. Porque eu não era aquilo."

Parte desse processo de aceitação e de confronto com as suas fragilidades, conta, implicou ter de lidar com alguma imprensa portuguesa em que o escrutínio era constante. Quando questionado por Maria Cerqueira Gomes sobre como se gere o turbilhão de emoções de ver notícias escritas, muitas vezes "baseadas em mentiras", o ator é assertivo.

Jessica Athayde sobre separação de Diogo Amaral. "Foi triste, mas não foi por falta de amor"
Jessica Athayde sobre separação de Diogo Amaral. "Foi triste, mas não foi por falta de amor"
Ver artigo

"Durante muito tempo, fui muito massacrado. Mas temos de saber lidar com isso. Tanto nos põem cá em cima como lá em baixo. Nunca vou encarar isso como um ataque pessoal, mas sim um ataque à minha imagem pública. Todos temos falhas, mas não temos de ser condenados ou julgados por isso em praça pública e numa situação de vulnerabilidade", diz.

Apesar disso, José Carlos Pereira diz não guardar "rancor nenhum". "Se calhar, também isso fez parte do processo. E se calhar também me ajudou a vir para este lado", argumenta.

"A Inês trouxe-me uma calma muito boa"

O médico, que inicialmente queria seguir pediatria mas se especializou na medicina estética, uma área "relativamente recente da medicina", diz acreditar que todos têm um propósito. O seu, explica, "é o de tentar ajudar o máximo de pessoas que puder".

Mas o facto de ser pai também o obrigou a desacelerar. Pai de Salvador, 4 anos, fruto da relação com Liliana Aguiar, e de Tomás, seis meses, da relação com Inês de Góis, com quem está atualmente, fala da paternidade como um acontecimento que lhe mudou a vida.

"Nunca achei que iria ser pai. O universo encarregou-se de fazer isso por mim e ainda bem, porque mudou a minha vida". Quando Maria Cerqueira Gomes lhe pede para concretizar, a resposta sai-lhe sem dificuldades.

"Antes de ser pai, achava que as minhas ações não tinham consequências. Agora todos os meus atos têm consequências", e o ator vive diariamente com essa noção bem presente na sua vida.

Referindo-se à relação com Inês de Góis como sendo "muito diferente" daquela que teve com Liliana Aguiar, o ator explica, concretizando: "Nós influenciamos tudo aquilo em que tocamos. Para que as coisas corram bem, eu próprio tenho de estar bem e a Inês [de Góis] trouxe-me uma calma muito boa. Ajudou-me a relativizar muitos problemas porque um problema pequenino era, para mim, logo uma coisa muito grande."

"Estes últimos três anos talvez tenham sido aqueles em que mais me encontrei comigo e em que percebi qual era o meu foco. Os resultados estão à vista", diz com um sorriso.

Subscreva a newsletter da MAGG.
Subscrever

As coisas MAGGníficas da vida!

Siga a MAGG nas redes sociais.

Não é o MAGG, é a MAGG.

Siga a MAGG nas redes sociais.

Fale connosco

Se encontrou algum erro ou incorreção no artigo, alerte-nos. Muito obrigado.