Faltavam dez minutos para o meio dia quando chegámos à porta dos artistas do teatro D. Maria II. Uns segundos depois chegava Mariana Monteiro e João Cachola, que dão corpo a Romeu e Julieta na peça homónima em exibição no Teatro Nacional D. Maria II. “Chegámos agora mesmo da rádio”, começa por nos explicar a atriz de 31 anos. “Hoje vai ser um dia corrido”.

E seria mesmo. À peça que protagoniza naquele teatro até dia 1 de março, juntam-se também as gravações da novela “Terra Brava”, onde dá vida a Beatriz Gonçalves Ferreira. Feitas as contas, são doze horas de gravações para a novela da SIC, mais ensaios à noite para a peça que estreou a 14 de fevereiro. Apesar de não ter tido gravações no dia em que a MAGG se sentou à conversa com a atriz, Mariana Monteiro tinha começado bem cedo o dia. De manhã uma entrevista na rádio, depois a conversa com a MAGG, seguindo-se mais entrevistas e por fim os últimos ensaios.

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E como é que Mariana Monteiro consegue aguentar este ritmo? Foi isso que contou à MAGG numa manhã no teatro D. Maria II. Para além de não dispensar o seu chá – aliás, durante toda a entrevista teve o cuidado de ir bebendo de uma garrafa de alumínio – conta com uma rigorosa alimentação, onde não faltam vitaminas, para aguentar o ritmo frenético que tem sido a sua vida.

Da peça “Romeu e Julieta”, ao amor e até passando por “Morangos com Açúcar”, Mariana Monteiro fala à MAGG do seu percurso televisivo e de como não quer descurar a luta contra a desigualdade e o bullying.

Como correram os ensaios para a estreia?
Correram bem, agora ando numa fase final. Divido-me entre os ensaios e as gravações e tento trazer ainda energia, porque estou a sobrepor isto à novela que estou a fazer e que protagonizo. São 12 horas por dia. Mas a vontade é tanta de fazer este “Romeu e Julieta” que quando me perguntam como tenho conseguido, acho que é mesmo por aí: é a vontade e o amor por aquilo que estou a fazer.

Que rituais tem antes de entrar em palco?
Nada de especial. Gosto de fazer algum aquecimento, tanto vocal como de corpo. Gosto de dançar um bocadinho, soltar o corpo.

Que cuidados teve na preparação deste papel?
Primeiro ando sempre com chá e tenho sempre pastilhas atrás de mim porque o cansaço não atua só na mente e no corpo, mas também na voz. E essa é a minha principal preocupação. Além da voz, também gosto de ter o texto por perto. Muitas das vezes eu nem olho para ele, mas sinto que ele vai ficando cada vez mais sólido. E acho que é por aí. Tenho tido mais cuidados comigo, para que depois possa estar o melhor possível em palco. Tenho tentado alimentar-me o melhor que posso, tenho aqui umas vitaminas.

Entrevista a Mariana Monteiro: “Para mim o amor é velocidade”
Mariana Monteiro em cena na peça "Romeu e Julieta" créditos: Filipe Ferreira

A peça "Romeu e Julieta" estreou a 14 de fevereiro. Que significado tem esta data?
Eu confesso que foi das coisas que achei mais piada, quando me disseram a data da estreia. Todos sabemos que “Romeu e Julieta” é uma história de amor trágica e, se pudesse escolher uma data para estrear esta peça, também escolheria essa data. Acho que tem um simbolismo giro e interessante. Apesar de este romantismo não ser o romantismo ideal.

Esta peça é uma transgressão, é uma corrida para a morte, apesar de ser uma história de amor. Nós corremos para o amor mas também corremos para a morte ao mesmotempo. E portanto, é muito interessante ver como John [Romão] fez esta adaptação em que realmente não está esquecido que é um clássico, mas está adaptado ao contemporâneo.

Fala-se muito nisso, sobre a questão da tecnologia, das redes sociais. Como é que nós hoje corremos e ao mesmo tempo não saímos do lugar. Podemos comunicar com dez pessoas ao mesmo tempo, a conversa até pode ter alguma profundidade, mas nunca é olho no olho. Ou cada vez menos é olho no olho e isso vai estar presente em palco também visualmente, na forma como vamos estar apresentados.

Quais as diferenças entre esta peça encenada por John Romão e a peça tradicional?
Muitas. Bom, para começar temos mulheres em palco que na altura do teatro isabelino não havia, eram só homens. Depois não existe esse estilo barroco presente, não existe sequer cenário. A única coisa que poderei dizer, assim para levantar um pouco o véu, é que temos um dispositivo em cena que nos coloca em suspensão e ficamos imóveis. Por isso é que eu digo que este “Romeu e Julieta” é realmente surpreendente porque para teatro nunca foi usado este dispositivo.

O que é para si o amor?
Também é esta velocidade, porque eu acho que o amor não pode parar, não pode estagnar. E ao mesmo tempo também acho que pode ser transgressor. Nós falamos muito nisto na peça que é o nome. O que é isto de darmos um nome às pessoas, um nome, um título. Neste caso é a família dos Capuleto contra a família dos Montéquio, eu sou Capuleto e ele é Montéquio. Só porque ele é um Montéquio é um obstáculo e isso também acontece às vezes na vida real. Um nome, um estatuto social às vezes, é um obstáculo e também é interessante isso ser colocado na peça.

Portanto, para mim o amor é velocidade, tem um pouco de transgressão, porque acho que no amor fazem-se coisas que muitas vezes não são corretas. E acho que no amor cabe muita coisa, até essa vontade de lutar até ao final.

O que vê no parceiro ideal?
Isso é um pouco difícil. Nós todos temos ideais, mas eu acho sinceramente que o mais forte e importante numa relação a dois será sempre o companheirismo, a amizade que está por trás. Porque o amor implica essa amizade. Portanto, o companheirismo e a compreensão entre o casal é aquilo que mais valorizo.

Esta não é a primeira vez que faz teatro.
Não é a primeira vez, mas é quase. Em “Confissões de uma Adolescente”, em 2006, fiz apenas uma parte da digressão. Depois em 2010 ensaiei outra peça, mas nunca chegámos a colocá-la em cartaz. Era eu, a Oceana Basílio e a Rita Ruaz, e o encenador era o Hélio Ribeiro, e depois não chegámos a ir com a peça para a frente. Ainda tirámos as fotos de cartaz, mas não chegámos a ir para cena. Já não me recordo o porquê de não ter ido para a frente, já se passou uma década, mas acho que foram agendas. Acho que terão sido vários motivos.

O que a fez mudar da televisão para o teatro?
Há muito tempo que queria experimentar o teatro. Até porque tenho acima de tudo um percurso televisivo e isso às vezes também pode ser um entrave, não só em termos de agenda, mas também do que possam pensar. Podem achar que esta atriz opta sempre por televisão e não tem interesse no teatro e não é nada disso. Realmente, eu há muito que ansiava por uma boa oportunidade. Também é verdade que já tive convites, mas como em televisão tenho um tipo de trabalho que vai ao grande público, em teatro queria poder fugir um pouco. Andava a aguardar por uma oportunidade realmente boa, foram muitos anos à espera. Por isso é que esta oportunidade no timing que seria menos favorável, porque estou a gravar 12 horas por dia de novela, não poderia recusar.

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Como faz a gestão entre gravar a novela 12 horas por dia e depois ter ensaios da peça?
O mais complexo é a memorização de tantas cenas por semana e encontrar espaço para as decorar. Paramos os ensaios às segundas-feiras à noite, mas ao sábado e domingo também ensaiamos. Tento que o sábado de manhã seja para dormir, porque é a única manhã que tenho para dormir, e depois ao domingo de manhã tenho de prescindir desse descanso e estudar a semana da novela. À segunda-feira à noite também volto à novela porque depois, no resto da semana, é esta loucura.

Quão desgastante é fazer esta protagonista em "Terra Brava"?
É isto: vitaminas. E uma grande gestão, tanto a nível alimentar como no resto. Tem de se pensar em tudo. Eu costumo dizer que sinto isto: quando se protagoniza uma novela é como se fôssemos um atleta de alta competição em representação, é isso que nos acabamos por tornar ao fazer de protagonistas. Se um atleta de alta competição tem imensos critérios que o ajudam a ter o rigor na rotina, eu tento também ter esse rigor.

Como é o ambiente nas gravações?
Não podia ser melhor. Isso por acaso é outro benefício nos dois locais onde me encontro a trabalhar, tanto aqui no teatro como na novela. Eu agradeço mesmo porque tenho muita sorte com o ambiente onde estou, tanto colegas como equipa técnica. Porque isso faz muita diferença, porque passamos tantas horas juntos e se a energia não for boa suga-nos muito. O ambiente é espetacular.

Nos últimos anos tem andado a fazer projetos em vários canais, ora na SIC, ora na RTP. Vê isso como uma instabilidade ou como uma oportunidade?
Como já estive nos dois lados, consigo falar mais facilmente. Eu estive oito anos consecutivos na TVI, cinco deles a contrato de exclusividade e hoje reconheço que vejo mais oportunidades neste sistema de freelancer. O estar sem contrato de exclusividade permite uma escolha muito mais livre enquanto artista.

Se tivesse contrato de exclusividade com alguma estação isso seria impeditivo de fazer teatro?
Isso penso que não. Normalmente o que é mais complexo são outras oportunidades a nível de televisão, por exemplo um telefilme que surja, uma série que é para o canal concorrente, aí é que o problema é maior. Neste caso do teatro, o Daniel Oliveira e toda a produção da novela foram impecáveis. Disseram que iam colaborar comigo. Não houve grandes ajustes que pudessem ser feitos, mas o terem sido sensíveis a isso já foi muito bom.

Foi durante muitos anos exclusiva da TVI. O que a fez perder esse vínculo?
Eu estive contratada até 2013, e na altura foi uma decisão por parte do canal que não entendi na altura. Mas, como a minha vida me sempre indicou que nada é por acaso, hoje reconheço que foi uma ótima decisão. Eu não conhecia outra realidade e estava muito presa à casa mãe. Tinha sido ali que tinha começado, aos 16 anos nos “Morangos com Açúcar”, era uma miúda, e com 22 fico sem o contrato. Fiquei muito assustada. Depois percebi que o mundo não acabava ali, não só havia outras estações como outros tipos de trabalho. Os dois primeiros meses foram mais instáveis emocionalmente, mas depois foram rapidamente recuperados. Hoje em dia, digo este discurso sincero que é: acho preferível esta liberdade artística.

A eterna Bea de "Morangos com Açúcar"

Disse que o primeiro trabalho que fez foram os "Morangos com Açúcar". Ainda há quem a reconheça na rua por causa desse papel?
É muito engraçado porque da minha geração reconhecem-me. Ainda há pouco tempo entrei num Uber e a condutora disse-me ‘Ah, meu Deus. Desculpa-me, mas eu via os Morangos e eu via a Bea’, e isso é super engraçado. Ao mesmo tempo, ao tenho dois livros infantis escritos em parceria com o Narciso Moreira e quando vou às escolas, que eu achava que nunca na vida me ia reconhecer por esse trabalho, sabem porque está a repetir no canal do Panda Bigs. E é para esses que volto a ser a Bea. Depois olho para essas crianças e penso "Vocês nem eram nascidas naquela altura. Meu Deus. O tempo voa". Faz este ano 15 anos que comecei, isso é que é assustador.

Entrevista a Mariana Monteiro: “Para mim o amor é velocidade”
Mariana Monteiro em "Morangos com Açúcar"

Quão determinante foi para a sua carreia ter feito os "Morangos com Açúcar"?
Foi total. Primeiro porque eu não sabia o que queria e se não tivesse feito o casting dos “Morangos com Açúcar”, ia continuar bastante perdida no meu rumo. Eu lembro-me que comprei os livros todos para o agrupamento de ciências, depois disse aos meus pais que não, que queria ir para economia. E conclui o secundário em economia. E ainda pensava na NASA, e depois pensei em ir para uma empresa mais comum e depois ficava a pensar o que ia eu fazer numa empresa. Estava completamente perdida. Portanto, os “Morangos com Açúcar” foram determinantes. Não só para me colocarem mais visível como para eu encontrar esta vontade, esta vocação.

Lembra-se do primeiro dia de casting?
Lembro-me perfeitamente. Para já porque sou do Porto e tive de vir a Lisboa de propósito e vim com a minha irmã, que é quatro anos mais velha. E viemos só pela experiência porque os meus pais disseram-me logo que nem pensar. Faltei um dia à escola porque estava curiosa para saber o que era um casting. E era só isso porque nunca na minha vida pensei que ficasse. Depois lembro-me de quem estava na sala ao mesmo tempo que eu. Estava o Tiago Felizardo, a Sara Prata e a Helena Costa. Portanto foi engraçado porque, desse dia, houve mais três colegas que ficaram e que hoje em dia são grandes amigos meus.

E onde estava quando soube que tinha sido escolhida?
Estava na alfândega do Porto a fazer um trabalho como hospedeira, era uma receção a ministros e eu estava à entrada. E recebo a chamada a dizer que tinha ficado. Antes das gravações houve um workshop que começava a 13 de julho e eu entrei em pânico porque ia para o 12.º ano e não sabia como havia de fazer.

Tem saudades desses tempos?
Há uma nostalgia gigante. Os “Morangos” foram a idade da inocência, éramos todos muitos jovens. Eu tinha 16 anos e mais novo do que eu, sem ser do elenco infantil, era só o Tiago Felizardo, que tinha 14. Mas as idades rondavam os 18, 19, 20. E depois a inocência do início porque ninguém conhecia este universo da televisão, ninguém sabia o que era ser famoso ou conhecido na rua. Foram muitos inícios nesse ano.

Como foi ser reconhecida na rua pela primeira vez?
Foi estranhíssimo. Primeiro porque a primeira coisa que vi fui eu no metro, num cartaz que dizia “Da privada à escola pública, eles têm a escola toda”. E depois abordarem-me mais estranho era. Eu ainda não tinha qualquer background para estar a dar um autógrafo. Ainda hoje, para mim, o autógrafo é uma coisa um pouco estranha, mas na altura ainda mais estranho era.

Quantas horas gravavam por dia? E saíam juntos?
Nós estávamos sempre juntos. Para já a intensidade é ainda maior do que numa novela normal porque se gravam mais minutos, as cenas também eram mais curtas o que significava que havia um maior número de cenas a ser programada por dia. Terminavam as filmagens e íamos jantar a casa de alguém. Quase toda a gente estava a viver sozinho ou a dividir casas. Eu dividia casa com a minha colega Oceana Basílio, era quase um internato.

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Como foi vir para Lisboa sozinha aos 16 anos?
Eu fazia 17 nesse ano, mas mesmo assim foi complicado. Na altura não havia smartphone e portanto não havia GPS, havia um mapa e eu andava com ele a tentar perceber Lisboa. Perguntei muitas vezes onde ficava o Cais do Sodré, que era o ponto de encontro onde o transporte da novela nos apanhava. É descobrir uma cidade e uma certa autonomia, sobretudo eu que tenho pais galinha e que sempre fui bastante protegida. Portanto é romper com isso, com o ninho e tentar ganhar uma independência.

Foi complicado?
Acima de tudo foi mais positivo do que complicado, sinceramente. Eu gosto do fator novidade e tudo era novo, a experiência de estar sozinha numa cidade que não conhecia. Eu tinha vindo a Lisboa duas ou três vezes no máximo. Não conhecia mesmo nada. Ao início foi um bocadinho difícil, naqueles primeiros dois meses, mas depois rapidamente me adaptei.

E que memórias tem desse tempo?
Eu não vivo sozinha mesmo. Acho que só tive um mês sozinha, porque depois fui logo viver com a Oceana e calhou-me a sorte grande de ter ficado com ela. Ela sendo mais velha do que eu, dominava as lides da casa e ajudava imenso. Até porque eu não fazia quase nada.

A infância no Porto e os videoclipes de Celine Dion

Ainda vai ao Porto com regularidade?
Sim, claro. De 15 em 15 dias ou de três em três semanas. Tirando nesta fase, que não consigo ir tantas vezes como queria. Não vejo o Porto desde o Natal e foi apenas por dois dias.

Tem saudades de viver no Porto?
Tenho saudades das pessoas do Porto e claro, da minha família. Agora, não me imaginava a viver no Porto. Para tristeza da minha mãe e do meu pai, não me via.

Porquê?
Já construí tanta coisa em Lisboa, e se me imaginasse a viver era fora.

Quais são para si as principais diferenças entre o Porto e Lisboa?
Acho que como qualquer cidade mais pequena, o Porto é um pouco mais acolhedor e isso nota-se chegando a um restaurante ou a uma loja. Há um calor diferente na receptividade. Agora, claro que o turismo também está a aumentar bastante e se calhar entretanto o Porto poderá vir a mudar um pouco mais nesse sentido. Mas acho a cidade um pouco mais acolhedora. Agora, a luz de Lisboa é uma coisa inexplicável.

Olhando para trás, acha que ter vindo para Lisboa tão nova foi um dos fatores para ter sucesso como atriz?
Nunca pensei nisso sinceramente, mas faz algum sentido. Porque acho que ser atriz é viver experiências de outros e se calhar o facto de ter vindo sozinha fez-me viver muito mais, e de uma forma ainda mais autêntica. Até porque quando nos vemos sozinhos tudo tem um peso diferente, portanto talvez sim.

Entrevista a Mariana Monteiro: “Para mim o amor é velocidade”

Que memórias tem da sua infância e adolescência no Porto?
Não sei se é por ter muito texto para decorar, mas estou com uma memória ótima a curto prazo e honestamente a longo prazo até me assusto, porque há coisas de que não me recordo bem. Mas foi acima de tudo normal, eu era uma aluna um bocado obcecada com as notas, se fosse hoje em dia não seria assim.

Da infância lembro-me de brincar muito com a minha irmã, que fazia o que queria de mim. Ela montava cenários inspirados em videoclipes da Celine Dion e vestia-me, maquilhava-me e saiam videoclipes da Celine Dion a toda a hora. E da Daniela Mercury também. E depois filmava também.

Durante a adolescência já tenho essa memória de que era uma aluna intransigente comigo própria e isso até é uma coisa que não adoro recordar. Porque realmente era um exagero, eu cismava que tinha de ter aquela nota e se tivesse menos era complicado. Era algo compulsivo.

Que projetos futuros se avizinham?
Eu não consigo ver o futuro. Aliás, não consigo olhar para a semana. Se olhar para a semana toda entro em transe. Já os meus pais me estão a dizer, e a minha irmã também, para ter calma e para ser um dia de cada vez. Já alguém me dizia que quando acabar a novela devia ir de férias. Eu sinceramente não sei. Não sei de nada. É muita informação. Sei que tenho vontades, sei que quererei fazer uma pausa, uma viagem qualquer, sei que ambiciono muito continuar este caminho no teatro. Mas também gostava de começar a desbravar terreno no cinema. E claro, continuar a dedicar-me às causas que tenho e que continuarei a querer divulgar.

Que causas são essas?
Tenho dois livros para o público infantil, dos 5 aos 0 anos, sobre a igualdade de género. E sou porta-voz da juventude para a “Corações com Coroa”. Este ano tenho vindo a ser uma porta-voz muito fatela porque não estou a conseguir dar conta do recado. Mas já sou porta-voz desde 2018 e passa muito por falar e divulgar através das redes uma série de temas. Vou também a escolas, bibliotecas, estou perto dos jovens e acabo por falar-lhes sobre os temas que a associação considera serem importantes como a violência no namoro, o bullying e a igualdade de género, que já estava a trabalhar anteriormente.

E porquê associar-se a essas causas?
Porque tenho consciência de que tenho uma visibilidade pública e de que tenho uma voz que pode chegar a um alcance maior e fazer disso um ponto positivo, já que às vezes se vira contra nós. E os jovens sentem-se muito mais próximos por uma figura que já fez os “Morangos”, que é atriz de televisão. Há uma técnica especializada que sabe falar muito melhor do que eu, mas que de repente não os afeta tanto.

Já teve algum feedback?
Sim, muito. Sem dúvida, e é muito positivo. É ótimo porque nem que seja uma rapariga, um rapaz que mudaram e conseguiram mais qualidade de vida porque sofriam uma relação tóxica ou sofriam de bullying ou que não se apercebiam que julgavam alguém. É trazer bons ideais e valores.

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