"O que eu gosto mesmo é de estar à volta da mesa a conhecer pessoas", diz Constança Raposa Cordeiro. E nota-se. A bartender vai fazendo cocktails, mas é pelos gestos largos, as gargalhadas e as mil e uma histórias que tem para contar que nos conquista.

Tanta vontade de conhecer cada pessoa que visita o seu bar, fez com que criasse um balcão onde não se sentam mais do que 12 clientes. E é exatamente nesses bancos altos exclusivos que ficam aqueles que decidem marcar presença nas R&D sessions — Research and Development — que acontecem todas as quartas-feiras.

Nestes fins de tarde especiais, Constança reúne à mesa os curiosos em conhecer novos sabores — alguns deles bem inesperados quando o assunto é cocktails. É que esta bartender não conhece limites. Ele é natas fumadas, cogumelos, meloa ou couve-flor. E também muitas ervas que apanha quando vai a Monsanto. "Para mim sustentabilidade é isto. Se vivo no Estoril e trabalho em Lisboa, faz sentido ir apanhar ervas aos nossos jardins e não importá-las do outro lado do mundo".

Imprensa. Neste bar todos os cocktails são originais — e há happy hour de ostras
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E quem vive do que a natureza dá e do que a imaginação permite, não promete receitas fixas. "Nada do que acontece nestas horas que aqui estamos é preparado", garante. Prova disso é o livro que tem aberto para que os clientes possam ver os apontamentos que vai fazendo quando um novo cocktail lhe surge em mente. Entre rabiscos consigo perceber que um dos cocktails leva gin e lúcia-lima, nada de excêntrico. "Is boring the new black?", leio logo ao lado, com a letra de Constança. Provavelmente sim, mas Constança gosta é de arrojar, ainda que saiba já ler os clientes de maneira a sugerir qual a melhor bebida para cada um.

Era o caso do tal feito com natas fumadas, cozinhadas com alho francês, sumo de gengibre fresco e tequila. "Esse aí, quando me pediam, olhava para a pessoa e, dependendo do ar, avisava logo: "É melhor não, não vais gostar".

Toca da Raposa
Os clientes contam com cocktails e alguns snacks. É o caso do pão do Isco e do azeite do Esporão.

E nem sequer quer evangelizar ninguém. "Se não gostas de cocktails, tudo bem, bebe vinho".

Mas com as 12 pessoas que se sentam ao seu balcão todas as quartas feiras das 18h30 às 20h30 (sujeito a marcação), Contança sabe que pode ser ousada. Faz dos clientes cobaias e são eles que vão provando as suas misturas e tirando notas. "No final, o feedback vai ajudar-nos a perceber quais os cocktails que merecem estar na carta".

As R&D sessions, que custam 25€, incluem todos os cocktails e ainda uns snacks, todos eles preparados de forma mais natural possível. Há legumes da época, pão de fermentação natural do Isco, azeite do Esporão e até gema de ovo.. "Há lá coisa melhor do que molhar o pão em gema de ovo com sal? Sabe a infância", garante Constança

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