Numa era em que as ementas físicas foram substituídas por QR codes, em que vemos tostas de abacate por todo o lado e sentimos que temos na mão as cartas em inglês devido à quantidade de expressões como bowl, burguer, poke e tantas outras, entrar no Grill D. Fernando, o restaurante do Altis Grand Hotel, em Lisboa, é uma lufada de ar fresco com 50 anos de existência.

É no 12.º andar do hotel de cinco estrelas da Rua Castilho, que celebra este ano 50 anos de existência, que encontramos este requintado restaurante que consegue o exímio equilíbrio entre elegância sem ser demasiado impactante, dando ao cliente a sensação acolhedora de se sentir em casa — e que muito tem que ver com a forma como somos recebidos pelo chefe de sala Artur Caldas e restante equipa.

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Vamos a factos: apesar de se sentir o requinte de 1973, ano da abertura do Grill D. Fernando, o espaço com uma das melhores vistas panorâmicas da capital não ficou parado no tempo. Há cerca de cinco anos, juntamente com outras áreas do hotel, o restaurante sofreu uma renovação, onde alguns detalhes como o estofo das cadeiras e a iluminação indireta foram alterados. Ficaram dezenas de outras coisas, tal como as cadeiras originais e alguns pratos de uma das melhores cartas que tivemos o prazer de provar nos últimos tempos — mas já lá vamos.

Grill D. Fernando
O restaurante abriu portas em 1973.

Cozinha de sala, precisamos de ti

Apesar de o Altis Grand Hotel fazer parte do grupo hoteleiro Altis, o chefe Caldas explica à MAGG que os pratos deste restaurante não são replicados noutras unidades. Isto tem muito que ver com a história do Grill D. Fernando, mas não deixa de ser uma ideia que faz sentido de uma perspectiva de negócio, como forma de enaltecer as singularidades do icónico restaurante. E, claro está, também um motivo para fazer os clientes voltarem.

Deixámo-nos completamente nas mãos da equipa do restaurante e aceitamos de bom grado as sugestões da carta elaborada pelo chef Alexandre Gomes, que conjuga na perfeição pratos clássicos internacionais com sugestões de alma portuguesa.

Depois de uma taça de espumante e de um Porto seco como aperitivo, damos início à refeição com a sopa de peixe mais fabulosa que vimos na nossa vida, que, por si só, é uma refeição. A sopa rica de peixes com crosta de massa folhada (15€) chega à mesa bem quente e ainda pensamos que o pedido possa estar enganado, porque mais parece um soufflé.

#inocentes. Não, esta proposta com peixes da costa portuguesa é finalizada com uma crosta de massa folhada que tem de partir para chegar ao delicioso caldo ainda a fumegar. Dica de amiga? Coloque a massa dentro do caldo e aprecie.

Artur Caldas
O chefe de sala Artur Caldas. créditos: Luis Ferraz / ALTIS GRAND HOTEL

Com um início assim, podíamos pensar que seria difícil superar esta entrada, mas apenas porque ainda não tínhamos ouvido a expressão cozinha de sala. É justamente o chefe Caldas que explica a importância de manterem na carta alguns pratos deste género, embora assuma que não é fácil manter viva a cozinha de sala. "É um tipo de cozinha que exige muitos gastos, formação, ter uma pessoa alocada", refere, embora não tenha dúvidas de que a tradição vai conseguindo persistir nalguns espaços. "Pode ter caído um pouco em desuso, mas tudo é cíclico, e acredito que pode voltar", confidencia-nos.

Da nossa parte, já temos os abaixo assinados preparados se algum dia a direção do Altis decidir retirar o prato que se seguiu da carta. Falamos das gambas Altis (42€), uma proposta feita mesmo ao nosso lado por Artur Caldas, em que as gambas são flamejadas com cognac. Ainda antes de nos chegarem à mesa, o chefe de sala questiona o nosso gosto por picante para finalizar, e é difícil descrever o sabor deste prato.

Picante no ponto, um molho saboroso, um arroz árabe delicioso com passas que é só a cereja no topo do bolo num prato que é toda uma experiência, desde o momento em que é confecionado ao nosso lado até que chega finalmente à nossa boca. É confecionado pelo chefe Caldas, que há várias décadas que aprendeu a fazer esta proposta com um antigo funcionário do Grill D. Fernando chamado Amável. Facto curioso? As gambas Altis apenas se começaram a chamar assim no momento em que o funcionário deixou o restaurante, sendo até então apelidadas de Gambas à Amável.

Altis Grand Hotel
A magia da cozinha de sala créditos: Luis Ferraz / ALTIS GRAND HOTEL

Apesar de termos ficado rendidos às gambas, o prato de carne não desiludiu. Terminámos os pratos principais com uma posta mirandesa com migas transmontanas (36€), onde a carne confecionada no ponto praticamente não precisava de faca para se cortar de tão tenra. As migas igualmente ótimas, recheadas de sabor.

Antes que pudéssemos ter saudades da cozinha de sala, o chefe Caldas regressa com o seu carrinho para confecionar a sobremesa, uma iguaria da cozinha clássica, crepes Suzette (25€ para duas pessoas), onde provámos o molho rico, confecionado com vários licores e bebidas, no topo dos crepes de uma massa fofinha e gulosa.

Crepes
A sobremesa icónica do Grill D. Fernando, os crepes Suzette créditos: Luis Ferraz / ALTIS GRAND HOTEL

Os pratos bem portugueses "assaltam" os almoços do Grill D. Fernando

Se um jantar pede cozinha de sala, os almoços querem-se com muitas sugestões bem portuguesas. Apesar de toda a carta do restaurante estar disponível também à hora de almoço, há sugestões do dia que gritam comida de conforto que pode provar se visitar o Grill D. Fernando a partir do meio-dia.

A semana começa com filetes de pescada com arroz de feijão e tomate, seguindo-se o jarret de vitela com batata e cebolinhas caramelizadas à terça-feira. Quarta-feira é dia de garoupa no forno, e o best-seller da semana, o cozido à portuguesa, chega à quinta-feira. Já na sexta-feira, o bacalhau quer-se cozido com todos.

Cozido
O cozido é servido às quintas-feiras. créditos: Luis Ferraz / ALTIS GRAND HOTEL

As sugestões da semana têm o valor de 26€, exceto a garoupa, que chega aos 30€.

Devido a ser um espaço muito procurado durante a semana, o descanso semanal foi alterado, e o Grill D. Fernando está fechado ao sábado e ao domingo.

Morada: Altis Grand Hotel, Rua Castilho 11, Lisboa
Telefone: 213 106 000
Horário: 12h30-22h30 (fecha ao sábado e ao domingo)

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