Pode não haver mais nada, mas acenda-se uma lareira e todo o ambiente ganha uma nova envolvência. E mesmo à falta deste equipamento, experimente pesquisar a palavra "fireplace" na Netflix e delicie-se com uma hora de uma lareira que, ainda que não dê calor, transmite aquela sensação de casa da avó à qual todos temos vontade de voltar.

E já que falamos de avó, quem teve a sorte de ter uma que cozinhasse na brasa da lareira, parabéns. Graças a ela sabe o que é comida a saber a conforto.

Neste regresso às origens sem o qual nenhum de nós vive, começam a abrir cada vez mais espaços que nos remetem a formas de cozinhar mais ancestrais. É o pão que voltou a ser de fermentação lenta, as frutas que se voltaram a querer-se da época e as leguminosas que saíram das latas e agora pedem para voltarem a ser demolhadas e cozidas lentamente.

O "Conta-me Como Foi" gastronómico que vivemos leva também a que os chefs se voltem para a brasa como forma de cozinhar. Em Lisboa e Porto são várias as novidades e a MAGG destaca quatro.

1. Queimado, Lisboa

Shay Ola tem como nome no Instagram Accidental Chef e não é por acaso. Aos 39 anos, é chef do Queimado mas o seu percurso é totalmente autodidata. Com uma licenciatura em design de interiores, começou a cozinhar para os amigos nos típicos barbecues que fazia ainda em Londres.

Chegado a Lisboa, não se conseguiu afastar da brasa e é lá que cozinha os pratos que serve no restaurante que ocupa o número 44 da Rua Luz Soriano.

Os preços são bem simpáticos — começam nos 6€ — e a ideia é de partilha. Melhor ainda? Está aberto até tarde, uma vez que vai além da boa comida: o Queimado oferece cocktails e uma happy hour das 23 horas à meia-noite. Às sextas-feiras e sábados, há DJ convidados até às 2 horas.

A comida, lá está, é feita na brasa e conta com pratos de carne, peixe e vegetarianos. É o caso do lombelo grelhado com redução de beterraba e puré de nabo caramelizado (10€), do lingueirão com algas tostadas e sake (10€), ou dos cogumelos com dashi de cogumelo e cevada (8€).

E como Shay odeio o conceito de brunch, criou o F**k Brunch, que acontece no primeiro domingo de cada mês a partir das 16 horas. A ideia é ter uma opção com brunch — sem ser as básicas torradas de abacate — para as pessoas que adoram brunch mas saíram até tarde e não conseguem acordar a horas. Parece-nos legítimo.

Morada: Rua Luz Soriano, 44, Lisboa
Horário: 19h-01h30. Fecha ao domingo (exceto quando há brunch) e segunda-feira

2. Fogo, Lisboa

Quando a MAGG foi jantar ao Fogo, percebeu que aqui o nome é levado à letra. É que até o gin que nos foi servido para acompanhar a refeição tinha carvão.

Não há fogões elétricos nem a gás, só mesmo lenha a arder todo o dia, para que não falte o calor necessário para a cozinha. Há um forno a lenha, uma grelha e uma zona onde assentam as panelas de ferro onde são cozinhados os estufados e sopas. No meio, uma fogueira que nunca se apaga e de onde vão buscar as brasas necessárias para alimentar todos estes pontos de cozedura.

No Fogo não há carta fixa e tanto pode ver servida uma chanfana como um animal inteiro assado no espeto. Mas conte sempre com pão de fermentação natural servido com azeite, manteiga caseira, pickles e patê de porco.

Os pratos principais não são muitos, mas são certeiros. Há raia na grelha com um molho de manteiga e alho (17€) que vai justificar que venha para a mesa mais uma dose de pão. Mas também há rodovalho (22€), sapateira no carvão (35€) e lagosta grelhada (45€). Se preferir carne, conte com vazia de vaca com estufado de feijão (50€/kg para duas pessoas), cabeça de porco alentejano assada no forno, frango do campo com arroz de forno e um prato que é apenas para fãs de borrego: é que a carne é assada no forno e o arroz é feito com os seus sucos.

A refeição pode, e deve, ser acompanhada com uma das muitas sugestões de vinho — são 180 referências.

Morada: Avenida Elias Garcia, 57, Lisboa
Horário: 12h30-16h, 19h30-24h. Domingo 12h30-17h. Fecha à segunda-feira

Fomos jantar ao Fogo, o restaurante onde até o gin leva carvão
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3. Elemento, Porto

"Há vários anos que digo que a moda da cozinha iria voltar ao primitivo", escreve o chef Ricardo Dias Ferreira no site onde apresenta o Elemento, um restaurante que abriu para que pudesse voltar às origens.

O menu é totalmente confecionado no fogo a lenha, e tudo é preparado no momento, numa cozinha completamente aberta, equipada com um forno a lenha, um grelhador e uma zona de brasas para defumar comida.

Existe um menu à carta — no qual no salta à vista um porco assado em forno de lenha (19€) e um ramen de lula (10€), e outro de degustação, composto por nove momentos (70€). Seja qual for a escolha, saiba que nenhum dos menus é fixo e muda consoante a disponibilidade dos produtos e a imaginação do chef.

Morada: Rua do Almada, 51, Porto
Horário: 19h-23h. Sábado 13h-15h, 19h-23. Fecha ao domingo

4. Chama, Porto

Ainda nem passámos a porta e já é possível ver o protagonista deste restaurante. Não é o chef nem a sobremesa, é sim o forno a lenha que serve de motor a praticamente tudo o que sai da cozinha do Chama.

A comida é tradicional e tanto se pode comer bochecha de porco como cozido à portuguesa. José Moreno é o chef, que trabalha com dois sócios, Nuno Dias, João Cabral. Juntos, fizeram questão de conhecer todos os produtores que fornecem o restaurante. E, para que o desperdício seja mínimo, muitos dos pratos são decididos com aquilo que chega ao restaurante todos os dias.

Num espaço que faz lembrar o conforto das casas de família, há uma tradição a manter: os sábados ao almoço são reservados para a “Cabidela do Zé”. Custa 15 euros por pessoa e é obrigatório reservar.

Morada: Rua de Cedofeita 333
Horário: 18h-01h. Fecha ao domingo

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