Depois de mais de um ano fechado, porque a pandemia a isso obrigou, O Boteco de Kiko Martins voltou a abrir portas a 18 de junho, sendo este o último restaurante do chef a reabrir. Uma vez sentados à mesa, o oi de boas-vindas ao espaço, que traz para o Chiado, em Lisboa, os sabores do Brasil, faz-se com caipirinhas de lima, maracujá, goiaba ou frutos vermelhos. Quer se atire para a com ou sem álcool, a frescura está assegurada e serve de mote para o que se segue.

É que embora os clássicos que compuseram a carta inicial aquando da abertura, em novembro de 2019, continuem disponíveis (e já lá vamos), há novidades que pode provar na próxima visita. Com a reabertura, o chef passou a incluir na carta uma secção inteiramente dedicada "a um dos produtos mais icónicos da gastronomia brasileira", conta-nos Kiko Martins. Refere-se, claro, à picanha.

Levámos uma brasileira a comer ao novo Boteco do chef Kiko
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"Temos um lado mais carnívoro n'O Boteco com pratos que já começam a fazer história no espaço", diz. É o caso do espeto de picanha (24,80€), que se come à discrição sem se pagar mais por isso. Além disso, encontra ainda opções como o rosbife de picanha com carabineiro (29,80€), um burger de picanha (17,80€) com presunto e bacon ou o tártaro de picanha com ovo de codorniz (23,90€).

Mas também encontra opções como naco de picanha confitada (48,80€ para duas pessoas) ou o tataki de picanha trufada (26,40€), em que o bife é regado com azeite de trufa.

A infância no Brasil e as memórias do churrasco em família

"Se houve alguma coisa de bom no meio disto tudo [referindo-se ao período de tempo em que teve de portas fechadas devido à pandemia] foi ter tido tempo para pensar", conta-nos. Foi durante esse processo, diz-nos o chef, que voltou a olhar para a sua infância no Brasil.

"Aquilo de que mais me recordo dessa altura são os tempos passados à volta de um churrasco. E porque não havia um churrasco sem picanha, foi quase evidente a ideia de que tinha de criar uma secção de grelha com a picanha a ter o grande destaque" no restaurante.

Ainda que haja novidades na oferta que Kiko Martins quer disponibilizar aos seus clientes, os clássicos são para manter. A feijoada à brasileira (22,80€), por exemplo, é um dos pratos que pode continuar a pedir, mas também aí houve alterações. "Melhorei um bocadinho a feijoada acrescentando-lhe acompanhamentos como laranja, couve mineira, banana frita ou arroz de alho".

O Boteco do chef Kiko reabriu e traz novidades na carta — como a picanha
Apesar de ter fechado as portas d'O Boteco devido ao impacto da pandemia, Kiko Martins diz que os planos para o futuro do restaurante mantêm-se inalterados créditos: Francisco Rivotti

A moqueca (19,70€), com milho baby, azeite dendê, leite de coco e arroz continua a ser a estrela da casa, comprovado pela MAGG aquando da visita ao espaço depois da reabertura. O prato é leve — e servido em pequenos tachos que incentivam à partilha, porque a melhor comida é a que se divide com os outros — e os sabores saem todos reforçados pelo leite de coco que os une a cada porção que sai do prato diretamente para a boca. Podemos dizer o mesmo do bobó de camarão (23,70€), outro dos clássicos disponíveis. Na carta de clássicos encontra ainda o escondidinho de pernil de porco (20,30€), acompanhado de tomate, mandioca e salada tropical.

Nas entradas não há alterações, mas vá por nós e, da próxima ver que entrar n'O Boteco, peça o delicioso e nunca enjoativo pastel de vento com queijo coalho (7,20€ por três unidades). Diga que vai da nossa parte. Nas sobremesas, experimentámos o quindim de tapioca e maracujá (6,70€) que, à semelhança dos pratos principais, pautou pela frescura e delicadeza dos sabores — mesmo que mais doces.

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Em comparação com os outros restaurantes de Kiko Martins — O Talho, O Poke e A Cevicheria — O Boteco foi o último a reabrir. A explicação tem que ver com as obras que foram feitas para acomodar a inclusão do "lado mais carnívoro no espaço". Mas não só.

"Melhorámos também alguma decoração, com a inclusão de mais verde, mais plantas, mas também uma nova escultura, igualmente feita pelo Bordalo II, de uma arara feita a partir de lixo reciclado para O Boteco", diz.

O espaço foi obrigado a fechar pouco tempo depois de ter aberto, mas agora, numa altura em que o chef já começa a identificar uma "tendência para as coisas se começarem a recompor", diz estar confiante naquilo que O Boteco vai trazer a Lisboa. "Vai permitir-nos viajar até ao Brasil sem sair de Portugal, seja através de um pão de queijo, de uma feijoada ou de uma moqueca. A sensação de fechar um restaurante é sempre muito triste, mas agora acho que O Boteco vai, garantidamente, marcar a restauração em Lisboa."

Isso só é possível, claro, através de pratos surpreendentes. Quando lhe perguntamos qual daqueles que tem disponíveis n'O Boteco mais se orgulha, é rápido na resposta: o espeto de picanha.

A picanha no espeto como um prato "simples", mas servido de "forma diferente"

"É um prato que é muito simples, mas que é servido de forma diferente. Em vez de se laminar a picanha na mesa ou de a servir já laminada, ela chega ao cliente em cubinhos muito pequenos que têm um tempo de grelha suficiente para que desenvolvam aquele sabor a fumado tão característico. Leva também uma manteiga e um azeite de alho por cima, dando-lhe um toque diferente, potenciando o produto", refere.

Reaberto há quase três meses, Kiko Martins fala de uma adesão "muito boa" n'O Boteco. "Temos estado com uma boa casa e sinto que o feedback que nos tem chegado tem sido muito positivo de pessoas que já cá tinham estado e que voltaram, felizes, por encontrarem o espaço novamente aberto".

O Boteco do chef Kiko reabriu e traz novidades na carta — como a picanha
A feijoada à brasileira foi melhorada, com Kiko Martins a adicionar alguns acompanhamentos — como a laranja, a bana frita e o arroz de alho créditos: Francisco Rivotti

E ainda que a pandemia, regra geral, pareça obrigar a readaptações, o chef garante-nos a situação sanitária não teve impacto nos planos para o futuro do restaurante. "Os planos mantêm-se inalterados e a lógica continua a ser a mesma", ou seja, "a de trazer o mundo a Portugal". Mas não só.

"A ideia passa também por continuar a fazer aquilo de que mais gosto: criar e recriar pratos tradicionais dos vários países e pensar em mimar as pessoas que nos visitam com um excelente serviço."

Sempre com um toque de inovação e amor pela cozinha. E isso, O Boteco tem de sobra. Palavra de foodie.

O Boteco

Localização: Praça Luís de Camões, 37, 1200-283 Lisboa
Reservas: 21 134 8071
Horário: das 19h30 às 23 horas (de terça a quinta-feira); sextas e aos sábados das 12h30 às 15h30 e das 19h30 às 23 horas.

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