Não, não é 'só' mais um filme infantil disponível no catálogo da Disney Plus. Aliás, diríamos até que "Tico e Teco: O Comando Salvador", que se estreou na plataforma de streaming a 20 de maio, é mais para os adultos do que para crianças.

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É que embora seja delicioso do primeiro ao último minuto e perfeito para arrancar gargalhadas aos mais novos, há referências (dezenas e dezenas delas, diga-se) que só quem viveu o auge da televisão e animação dos anos 90 consegue identificar — desde um Peter Pan em modo vilão desagradável, metido em negócios ilícitos com capangas à mistura, a Paula Abdul na pele de DJ de uma festa de rap com um animal ao ombro. Mas já lá vamos — e sim, as semelhanças com "Quem Tramou Roger Rabbit?", de 1988, são incontornáveis.

"Tico e Teco: O Comando Salvador" conta a história de Tico e Teco, a dupla mais famosa de esquilos de que há registo, 30 anos depois das aventuras que vieram a público em "Tico e Teco: Os Defensores da Lei", que se estreou em 1989.

Principalmente a malta entre os 30 e os 40 anos deve saber do que se trata, mas não custa relembrar. Estes dois conheceram-se por acaso, na escola, mas tornaram-se de tal forma próximos que eram reconhecidos como inseparáveis. Depois de uma ronda interminável de audições, lá conseguem um lugar no programa "Rescue Rangers", da Disney Afternoons e, pumba, viram estrelas em ascensão. Vivem um sonho, até que o ego de Teco os leva por caminhos diferentes e decreta a sentença desta vida de luxo e reconhecimento público que tantos os fascinava.

É esta a história que este novo filme da Disney decidiu resgatar. Agora, deparamo-nos com um Teco (na voz de Andy Samberg) diferente, que se submeteu a uma cirgurgia "CG tridimensional" (para virar um boneco em três dimensões) e que se alimenta da nostalgia para continuar no mundo da fama, desta vez como micro-influenciador.

Isto, enquanto Tico (pela voz de John Mulaney) continua no seu registo em duas dimensões ( 2D) e vive uma rotina pacata, enquanto dá tudo o que tem no emprego que decidiu agarrar: a venda de seguros.

Vivem infelizes e separados, até que o destino os volta a juntar. Sem aviso prévio, surge a notícia de que Monterey Jack, mais conhecido por Monty, precisa ajuda da preciosa ajuda dos amigos e ex-"Rescue Rangers": afinal, foi alvo de Sweet Pete, que é — prepare a sua melhor cara de choque e segure o queixo — uma versão rude e imprevisível de Peter Pan.

Leu bem. Aqui, o menino que não queria crescer vira cabecilha de uma rede de contrabando, coordena um estúdio de animação e surge, sistematicamente, acompanhado pelos seus capangas. Com a amizade como combustível, Tico e Teco voltam a reviver aventuras loucas e hilariantes, tal como já nos haviam habituado há 30 anos. Com a diferença de que, desta vez, partilham o palco com algumas das personagens que dominavam os ecrãs nos anos 90.

O que esperar? De acordo com Nuno Markl, sem spoilers, "uma carta de amor a — literalmente — TODA a animação: os clássicos de cinema, os mais básicos de sábado de manhã na TV, a anime, o Cartoon Network, o Nickelodeon, a animação para adultos, a stopmotion em plasticina...", escreveu o humorista na sua página de Instagram.

Há lasers vermelhos, explosões, helicópteros, mas, acima de tudo, aparições deliciosas como uma lancheira de "O Justiceiro" —  "Kit, vem me buscar" — ou figuras como Lumiere de "A Bela e o Monstro" ou Linguado, o peixe fofinho e amarelo da "Pequena Sereia".

Isto, sem falar da icónica referência ao videoclip da música "Opposites Attract" (2009), de Paula Abdul, em que a cantora mergulha num universo hídrido de desenhos animados e ação real e surge acompanhada do MC Skat Kat, um gato animado.

Ah, e o Sonic, claro, que surge propositadamente feio como resposta às críticas ao filme de ação real (live-action, em inglês), "Sonic - O Filme", que se estreou em 2020. "Eles vão gostar de mim pelo que sou. Não vai ser como da última vez, em que a internet olhou uma vez para os meus dentes humanos e enlouqueceu", avança a personagem neste novo filme da Disney Plus.

Produzido por Akiva Schaffer ("Saturday Night Live" ou "O Filme Lego"), lado a lado com os escritores Dan Gregor e Doug Mand (de "Foi Assim Que Aconteceu"), "Tico e Teco: O Comando Salvador" é uma verdadeira ode à animação dos anos 90 e, segundo Nuno Markl, merecedor de, pelo menos, 50 reproduções para desvendar todos os tesouros que esconde no enredo.

"É tudo hilariante, muito inteligente e com torrentes de referências que obrigam — pelo menos — a uns 50 visionamentos", escreveu na mesma publicação.

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