As portas do palácio de Buckingham vão voltar-se a abrir ao espectador voyeur na nova temporada de "The Crown". E se é um facto que, ao longo da série, o foco se tem vindo a desviar da figura da rainha Isabel II, que detém já o maior reinado da história da família real, isso é especialmente verdade na nova temporada que chega às 8 horas deste domingo, 15 de novembro, ao catálogo da Netflix em Portugal. Num elenco que conta já com nomes de peso como Olivia ColmanTobias Menzies e Helena Bonham Carter, o protagonismo da rainha vai ser dividido entre duas mulheres nesta nova temporada — Gillian Anderson e Emma Corrin, enquanto Margaret Thatcher e Diana Spencer, respetivamente.

Ainda que a série esteja garantida na corrida às categorias principais das próximas edições dos Emmys e dos Globos de Ouro, a forma como ambas as personagens são mostradas na série fazem antever que "The Crown" irá também ser uma forte candidata às categorias técnicas.

É que, uma vez mais, o trabalho da equipa de roupa e maquilhagem é de um cuidado extremo ao tentar assemelhar as atrizes às figuras a que se propuseram dar vida e alma. E ainda que Emma Corrin represente Diana, substituindo o cabelo castanho que lhe é característico pelo louro usado pela princesa, quem está irreconhecível é Gillian Andersen que estudou os gestos, os maneirismos, a contenção e a forma de estar de Thatcher, a primeira-ministra responsável por um dos períodos mais conturbados no Reino Unido.

A forma como os caminhos destas duas personagens se entrelaçam com o da rainha Isabel II durante a governação, dá azo a uma tensão crescente que apenas se conhece — e se sente — entre portas, mas que ameaça explodir a qualquer instante.

A MAGG já teve oportunidade de ver a nova temporada por inteiro e mostra-lhe, com spoilers, tudo aquilo com o que pode contar a partir de domingo. Se não quiser saber mais detalhes, guarde este artigo, feche-o e volte mais tarde. Deixamos apenas esta pequena síntese: sim, a nova temporada merece ser vista. Não, não desilude. E sim, é talvez a melhor da série até agora.

Pondo os preâmbulos de lado, mostramos-lhe apenas quatro (de oito) pontos fundamentais da nova temporada de "The Crown". Os primeiros quatros pontos foram divulgados no artigo lançado na quinta-feira, 12 de novembro. Pode lê-lo aqui.

1. O homem que consegue entrar no palácio de Buckingham

A austeridade trazida pelo governo de Margaret Thatcher enquanto primeira-ministra do país, levou o Reino Unido a atingir níveis elevadíssimos de desemprego. Houve manifestações, greves e muitas famílias a chegar ao limiar da pobreza. É nesse contexto que um homem, descontente com o rumo que a sua vida estava a levar, e desempregado há vários meses, decide tentar falar com a rainha. Só que aquela que era uma ideia difícil de se concretizar, materializou-se mesmo quando este conseguiu invadir o palácio de Buckingham, subir até aos aposentos da rainha e acordá-la para falar com ela.

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O momento é recordado na nova temporada de "The Crown" e mostra uma rainha igual a si própria, sempre contida e fria na forma como se dirige às pessoas que governa.

Mas, pelo menos na ficção, a máscara caiu por breves instantes com Isabel II a mostrar-se, de facto, preocupada com o estado do país governado por Thatcher depois de ter ouvido o desabafo do homem que, como prometeu, só queria conversar com ela sem ser agressivo, grosseiro ou insultuoso.

2. O momento em que o príncipe Carlos quase morreu

Outro dos momentos dramáticos da nova temporada de "The Crown" refere-se ao acidente de ski que o príncipe Carlos sofreu, em março de 1988, durante uma avalanche que tirou a vida a Hugh Lindsay, um dos militares das Forças Britânicas, responsável por acompanhar o príncipe.

O militar tinha 34 anos quando morreu e deixou para trás a sua mulher, grávida de sete meses. O alerta da avalanche foi dado no mesmo dia e demorou até que as autoridades responsáveis pelas operações de resgate encontrassem os dois homens.

O primeiro corpo encontrado levantava a hipótese da morte de Carlos, o que gerou manchetes de jornais e revistas um pouco por todo o país. Foram acionados todos os protocolos necessários para as cerimónias fúnebres e as celebrações de estado caso o pior se confirmasse mas, sabe-se agora, o corpo pertencia ao militar. Depois do acidente, o príncipe Carlos regressou para perto da família e terá sido aí que, juntamente com Diana, tentaram evitar um divórcio de um casamento em ruínas.

3. O romance de Carlos e Camilla

Ainda que o casamento de Carlos e Diana seja um dos elementos protagonistas da nova temporada, a verdade é que o matrimónio é indissociável do romance que Carlos manteve com Camilla, a mulher que sempre foi a sua grande paixão e com quem viria a casar imediatamente após a morte de Diana, em 1997. No entanto, e apesar de ambos gostarem um do outro, a família real fez pressão para que Carlos casasse com Diana — até porque Camilla já tinha um relacionamento estável com outro homem.

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O amor e desamor de ambos é um dos grandes catalisadores da discórdia entre Diana e Carlos e é também isso que reforça o drama da série, mais do que os dilemas de Margaret Thatcher à frente de um país cada vez mais desunido.

4. A queda de Margaret Thatcher

No entanto, e porque toda a série é muito simbólica, a história desta quarta temporada de "The Crown" termina com a demissão de Margaret Thatcher do governo depois de os seus níveis de popularidade terem caído a pique. É neste momento que, talvez pela primeira vez em toda a série, o espectador tem a oportunidade de ver a pessoa por detrás de uma máscara que a própria criou para se distanciar de si e dos outros.

É também a primeira vez que Margaret Thatcher, agora sem qualquer cargo político associado, se despede da rainha com lágrimas por lhe ter falhado enquanto governante, mas também por ter falhado a sua missão primária, a de enaltecer o Reino Unido um dos maiores países do mundo.

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