Quando Adam Sandler foi anunciado como o protagonista do filme "Diamante Bruto", dos realizadores Josh e Benny Safdie, os entusiastas de cinema deitaram as mãos à cabeça num gesto que misturava preconceito, preocupação e incompreensão. Como é que um ator associado a comédias românticas, em que quase todas foram mal recebidas pela crítica, seria capaz de dar corpo a uma personagem dramática num filme intenso, duro e fora da sua zona de conforto?

A preocupação não é nova e já a vimos antes noutras situações: como quando Heath Legder foi confirmado como o Joker do filme "O Cavaleiro das Trevas" ou, mais recentemente, quando se soube que Robert Pattinson seria o próximo ator a vestir a capa e a máscara de Batman.

Enquanto a prestação de Ledger mereceu elogios por parte dos críticos de cinema, Pattinson já demonstrou ser um ator muito diferente (e melhor) daquilo que se viu no filme "Crepúsculo" que, apesar das críticas pouco favoráveis, lhe valeu o reconhecimento necessário para se poder empenhar em produções independentes e ir construindo uma carreira sólida.

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O mesmo tipo de surpresa aconteceu com Antonio Banderas em "Dor e Glória", o novo filme de Pedro Almodóvar que mostrou como o ator é capaz de se entregar a um texto com uma densidade dramática muito diferente do que está habituado — desde que tenha um realizador capaz de o guiar e orientar.

No entanto, o lado mais cínico que habita em cada um de nós torna-nos num espectador difícil e exigente demais, ao ponto de nos fazer criticar a prestação de um ator não com base no que vemos representado, mas no que achamos que conhecemos ou já ouvimos sobre ele.

Com Adam Sandler não foi diferente. Aliás, após a estreia do filme "Diamante Bruto" nos cinemas americanos, a crítica internacional insistiu no mesmo ponto: de que se tratava de um filme intenso, bem realizado e com uma prestação fora de série de um ator que, até à data, pouco tinha surpreendido.

A opinião da revista "Film Week" é só um exemplo no meio de tantas outras, que diz que Adam Sandler faz o seu melhor trabalho da carreira neste novo filme. "Adam Sander faz aqui o melhor trabalho de sempre da sua carreira e mostra que, uma vez que seja desafiado a isso, é capaz de superar todos os desafios e fazer trabalhos destes", lê-se.

A agência de notícias Associated Press é da mesma opinião: "O Adam Sandler merece todos os elogios que está a receber porque está a provar mais uma vez que, com o material certo, tem a capacidade incrível de alcançar o que de mais profundo há em nós."

Apesar de tudo, as reações da crítica internacional são compreensíveis. É que o ator esteve desde sempre associado a comédias românticas, quase todas de pouca relevância, profundidade de argumento e qualidade de representação — que, por sua vez, se traduziu na falta de prémios.

Lembra-se, por exemplo, do filme "Click" em que a personagem de Sandler tem acesso a um comando que lhe permite recuar ou avançar no tempo para várias momentos da sua vida? Foi só um dos filmes de qualidade duvidosa em que o ator foi protagonista, mas há mais.

Mostramos-lhe as 15 piores comédias de Adam Sandler, segundo o IMDb, antes do seu grande papel em "Diamante Bruto", o filme dramático que chega em exclusivo à Netflix esta sexta-feira, 31 de janeiro. As notas vão desde 7 até 3,3, sempre de uma escala de 0 a 10.

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