Ter filhos é um desafio que tem tanto de gratificante como de desafiante. É bom sentir que está a dar-lhes a conhecer o mundo e a torná-los nas melhores pessoas que consegue, mas pode ser frustrante quando não percebe o porquê de um choro impulsivo, que não sabe se são cólicas ou incómodo com o ruído, ou quando se comportam de uma forma que nos parece inconveniente — talvez não tanto por nós, mas pelos outros.

É sobre comportamentos, o relacionamento com os filhos e como gerir os nossos próprios sentimentos, que fala "O livro que gostaria que os seus pais tivessem lido", de Philippa Perry, que chegou a ser um dos livros de não-ficção com mais vendas em 2019, com mais de 200 mil exemplares vendidos em Inglaterra. E não é por acaso. É que há filhos que ficariam realmente agradecidos pelos pais terem alguém que lhes diga: "Todo o comportamento é comunicação, o que significa que por trás do comportamento encontramos os sentimentos".

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E é através desta mensagem que Philippa mostra que, quer sejam "bons" ou "maus", os comportamentos querem expressar algo e que em vez de ficarmos frustrados quando as crianças não fazem o que exigimos, é mais importante perceber o porquê das suas atitudes. "As crianças são pessoas, não máquinas. Queremos que sejam capazes de estabelecer relações, não que se tornem robots".

E para isso, a psicoterapeuta tenta mostrar como é que os pais podem lidar com a frustração de não conseguir comunicar com os próprios filhos e melhorá-la ao mesmo tempo. E pode apontar o dedo a si mesmo para perceber o que está a falhar, porque só depois vai conseguir arranjar uma solução.

Uma delas pode passar por ler a pré-publicação do capítulo "Comportamento: Todo o Comportamento é Comunicação", onde a especialista fala sobre a relação intrínseca entre o comportamento das crianças e dos pais, que têm como modelos a seguir, e as competências necessárias para nos relacionarmos melhor.

"O livro que gostaria que os seus pais tivessem lido", editado pela Arena, tem 336 páginas e custa 17,70€ (PVP).

Modelos

"O seu filho imitará o seu comportamento, se não agora, um dia. Tive, em tempos, um cliente que se dizia muito diferente do seu pai, o qual dirigia grandes empresas com fins lucrativos à maneira de um autocrata. Mas embora o meu cliente trabalhasse no sector da beneficência, o seu modo de gerir o seu departamento era — está-se mesmo a ver — autocrático. O nosso comportamento é, provavelmente, o factor que mais influência tem sobre o comportamento dos nossos filhos. Vemo-nos como indivíduos, mas afectamo-nos uns aos outros. Somos apenas partes de um sistema, e os papéis que talhamos para nós dependem dos papéis que outras pessoas desempenham à nossa volta. Assim, o modo como os nossos filhos se comportam e o modo como nós nos comportamentos não se define isoladamente, dependendo também das pessoas e da cultura que nos rodeiam.

Como descreveria o seu comportamento? Trata sempre os outros com respeito? Leva os sentimentos deles em consideração? O seu «bom comportamento» vai além da superfície ou resume-se a boas maneiras? É amável no tratamento, mas depois condena as pessoas nas suas costas? Fica preso a jogos incansáveis para demonstrar a sua superioridade? Seja qual for o seu comportamento, está a ensiná-lo aos seus filhos, mesmo os aspectos que não aprova.

Se trata sistematicamente os seus filhos e as outras pessoas com amabilidade e consideração, é provável que os seus filhos façam o mesmo… um dia. Entretanto, talvez eles não se portem sempre «bem», porque antes da linguagem o comportamento é a sua única forma de comunicarem o que lhes vai no íntimo. E continua a ser assim durante alguns anos após o desenvolvimento da linguagem. Isto porque precisamos de alguma prática e competência para sabermos o que sentimos, para o exprimirmos por palavras e para percebermos, depois, o que fazer com isso. Até os adultos  até os poetas, na verdade— podem sentir dificuldade neste processo.

Não creio que alguém seja inteiramente bom ou mau. Vou mais longe: Diria que os conceitos de «bom» e «mau» não são úteis. É verdade que, embora raras, há pessoas que nascem sem a capacidade de sentir empatia, por muito bons exemplos que lhes dêem. Mas ter um cérebro que funciona de modo diferente não significa que se seja de algum modo «mau». Nesta argumentação entre o bem e o mal, limitar- -me-ei a dizer que alguns indivíduos têm um comportamento inconveniente ou prejudicial para os outros. Ninguém nasce mau. Assim, em vez de rotular o comportamento de «bom» ou «mau», descrevo-o como «conveniente» ou «inconveniente».

O comportamento, como já referi, é mera comunicação. As pessoas —e as crianças, em particular— agem de formas inadequadas, inconvenientes, porque não encontraram alternativa, porque não encontraram formas mais eficazes, mais convenientes de exprimir os seus sentimentos e necessidades. O comportamento de algumas crianças é inconveniente para outras pessoas, mas não é mau.

Cabe-lhe a si decifrar o comportamento do seu filho. Em vez de dividirmos os nossos filhos em partes «boas» e partes «más», temos de nos questionar. O que estão eles a tentar dizer-nos com o seu comportamento? Podemos ajudá-los a comunicar de uma forma mais conveniente? O que estão a dizer-nos com o seu corpo, com os seus sons e com as palavras que escolhem? E uma pergunta realmente difícil para nós: até que ponto o comportamento deles é um produto do nosso?

livro

O jogo de ganhar ou perder

Uma vez, a minha filha, Flo, então com três anos, quis ir às compras a pé e não no seu carrinho, por isso deixei o carrinho em casa. Quando fazíamos o caminho de volta, ela parou e sentou-se no degrau de uma porta. O primeiro pensamento que me veio à cabeça foi «Oh, não!», porque eu estava mais no futuro do que no presente; já me via a arrumar as compras, para poder relaxar e descansar. Não estava nos meus planos descansar a meio caminho. Mas a Flo estava a descansar.

Depois, compreendi que não importava quando chegávamos a casa. Pousei os sacos e agachei-me junto dela. A Flo estava a olhar para uma formiga que seguia uma fenda no passeio. Às vezes a formiga desaparecia na fenda e depois tornava a sair. Observei-a com a Flo.

Um velhote aproximou-se de nós e perguntou-me: «Ela está a ganhar?» Percebi imediatamente o que ele queria dizer. Estava a perguntar-me se, na batalha de vontades entre pais e filhos, ela estava a levar a melhor, à minha custa. Essa batalha era-me bem familiar. Os meus pais acreditavam nela, ao ponto de acharem que se uma criança conseguisse muitas vezes o que queria, fosse o que fosse, isso seria prejudicial.

Mas nós e os nossos filhos estamos do mesmo lado: todos queremos sentir-nos satisfeitos, em vez de frustrados. Todos queremos entender-nos e portar-nos bem. O velhote sorriu-nos com um ar entendido. Ele só queria ser amável, por isso não discuti. Não lhe respondi algo como: «Temos uma relação, não uma batalha.» Limitei-me a dizer-lhe «Estamos a ver uma formiga», e sorri-lhe também. Ele seguiu o seu caminho, tal como a formiga. Eu e a Flo levantámo- -nos e fomos para casa.

Como já referi, todo o comportamento é comunicação, o que significa que por trás do comportamento encontramos os sentimentos. Quando descobrimos o sentimento por trás de um qualquer comportamento e estabelecemos empatia com ele, podemos pô-lo em palavras, podemos ajudar uma criança a usar palavras para se exprimir, e ela terá menos necessidade de agir em função do que sente.

No exemplo atrás, compreendi que a Flo, não estando habituada a caminhar durante tanto tempo, se sentia cansada e queria repousar. Pensei em como ela devia estar atordoada, com tudo o que via e ouvia— era bem possível que não tivesse ainda aprendido a bloquear asimagens e sons irrelevantes, como um adulto faz automaticamente, e isso podia estar por trás da sua necessidade de se concentrar numa única coisa. É mais útil pensar numa situação do ponto de vista da criança do que do nosso. O meu ponto de vista teria sido: quero chegar a casa; ela está a impedir-me de o fazer; é a vontade dela contra a minha.

A ideia tradicional é a de que não devemos deixar as crianças «fazerem valer a sua vontade». Penso que era isto que o velhote estava a sugerir com o seu comentário («Ela está a ganhar?»), como se me dissesse «Está a arranjar lenha para se queimar». É a abordagem com que me deparo constantemente a propósito das birras. Os pais parecem ter um tal receio das birras que, mal uma criança faz uma birra, eles pensam que vai ser assim para sempre. Neste jogo do não-deixar-que-a-criança ganhe não há vencedores. Há apenas manipulação, onde devia haver relacionamento. O jogo não é real. É algo que os pais inventam.

Esta abordagem baseia-se numa fantasia a respeito do futuro, não no que está a acontecer no presente. O que estava a acontecer no presente era a Flo precisar de descansar antes de seguir caminho. O jogo de ganhar ou perder pode estabelecer-se como uma dinâmica, o que prejudica as relações. Ao dominar uma criança, está a ensiná-la a dominar. E se o seu filho começar a pensar que é normal e desejável impor a sua vontade aos outros? Será que isso o vai tornar popular juntos dos seus colegas de escola?

Se uma parte considerável do seu relacionamento com o seu filho consistir em impor-lhe a sua vontade, os padrões de relacionamento que ele formará tenderão a ser prejudiciais. Se uma criança adquirir um número tão limitado de papéis —«aquele que age» e «aquele sobre o qual recai a acção», ou, dito de outro modo, o dominante e o submiss —, o seu potencial como pessoa ficará consideravelmente limitado. Por exemplo, se os papéis com que está mais familiarizada são o de vítima e o de agressor, a criança pode tornar-se um agressor ou começar automaticamente a ver-se no papel de vítima.

O jogo de ganhar ou perder também tem consequências para o repertório emocional do seu filho. Perder uma batalha de vontades pode muitas vezes significar humilhação. E a consequência de se ser humilhado não é, como a palavra poderia sugerir, tornarmo-nos humildes— é ficarmos zangados. Essa raiva pode voltar-se para dentro, para nós mesmos, levando à depressão, ou voltar-se para fora, para o mundo exterior, o que resulta em comportamento anti-social.

Então, se não se trata de ganhar ou perder, qual é a melhor forma de ajudar uma criança a portar-se de forma adequada e conveniente numa dada situação? De um modo geral, agir em função do presente, que assenta na realidade e não numa fantasia receosa a respeito do futuro, é uma máxima útil a seguir no nosso relacionamento com os nossos filhos.

Philippa Perry

Agir em função do presente e não do que imaginamos que acontecerá no futuro

Uma paciente minha, Gina, estava a introduzir os sólidos na alimentação da filha. A única forma de dar a refeição à criança era cantar-lhe enquanto ela comia o esparguete e os vegetais sentada no seu tapete especial no meio da sala. Desta forma, a miúda ficava feliz e, como ela se alimentava, a minha paciente também estava feliz.

Às vezes contamos a nós próprios histórias sobre o futuro: e se ela nunca conseguir comer sem lhe cantarem durante a refeição? E se ele nunca se habituar a dormir na sua própria cama? E se ela nunca quiser largar a chucha? E se o ursinho de peluche tiver de o acompanhar no seu primeiro dia de trabalho? Mas estas histórias são apenas isso: histórias. No exemplo atrás, se Gina tivesse pensado «E se a minha filha nunca conseguir comer de outra forma? E se ela se recusar para sempre a comer à mesa?», talvez tivesse ficado preocupada, imaginemos, com os almoços na escola, com idas a restaurantes, até com o primeiro jantar romântico da filha. Mas, acreditem, quase tudo o que se passa com as crianças é uma fase. Portanto, não há problema em agir consoante o que funciona melhor no presente, por muito estranho que pareça.

Julgo que fazer o que resulta melhor para todos neste momento é especialmente útil no que se refere ao sono. Se
a única forma de toda a gente dormir for juntar duas camas de casal e pôr toda a família lá em cima, não se  reocupe com o amanhã: durma esta noite. Os seus filhos acabarão por querer as suas próprias camas. Hão-de fartar-se de o ouvir ressonar.

Se o que resulta agora deixar de resultar, implemente uma mudança, mas de modo que todos fiquem a ganhar, na medida do possível, ou, pelo menos, de modo que não haja vencedores nem vencidos. Ser flexível tornará este  processo mais fácil.

As qualidades de que precisamos para nos portarmos bem

Como já disse, cabe-lhe a si dar o exemplo do bom comportamento, comportar-se com os seus filhos e com as outras pessoas com a mesma atitude de empatia, e esperar que os seus filhos adotem também este comportamento. Além disto, há quatro competências que todos precisamos de desenvolver para nos socializarmos, para nos comportarmos convenientemente. São elas:
1. Ser capaz de tolerar a frustração
2. Flexibilidade
3. Competências de resolução de problemas
4. A capacidade de ver e sentir as coisas do ponto de vista das outras pessoas

Para contextualizar as referidas competências: consegui (1) tolerar a minha frustração quando a Flo se sentou num degrau quando voltávamos das compras e eu queria chegar a casa. Fui (2) flexível, porque alterei as minhas expectativas relativamente ao ritmo da nossa caminhada ao regressar a casa. Resolvi o problema (3) de a Flo precisar de descansar, permitindo-lhe que descansasse, e (4) usei a minha capacidade de ver a necessidade de parar da perspectiva da Flo. E, na verdade, consegui ver a situação também do ponto de vista do velhote, pelo que me comportei de forma conveniente tanto com a minha filha como com ele.

Algumas crianças adoptam naturalmente as quatro competências do comportamento socializado, porque imitam automaticamente as pessoas que as rodeiam. Mas a idade em que atingem determinados marcos, como estes, variam muito de criança para criança. Algumas crianças aprendem a ler antes dos três anos; eu só consegui ler fluentemente aos nove. Algumas crianças são capazes de correr antes de completarem um ano de vida e outras ainda preferem gatinhar aos dezoito meses. E à semelhança do que se verifica com as competências físicas, as crianças desenvolvem cada uma das competências comportamentais ao seu próprio ritmo.

Ouço muitas vezes os pais dizerem que os filhos estão a «pô-los loucos!», o que, traduzindo, significa: «Não consigo impedir o meu filho de gritar/chorar/se queixar/exigir», ou qualquer que seja o comportamento que esteja a irritá-los. Julgo que quando as crianças se comportam de uma forma que nos parece inconveniente, não podemos considerar que se trata de uma escolha, no sentido em que um adulto faz uma escolha. As crianças querem ser amadas, querem estabelecer uma ligação connosco, querem que sejamos amigos. Às vezes, precisam tanto da nossa atenção que conseguirem atenção negativa é melhor do que nada.

Para gerir as suas emoções em relação ao seu filho, será útil compreender a emoção e as circunstâncias que levaram a criança a adoptar o comportamento problemático.

Algumas crianças pequenas parecem ser difíceis de entender e de confortar. Podem ter cólicas ou outro tipo de desconforto, como não gostarem de luzes ou de ruído, ou terem a fralda cheia, estarem assustadas ou cansadas, ou podem ser muito sensíveis. As possibilidades são numerosas. Muitas vezes, não fazemos ideia de qual será a causa do seu desconforto, mas tal não significa que não tentemos acalmá-las. Ou talvez o seu filho tenha sido fácil de acalmar em bebé, mas comece a revelar dificuldades de autocontrolo mais tarde. Acalmar as crianças e aceitá-las, em qualquer estádio que se encontrem, será, certamente, mais útil para as ajudar a passar ao estádio seguinte do que perder a paciência com elas.

Muitas vezes, a frustração numa criança surge quando o desafio para fazer algo é demasiado difícil e a criança não consegue lidar com ele. Uma criança sente-se mais frustrada imediatamente antes de dominar uma nova competência ou de passar a um novo estádio. Antes de conseguir andar, falar, pensar, escrever, ser sexual, ser independente, sente-se mais frágil. Pode encarar a fúria, a birra ou o amuo inconveniente da criança como um marco no seu desenvolvimento que ainda não foi atingido, em vez de o ver como uma intervenção planeada, intencional. Quando vemos uma criança a fazer uma birra, ela não se está a divertir. Ninguém escolheria sentir-se daquela forma, se tivesse outra opção.

Outro comentário que muitas vezes ouvimos é que as crianças se comportam de modo inconveniente com outras pessoas porque os seus pais são permissivos. Não é verdade: muitos pais permissivos conseguem que o comportamento dos seus filhos não seja um problema para si ou para terceiros, enquanto pais mais rígidos, que agem de modo coerente e com sentido de justiça, podem ter filhos que se portam de modo inconveniente. Por vezes, se uma criança se comporta ou não de modo adequado não tem tanto que ver com o facto de os pais serem rígidos ou permissivos, mas sobretudo com o tempo que a criança demora a adquirir aquelas quatro competências: tolerância da frustração, flexibilidade, capacidade de resolução de problemas e capacidade de considerar a perspectiva de outros.

Aprender um comportamento conveniente, em vez de um comportamento anti-social, não é uma ciência exacta. O que leva uma criança a adoptar um comportamento adequado pode não produzir os mesmos resultados noutra. As crianças são pessoas, não máquinas. Queremos que sejam capazes de estabelecer relações, não que se tornem robots. Não sou apologista de tabelas de comportamento, nem de subornos, porque estes métodos se baseiam mais no julgar do comportamento do que no modo como nos relacionamos. Com eles, as crianças não aprendem nem a tolerar a frustração, nem a ser flexíveis, nem a resolver problemas, nem a porem-se no lugar de outras pessoas. As tabelas de comportamento são manipulativas. São um truque. Se manipularmos as crianças, não podemos queixar-nos quando elas aprenderem a manipular-nos a nós e aos outros. Defendo que devemos relacionar-nos com as crianças, em vez de as condicionarmos para quererem estrelas na tabela do comportamento.

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Quando nos portamos bem, raramente o fazemos porque queremos uma recompensa ou tememos um castigo; fazemo-lo porque nos é natural tratar as outras pessoas com consideração. Fazemo-lo porque aprendemos que a colaboração leva a uma vida mais harmoniosa do que a oposição. Não fazemos favores a outras pessoas nem levamos os seus sentimentos em consideração por recearmos ser castigados se não o fizermos; ajudamos as pessoas porque queremos facilitar-lhes a vida. Queremos que os nossos filhos revelem consideração e empatia no seu relacionamento com os outros, mas não por temerem um castigo ou por quererem uma recompensa material, o que seriam motivações redutoras. De qualquer modo, não conheço um único pai ou mãe, incluindo eu própria, que não tenha recorrido a um suborno num ou outro momento, mas os subornos devem ser a excepção, não a norma.

A melhor forma de conseguir que os seus filhos se interessem por realizar tarefas, como pôr e tirar a louça da máquina de lavar, por exemplo, é permitir-lhes que brinquem enquanto são pequenos (lembre-se: brincar é trabalhar). Eles vão imitar os pais quando os pais colaborarem na sua brincadeira e, ao fim do que parecerá, reconheço, muito tempo, os pais terão em casa uma pessoa que arruma a louça porque quer contribuir, não porque esteja a ser subornada para o fazer. Há quem defenda que se deve pagar às crianças para realizarem tarefas porque, segundo dizem, dessa forma estamos a ensinar-lhes o valor do dinheiro. Creio, no entanto, que para se ensinar a uma criança o valor do dinheiro precisamos de lhes ensinar o valor das pessoas.

As crianças aprendem o seu comportamento com base no modo como são tratadas. Aprendem a dizer «por favor» e «obrigado» quando lhes mostramos gratidão e respeito. É dessa forma que interiorizam esses sentimentos. Se apenas as treinarmos a dizerem estas expressões, poderão nunca aprender a senti-las. Como pais, podemos sentir nos embaraçados quando alguém dá um presente ao nosso filho e ele não diz «obrigado», porque queremos que toda a gente goste dos nossos filhos como nós gostamos e não queremos que eles nos deixem malvistos, mas temos de pôr o nosso narcisismo de lado e, em vez de humilharmos a criança para ela dizer o que talvez não sinta, podemos agradecer nós, para que a outra pessoa não sinta que o presente não foi apreciado. As crianças aprendem a verdadeira gratidão quando é esse o exemplo que lhes damos. Isso começa quando lhes agradecemos aquelas chávenas de chá de faz-de-conta que os nossos filhos nos querem servir durante horas seguidas. Essas horas não são desperdiçadas. São um investimento."

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