Está instalada a polémica. Agora é assim, todas as semanas há uma quezília nova nas redes sociais. Uma marca lança uma camisola cor-de-rosa, lá vêm os ofendidinhos queixar-se das questões de género. João Tordo publica um livro chamado "A Mulher que Correu Atrás do Vento", alguém pergunta onde está o homem. Já nem o pobre Conan Osíris pode lançar uma música sobre telemóveis sem ser acusado de racismo em relação aos tablets.

O mais recente drama — sim, drama, queremos lá saber se o Governo está cheio de familiares do Costa ou do que se está a passar em Moçambique — foi com a malandra da Zippy. Ora alguém consegue acreditar que a sacaninha lançou uma coleção "sem género"? Isso mesmo, nem carne, nem peixe (desculpem vegetais!), nem branco, nem preto, nem água, nem vinho. Genderless. Mas alguém ainda tem pachorra para estas tretas? Pois claro que não, e os clientes de "famílias numerosas" fizeram a malandra ouvir das boas. #DeixemAsCriançasEmPaz, caramba! Os próximos alvos são os jeans, está na hora de acabar com esta palhaçada.

Estou, obviamente, a ser irónica.

Parece que a Zippy descobriu a pólvora: roupa sem género. Não é exatamente como se existisse há décadas uma coisa chamada roupa unissexo, daquelas que tanto dão para o menino como para menina. Aos 10 anos eu era uma grande adepta deste estilo. Quem sabe, se calhar fui alvo de uma qualquer campanha de promoção de ideologia de género. Nunca teremos certeza, na altura não havia redes sociais para denunciar este abuso de que fui alvo. Ainda assim, agora fico preocupada. Já estou a imaginar os anos de terapia a tentar superar este trauma.

Não é a primeira vez que falo disto, no entanto parece-me que o tema está mais presente do que nunca: o mundo está louco. E incoerente, porque nada disto faz sentido. Deixar as crianças em paz porquê exatamente? Por serem levados nesta ideologia? Mas que ideologia, se sempre houve roupa unissexo? E nem sempre houve dinheiro para comprar roupa nova — quando eu era adolescente tinha uma pata igual à do meu pai, portanto em mês de contas apertadas ele deu-me os seus velhos sapatos de vela. O que é que isso faz de mim? E dele? Mais uma década de terapia.

Estamos obcecados por lutar pelos nossos direitos. De tal forma que, repito, parecemos uns tontinhos a puxar para a direita e para a esquerda ao mesmo tempo. Não queremos que a roupa seja sem género, mas ao mesmo tempo reclamamos da associação do rosa à menina e do azul à menina. Defendemos com unhas e dentes que as máscaras de carvão são racistas, mas perguntamos onde está o preto na coleção da Zippy.

Tudo para nós é uma luta. Mas é uma luta feita numa caixa de comentários, porque é assim que se fazem as lutas hoje em dia. Se o tema é política escreve-se a palavra "ladrões" e fica tudo resolvido, se o tema é Moçambique deixa-se um emoji triste e segue-se em frente. A Zippy lança uma roupa sem género e está o caldo entornado, cria-se uma hashtag e taggam-se os amigos porque isto assim não pode ser.

As lutas não se fazem nas redes sociais, amigos. E se de facto é para se queixarem de alguma coisa, ao menos sejam pró-ativos e tirem o rabo do sofá. Talvez assim o mundo comece a fazer mais sentido — pode ser que se apercebam que é estúpido pintarem cartazes a favor da igualdade de género quando no dia anterior gastaram o marcador preto a falar mal da Zippy.

Há duas semanas, os miúdos saíram às ruas para se manifestarem em defesa do ambiente. Claro está que os adultos revoltaram-se — nas caixas de comentários, claro —, dizendo que os putos só queriam faltar às aulas. Adultos, talvez tenhamos alguma coisa a aprender com esta malta. Quer queiramos quer não, os miúdos saíram do sofá. E não é que foi por uma coisa realmente importante?

Esta semana fomos atrás dos jovens e falámos com os criadores das palhinhas de massa, aquelas que prometem acabar de vez com um dos maiores flagelos da atualidade. O casal de portugueses teve a ideia da forma mais simples do mundo e fez os primeiros testes com os filhos. Hoje têm uma marca que quer salvar o mundo.

Mas há mais. Marta Cerqueira esteve no Loco, o estrela Michelin que pôs Lisboa a enfiar o pão em molho de bife. Só servem jantares a um máximo de 24 pessoas, mas às 10h30 já está toda a gente a trabalhar. Inês Ribeiro sentou-se à conversa com Filipe e Catarina Almeida, o casal que vai viajar pelo mundo. Curiosidade: Filipe tem de fazer hemodiálise 3 vezes por semana, com sessões de 4 horas. E não, isto não precisa de ser um problema.

E ainda não acabámos: "The Act" é uma das novas séries sensação da HBO e conta a história verídica de uma mulher que acreditou até aos 23 anos que tinha todas as doenças e mais algumas. Não tinha, a mãe é que sofria do síndrome de Münchhausen. A história acabou em tragédia e nós contamos-lhe tudo. Mostramos-lhe ainda o que dizem os estudos sobre as vantagens de a hora não mudar (vai acontecer em 2021) e explicamos como é que comer em frente a uma câmara está a fazer os coreanos ganharem uma pequena fortuna.

Mais abaixo, deixo outras sugestões de artigos para ler este fim de semana, com ideias de programas, coisas para fazer, ver, comer, experimentar. Qualquer coisa, dúvida, um só um olá, estou aqui: martamiranda@magg.pt. Até sexta e bom fim de semana.

Subscreva a newsletter da MAGG.
Subscrever

As coisas MAGGníficas da vida!

Siga a MAGG nas redes sociais.

Não é o MAGG, é a MAGG.

Siga a MAGG nas redes sociais.

Fale connosco

Se encontrou algum erro ou incorreção no artigo, alerte-nos. Muito obrigado.