Não é de agora, por isso não posso culpar os trinta (e três. shiu!). Mas a verdade é que adoro supermercados.

Enquanto as outras crianças queriam ser bailarinas ou professoras, o sonho desta aqui era ser caixa de supermercado. Aquele bip que cada produto faz ao ser registado, as latas empilhadas ao nível OCD nas prateleiras, os legumes todos expostos, o cheiro a pão quente. Não gozem, podia ser pior e dar-me para a droga.

E depois há questão das promoções. Quem me conhece sabe que eu sou capaz de ir a três sítios diferentes fazer compras, só para poupar uns cêntimos. É aquela sensação de "In your face, Continente. Desta vez ganharam as laranjas do mercado".

E agora que me prenderam em casa, sem espaço de manobra para estes decatlo que gosto de fazer entre superfícies comerciais, a coisa complicou-se. Comprar online não é solução, que eles teimam em pôr cada coisa em seu saco plástico (e isto muito antes de andar um bicho entre nós), mas a vida também não está para muitas idas à rua.

Solução? Cozinhar muito e reaproveitar ainda mais.

Porque é que acham que esta crónica, que costuma sair à terça, esta semana está atrasada? Porque há um pão que precisa de levedar, pois claro. E o que é que barrei nesse pão? Manteiga caseira. Feita de quê? Água de cozer o grão. What?! Ah pois, amigos, depois deste monólogo irritante, prendo-vos finalmente a atenção.

Ser sustentável não é só usar saco de pano. E foi preciso uma pandemia para mostrar isso
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Com um saco de grão seco, nasceram hambúrgueres, panquecas, omeletes e até uma manteiga. Se isto não é o milagre da multiplicação, não sei o que será.

Vamos então por partes. Primeiro, cozer o grão. À antiga, numa panela, lembram-se? Dica de quem come muita leguminosa e quer manter-se uma lady na mesa e na cama? Ponham alga kombu na água, ajuda a diminuir a probabilidade de gases.

Feito isto, é pôr a cozer e esperar que arrefeça. Com o grão fiz hambúrgueres (foi só misturar com cebola, cenoura, linhaça e muita especiaria) e com a água fiz a festa.

Para quem não sabe, a água de cozedura do grão está para os vegans como aquela garrafa de água que encontramos de manhã depois de uma noite de Lux: um oásis. É que de repente, quem pôs os ovos de lado, pode ter o equivalente a claras de ovo. Chama-se aquafaba e se duvidam do que eu digo, metam-lhe uma batedeira em cima. É esperar e ver aquela montanha branca subir. Até me emociono.

Como a água se transforma no equivalente a claras e o sabor é neutro, consegui fazer panquecas para o pequeno-almoço e omoletes para o almoço. Quanto às panquecas, força nisso, já as omeletes, esqueçam. Horríveis, mas a vida é mesmo assim. Quem é que há um mês diria que não podia sequer sair para comprar ovos à rua? Exato.

Mas como no forno estava um pão lindo a crescer pensei, "raisparta se não faço daqui manteiga". Google, essa bíblia, apresentou-me logo mil opções mal escrevi "vegan butter aquafaba". Foi clicar na primeira e seguir instruções com ingredientes mesmo básicos: a tal aquafaba, azeite, óleo de coco, sal e vinagre. Bater, frigorífico e já está.

E hoje, 25 de março, posso dizer que fiz pão e nele barrei a minha manteiga. Covid, prepara-te, mais tempo de ócio como este não tarda até a vacina sai do grão.

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