«Eu sou cria da favela», dizia ela com orgulho ao mencionar as suas raízes. Eleita vereadora do Rio de Janeiro, a tal cidade tão maravilhosa como violenta, que encanta pela sua beleza natural, mas assusta pela maldade dos homens.

Mulher, negra, lésbica, fez da defesa dos direitos humanos e da luta contra todas as formas de discriminação a sua causa de vida. Porém, foi com o estatuto de relatora da intervenção federal no Rio, decretada por Michel Temer, que deu plenos poderes aos militares para se encarregarem da segurança da cidade, que a sua vida fica tragicamente marcada.

Quatro tiros na cabeça, com balas disparadas por uma arma que pertencia à Polícia Federal, comoveram o mundo e milhares de pessoas que não enjeitaram a ocasião para a prestigiar e manter o seu combate. Tudo resulta de uma enorme crise económica, mas, acima de tudo, de valores, que assola o Brasil.

Já são 1124 pessoas assassinadas pelas forças policiais e o seu clamor levantava-se corajosamente contra o estado podre das coisas, uma sociedade insegura onde grassa a corrupção. Custou-lhe a vida a sua revolta de pura cidadania.

No seu “Bolero de Satã”, Elis Regina cantava com a sua voz inolvidável: «É a seta do arco da noite/ Sangrando-me agora/ São lágrimas, sangue, veneno/ Correndo no meu coração/ Formando-me dentro esse pântano de solidão». Marielle Franco até pode ter morrido só, mas os seus ideais serão içados por outros que não a deixarão sozinha. A pulhice das armas para a calar só lhe vieram amplificar a voz. Que não a esqueçamos.

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