À quinta edição do "Casados À Primeira Vista" já seria de esperar que os participantes entendessem realmente o formato em que estão a participar, e qual a ideia do programa: casar-se com um desconhecido, aceitar o desafio e vivê-lo na sua essência, ou seja, enquanto casal, par romântico, e não apenas como dois amigos que estão ali a passar umas férias.

Nesta edição, particularmente, em todos os casais há pelo menos um elemento que parece que se enganou no programa, que está ali para aparecer na televisão, viajar e comer à borla. A ideia não é essa. Mas há outras coisas igualmente perturbadoras.

Talvez por influência dos vídeos de 1 minuto no Instagram, parece que todos os participantes se sentem verdadeiros psicólogos dos relacionamentos, cheios de sabedoria de algibeira, entendidos nesta coisa do amor, algo que perceberiam que não faz sentido quando estão a participar num programa de televisão para encontrar um marido ou mulher. Todos defendem que a chave para o sucesso é a comunicação, mas quase nenhum sabe comunicar, que o importante é o interior das pessoas, a personalidade, mas depois quando não sentem atração física já se dizem pessoas que não são muito "do toque". Meus caros, nenhum de nós é pessoa de toque se não sentir tesão. E todos somos pessoas de toque quando nos sentimos atraídos por alguém.

Podemos generalizar, mas é mais engraçado personalizar, porque nem todos os concorrentes estão no mesmo patamar. Há cinco particularmente irritantes, por diferentes razões. Vamos lá então ver quais (do menos mau, para o pior).

5.º José Domingos

José Domingos, concorrente do Casados à Primeira Vista
José Domingos, concorrente do Casados à Primeira Vista José Domingos, concorrente do Casados à Primeira Vista

O José Domingos é uma criança com quase 70 anos, um bon vivant, Don Juan da Prelada, menino da mamã que se acha o maior e raramente entende que é apenas um homem imaturo que gera vergonha alheia. A necessidade que sente em ser o centro das atenção, o machismo constante, os traços narcisicos enraizados e a total ausência de sentido de oportunidade (sempre a falar das ex) fazem dele aquele patetinha alegre que até começa por ser divertido, mas que, com o tempo (não precisa de ser muito) cansa. Por outro lado, é daquelas pessoas que se acham muito mais do que aquilo que são. Um homem desta idade que se diz evoluído e de boas famílias mas que nunca foi ao Brasil, bebe vinho às litradas, não entende o conceito de comer entradas, não sabe o que são as coisas mais básicas da vida e que acha que uma mulher que esteja com ele tem de viver para ele, em função dele, centrada nele demonstra, naturalmente, o porquê de ninguém o querer aturar. Pobre Isa. A favor, o facto de não parecer ser má pessoa e de muitas coisas parecerem fazer parte de uma personagem que criou e alimenta. Mas nem sempre se distingue a pessoa da persona, e isso cansa, sobretudo quem vive com ele.

4.ª Marta Neto

Marta Neto concorrente do
Marta Neto concorrente do Marta Neto concorrente do "Casados à Primeira Vista"

A Marta Neto é a típica sonsa, que nos enganou bem desde o início. A cabeleireira de Vizela apareceu como uma mulher sofisticada, meio zen, que não tinha qualquer pedido especial para marido. Venha quem vier está bem. Deu sempre a entender que estava super disposta a aceitar o destino, "sem expectativas", como dizia. Mas vá, lá foi dizendo que tinha de ser alguém "com os dentes todos". Parecia de facto ser uma mulher que iria aceitar ao destino e entregar-se ao destino. Na rifa saiu-lhe um tarólogo gordinho com os dentes afastados. E a mulher desmaiou no altar. "Eu não consigo beijar aquele homem". "Eu não quero isto". Lá se foi o venha quem vier, não tenho expectativas. À produção, explicou que o desmaio era por ter ficado em pânico com o noivo. Ao noivo, disse que a culpa era de não ter descansado nem comido. Sonsa. Para entrar na igreja a dançar (quando ainda não tinha visto o noivo) estava ótima. Dois minutos depois, viu os dentinhos ao César e caiu para o lado... de fome. Certo. Nem sequer teve a decência de aceitar tirar fotos ao lado do desgraçado do homem, que, ele sim, foi ali atrás de encontrar uma pessoa, nada mais. Em vez disso, usou o fotógrafo da produção para fazer uma sessão fotográfica sozinha vestida de noiva. Sonsa, já dissemos?

3.ª João Ricardo

João Ricardo Casados à Primeira Vista
João Ricardo Casados à Primeira Vista João Ricardo é concorrente do Casados à Primeira Vista

O noivo de Marta Sá é talvez o concorrente mais difícil de ler, de entender. Tem sempre um olhar deslizante, desconfiado, inquieto, que passa uma imagem de desconfiança e insegurança. Nunca parece verdadeiramente feliz, tudo parece ser uma coisa feita à força, e mais parece que alguém o obrigou a estar ali. Podia ser aqueles casos óbvios de show off, em que só quer participar no programa para se tornar famosito por seis meses, e se calhar até é isso, mas nem isso é claro. Até disso se pode desconfiar, como de tudo o resto. A noiva também não parece ser das mulheres mais fáceis do mundo, mas pelo menos aparenta fazer um esforço para tentar viver esta experiência, entrega-se mais, mostra mais emoções. O João Ricardo fica sempre naquele registo incerto, que parece que faz tudo de forma meio contrariada, sorri de forma pouco verdadeira, e está sempre à espera que as câmaras se desliguem para ele próprio também se desligar. É uma espécie de homem-robô movido por inteligência artificial, que tenta aparentar ser um humano normal, mas é só um estranhinho, como dizem os miúdos. Marta, foge enquanto é tempo (se já fugiste, ótimo).

2.º Ruben/Milene

Casados à Primeira Vista: Milene Sofia e Ruben
Casados à Primeira Vista: Milene Sofia e Ruben Casados à Primeira Vista: Milene Sofia e Ruben créditos: SIC

Aqui não é possível dar o segundo lugar só a um, porque a distinção vai mesmo para os dois, por motivos muito distantes. A Milene não foi ao Casados à procura de um homem, isso qualquer pessoa entende. Basta olhar para ela. Se uma mulher bonita de 26 anos não arranja alguém, então, ninguém arranja. Ela foi na expectativa de encontrar um bonzão malhado, tatuado, de 1,85 metros, morenaço, olho verde, que goste de dançar kizomba, tire fotos no gym em frente ao espelho a exibir o bíceps, e idealmente que tenha muita paciência para lhe tirar fotos para ela pôr no Insta. A Milene falou com o amigo Elson, da edição anterior dos Casados, e viu aqui um caminho rápido para aparecer na televisão, ser falada, e, assim, dar um boost à sua vida de influencer. E tudo isso irrita, porque nada disso tem que ver com o ADN deste formato.

Mas em vez do bombadão de 1,85 metros, a produção juntou-a com o Feliz, o anão da Branca de Neve que está sempre a rir de tudo, que faz tudo para agradar, e que revela uma personalidade que torna IMPOSSÍVEL que uma mulher com o perfil de Milene olhe duas vezes para ele com interesse. O Ruben é bom rapaz, mas tem aquele tipo de feitio que é o oposto ao bad boy (que seduz mulheres com o perfil da Milene), e que 98% das mulheres colocam na friend zone ao fim de 3 minutos. Ou 1, no caso de Milene. O Ruben tem revelado ter zero personalidade, faz tudo, tudo, tudo para agradar a Milene, faz a festa com as migalhinhas que ela lhe vai deixando ("hoje tocou-me no cotovelo, estou muito feliz"), não tem vontade própria em relação a nada, anula-se a 200%, e continua sem perceber que nunca na vida terá qualquer chance de, sequer, levar um chocho naquela boca. Acorda, homem.

1.º Rute

Rute, concorrente de
Rute, concorrente de Rute, concorrente de "Casados à Primeira Vista"

A Rute leva para casa o prémio da participante mais irritante desta quinta edição dos Casados. É difícil começar por algum lado, porque tudo nela é motivo de irritação. A começar naquele riso de ZUNDAP. A Rute é aquela concorrente que não se percebe exatamente o que é que está ali a fazer. Teve a sorte de lhe calhar um homem que parece ser decente, o João, bastante dedicado, paciente e compreensivo, que está a levar tudo com calma, que fala de forma tranquila, não stressa com nada, mas demonstra, quando é preciso, que está ali para criar uma relação amorosa, e não para passar um tempinho, porque é essa a essência do programa. A Rute passa a vida armada em generala e age como se o mundo lhe devesse alguma coisa. É tudo como ela quer, como ela gosta, e se assim não for parece que os outros é que são parvos, imaturos, que não sabem nada da vida. Está muito cheia dela (não se percebe exatamente porquê), não demonstra a mínima abertura para fazer algo que fuja dos seus hábitos, e quando o faz reforça dez vezes que o está a fazer, sempre num registo de cobrança. Passa a vida a erguer barreiras em relação ao marido, não procura pontes, entendimentos, e em todos os programas nos perguntamos: mas o que é que esta pessoa quer? O que é que ela está ali a fazer. Tem aquele registo frio, distante, de não-me-toques, não quer qualquer cumplicidade, intimidade, emoção, nada. O João já está farto — e isso nota-se — mas vai dando o benefício da dúvida. Já dissemos aqui o quão paciente ele parece ser? Não é o tempo, só por si, que cria intimidade entre as pessoas, é preciso que as pessoas trabalhem essa intimidade. Claro que a Rute diz que sabe isso, como sabe tudo. Mas a verdade é que mesmo que não se separem, dificilmente se irão aproximar física ou emocionalmente.